(1896 – 1971)
Um café na Internet
Toda pena de amor, por mais que doa,
no próprio amor encontra recompensa.
As lágrimas que causa a indiferença,
seca-as depressa uma palavra boa.
A mão que fere, o ferro que agrilhoa,
obstáculos não são que amor não vença.
Amor transforma em luz a treva densa.
Por um sorriso amor tudo perdoa.
Ai de quem muito amar não sendo amado,
e depois de sofrer tanta amargura,
pela mão que o feriu não for curado.
Noutra parte há de em vão buscar ventura.
Fica-lhe o coração despedaçado,
que o mal de amor só nesse amor tem cura.
Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça foi uma figura destacada da vida do Rio de Janeiro. Poetisa, tradutora e feminista, participou activamente na vida social e cívica, tendo estado ligada à fundação da Casa do Estudante do Rio de Janeiro e à Associação Brasileira de Estudantes. Foi a primeira mulher a participar num tribunal eleitoral.


