O HOMEM (=ser complexo) e as ORGANIZAÇÕES – por António Gomes Marques

 

 Um dos elementos fundamentais a considerar na gestão de qualquer Organização são os seres humanos. Por outras palavras, podemos dizer que os seres humanos constituem o recurso essencial de todas as Organizações.

 

É um dado adquirido que o comportamento varia de pessoa para pessoa e a gestão, a qualquer nível, não pode ignorar tal realidade. Mas qual a razão por que isso acontece? Será possível detectar os factores que estão na origem de tal variação?

 

Há quem veja a essência do homem como um conjunto de propriedades universais: espírito, razão, …; outros vêem a essência humana como o conjunto das relações sociais. Ou seja, os homens são vistos por estes últimos no seu processo de desenvolvimento real e em condições perfeitamente determinadas.

 

A própria história das organizações nos mostra que não é no vazio da sua auto-suficiência que o homem poderá resolver os seus problemas, já que a sua condição real é de um indivíduo entre indivíduos, de um indivíduo em relação com os outros. As contradições e as injustiças a que o homem está submetido poderão ser explicadas pela análise das condições de uma dada situação histórica, ou seja, o homem, na sua relação com os outros, é um ser condicionado e condicionante, produtor com os outros das suas próprias condições de vida, vida esta que o condiciona.

 

Aprofundando o estudo destas relações de uns com os outros, talvez nos seja mais fácil aceitar a necessidade de compreender aqueles com quem nos relacionamos e, assim, conseguirmos a compreensão dos outros para as nossas acções, de que tantas vezes nos queixamos não ter. Caminhando no sentido de aprofundarmos cada vez mais esse estudo, veremos que muito mais fácil se nos torna analisar as necessidades, a paixão, a riqueza intelectual e os próprios desejos das pessoas.

 

Se o conseguirmos, a complexidade do ser humano começa a ser mais facilmente compreendida, o que significa aceite. A actuação no seio familiar, no nosso local de trabalho, na sociedade de que fazemos parte, no meio envolvente torna-se mais fácil. Para que tal seja possível não podemos esquecer que o muito que hoje se sabe sobre as pessoas é muito pouco para se afirmar saber o suficiente; aparentemente, todos somos iguais a todos, mas, na verdade, nenhum de nós é igual a outro.

 

                Esta complexidade sempre teve que ser tida em conta para o bom êxito de qualquer Empresa (Organização). Hoje, em particular, toda e qualquer tarefa que se desenvolva dentro de uma empresa não pode esquecer que um dos seus principais objectivos é o desenvolvimento da qualidade, já que só pela qualidade se pode obter a preferência que gera o sucesso que se visa como resultado, sucesso esse não atingido quando for esquecido que o objectivo fundamental é a felicidade do Homem.

 

Não podemos esquecer que qualquer negociação tem de um lado e do outro pessoas. Portanto, se a complexidade de que se fala não for tida em conta, mesmo que a qualidade do serviço que se presta (ou do produto que se coloca no mercado) seja excelente, pode gorar-se o sucesso dessa negociação.

 

Das leituras que temos feito sobre as experiências tidas em várias Empresas que desenvolveram programas de qualidade, apenas triunfaram os que foram dirigidos por pessoas que reconheceram que os recursos humanos -expressão esta de que não gosto, preferindo dizer pessoas- constituem o que de mais valioso tem qualquer Empresa.

 

Desde os criadores do serviço (ou do produto) até à sua colocação no mercado, há toda uma cadeia que envolve as mais variadas pessoas que, não esqueçamos, dependem umas das outras.

 

Muitos responsáveis estão ainda convencidos que são tanto melhores gestores quanto melhor controlam os seus colaboradores, esquecendo que esse é o caminho mais curto para a sua desmotivação. É claro que falamos desta questão não para chamar a atenção para a necessidade de criar um outro tipo de controlo, mas sim para reforçar a convicção, que não é apenas nossa, da necessidade de esses responsáveis procurarem gerir não as pessoas mas sim as ideias que essas pessoas, membros da equipa, colaboradores da Empresa (Organização), vão tendo, o que implica informá-los e ouvi-los. A criatividade das pessoas será assim um facto e os objectivos finais serão mais facilmente atingidos.

 

 

 

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