DIÁRIO DE BORDO, 5 de Dezembro de 2011


 

 

Passos Coelho este domingo,  com um ar decidido, declarou não ter medo de greves ou manifestações. Que o país tem de pagar as suas dívidas, sem empurrar para os ricos,  ou para os europeus. O estilo valentão que adopta é preocupante, porque ficamos a ver que não vai alterar as políticas que levaram a esta situação de endividamento, que muito provavelmente se vai agravar, bastando olhar as taxas de juro, o arrastar do caso BPN, que permite ver que vai continuar o regabofe nos bancos (e o povo a pagar), as parcerias público privadas que continuam na mesma, e que todos sabem que a valentia vai continuar a acabar assim que vê Alberto João Jardim. Por cima de tudo, mais uma vez se conclui que o empobrecimento preconizado por Passos Coelho não é para todos, é para a maioria dos que têm menos recursos. E que os responsáveis pelo endividamento vão continuar impunes, e provavelmente nos mesmos lugares de responsabilidade.

 

Esclarecer cabalmente como foram contraídas as dívidas, e responsabilizar quem as contraiu é um passo imprescindível para o equilíbrio do país, a começar pelo orçamento e contas, continuando pela economia em geral, e pela vida em geral. A excessiva concentração de riqueza, a especulação financeira, que Passos Coelho (e não só) não querem alterar, são as razões estruturais da atrofia da economia portuguesa, e do desequilíbrio da vida social. É evidente que não pretende atacar as razões estruturais do endividamento, e que recorre a remendos para tapar os buracos, remendos esses que saem caro aos trabalhadores por conta de outrem, feitos que são à custa de reduções nos vencimentos, pensões e outras prestações sociais.

 

Joseph Stiglitz esteve na Galiza, e recordou mais uma vez que a política chamada de austeridade vai causar recessão, com o consequente reflexo na vida das pessoas. Entretanto tudo indica que Mariano Rajoy não vai seguir as suas indicações. Resultado: a Espanha vai continuar em crise.

 

No sábado passado, reuniram-se em Lisboa, na Associação 25 de Abril, os proponentes da constituição da IAC – Iniciativa de Auditoria Cidadã à Dívida. Ver para Agir, a qual precisamente visa dar a maior transparência ao processo. A reunião teve como objectivo preparar a Convenção deste movimento social, que se vai realizar no próximo dia 17 de Dezembro, em Lisboa.

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