A escrita em blogues pressupõe a adopção de maneiras de comunicar ajustadas ao suporte virtual em que trabalhamos. Muitos dos bloguistas trazem da sua prática académica, jornalística, literária, maneiras de escrever inadequadas, como por exemplo as notas de rodapé – ou de pé de página. O conceito de página é precisamente um dos que deixam de fazer sentido. Compreende-se que a ideia de página, do latim pagîna (a parte interna do papiro), esteja de tal modo enraizada que se torne difícil ultrapassá-la. Os blogues são um meio de comunicação em que não se trabalha com páginas.
Muitos bloguistas escrevem sem se lembrar que textos muito longos, os chamados “lençóis”, são menos lidos e de que a concisão é uma das virtudes de quem escreve neste suporte.
Ao querer publicar ficção, deparamos com peças extensas que têm de ser segmentadas e sabemos como o fio dramático de uma história se perde nestas partições. Os jornais do século XIX criaram um sistema de segmentação muito sábio e adequado – o dos folhetins – cada episódio terminava de uma forma intrigante que era um estímulo para ler o episódio seguinte. Foi assim que nasceu O Mistério da Estrada de Sintra; Eça e Ramalho iam, dia a dia, criando situações engenhosas que deixavam os leitores em suspenso. Reinaldo Ferreira, o Repórter X, foi outro mestre nessa arte.
Antes que este post passe à condição de “lençol”, dizemos ao que vimos – Vamos abrir um concurso de blogocontos, ou seja, de contos pequenos e adequados – amanhã publicaremos o regulamento. O concurso é aberto a (quase) todos os colaboradores e visitantes de “A Viagem dos Argonautas”.
Os coordenadores
