O Público de ontem publicou uma carta do constitucionalista Jorge Miranda, em que este classifica como inoportunas, por afectarem os interesses das populações em geral, nomeadamente os dos cidadãos que não podem servir-se de meios próprios. E ainda mais por haverem planos para encerrar “mais e mais linhas férreas e reduzir horários e carreiras de transportes das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto”. Sugere que, tal como os trabalhadores têm os seus sindicatos, os utentes desses serviços públicos essenciais se organizem por toda a parte para os defender, assim como à sua qualidade de vida e da própria economia do país de que dependem os seus empregos. E declara que o papel das associações de utentes é indispensável no momento em que vivemos.
Será que o Doutor Jorge Miranda pretende lançar os utentes contra os trabalhadores dos serviços? Pôr os pobres uns contra os outros? Não seria melhor recomendar aos seus correligionários do governo que parassem com as reestruturações descabeladas que se propõem fazer, tipo encerramento geral do país, e contra as quais foram convocadas as greves desta semana? Essas reestruturações é que são uma grande ameaça para os portugueses que vão todos os dias para os seus locais de trabalho, para a qualidade de vida e para a economia do país. Os trabalhadores protestam e bem, porque paira sobre eles a ameaça de despedimentosem massa. Poroutro lado, as comissões de utentes já existentes em várias zonas bem que têm chamado a atenção para a má gestão das empresas e para os danos que estão a ser causados por estes projectos absurdos, que já começaram a ser concretizados, como o encerramento da linha do Caia.
O semanário satírico francês Charlie Hebdo foi alvo de um ataque com um cocktail molotov. El País de sábado passado, 5 de Novembro, diz que o ataque parece estar relacionado com a saída de um número dedicado à vitória dos islamistas na Tunísia e à declaração do presidente do conselho nacional de transição líbio anunciando que o país vai seguir a sharia. El País parece acreditar que esta triste façanha foi obra de muçulmanos fanáticos. Não nos diz se já há algum resultado do inquérito policial que com certeza está a decorrer. Será bom não esquecer que há gente de outros quadrantes igualmente fanatizada, pronta a lançar o pânico e atiçar ódios.
Duarte Lima, suspeito de ter assassinado uma senhora, foi alvo de uma penhora por causa de uma dívida ao BPN. Porque é que essa penhora não foi feita anteriormente? A dívida já deve existir há algum tempo. Quantas mais existirão, á espera de serem cobradas?

