agenda cultural de 12 a 18 de Dezembro de 2011

 

 

 

por Rui Oliveira

 

 

 

   1.Logo na Segunda 12 de Dezembro, às 21h, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, o ciclo Músicas do Mundo traz o Anoushka Shankar Ensemble para um concerto onde o Rajastão (Índia) e a Andaluzia (Espanha) se encontram através de músicos ciganos de ambas as proveniências, tocando flauta, shehnai, percussão e cantando.

   Anoushka, filha do mestre do sitar Ravi Shankar e, curiosamente, irmã de Norah Jones, aborda  os aspectos comuns da jornada cigana, desde Rajasthan até à fixação em Espanha, atravessando os territórios do Irão, do Iraque e da Arménia  e restaura essa ligação perdida há mais de mil anos,  gravando-a para a Deutsche Grammophon no álbum recente Traveller, nome também aqui dado ao concerto, associado a Raga Flamenco Journey.       

  

Anoushka Shankar apresenta no Yellow Lounge de Berghain (Berlim) em Setembro 2011

temas do seu novo CD Traveller 

 

 

 

    2.Na mesma Fundação Gulbenkian três outros concertos se destacam, dos quais sobressai em expectativa aquele que no Sábado 17 de Dezembro, às 19h no Grande Auditório, permitirá ouvir pela segunda vez em Lisboa  a pianista francesa Hélène Grimaud.

   Aluna de Jacques Rouvier, György Sándor e Leon Fleischer, foi convidada por Daniel Barenboim para se estrear logo em 1987 com a Orquestra de Paris. Desde então, tocou com as grandes orquestras nos principais palcos internacionais, tendo colaborado com três gerações de maestros de renome como Kurt Masur, Bernard Haitink, Esa-Pekka Salonen, Neeme Järvi, Pierre Boulez, Ricardo Chailly, Valery Gergiev, Vladimir Jurowski ou Fabio Luisi.

    Artista multifacetada, é em particular uma dedicada intérprete de música de câmara e, neste campo, com particular fascínio  pela Sonata op.1 de Alban Berg cuja partitura anotada dum seu primeiro professor (Pierre Barbizet) conserva “desde os onze anos”. A partir desse tema  desenrola-se neste concerto “uma viagem musical ao longo do Danúbio” a que deu o título de Resonances, o mesmo dum seu disco recentemente ( Out. 2010) lançado pela Deutsche Grammophon.

   Do programa do recital constam :

         Wolfgang Amadeus Mozart  Sonata em Lá menor, K. 310

         Alban Berg  Sonata op. 1

         Franz Liszt  Sonata em Si menor

         Béla Bartók  Seis danças populares romenas

 

Hélène Grimaud apresenta excertos do seu novo CD Resonances 

 

 

   Para quem não conheça esta artista, saiba-se que, além da música, e em particular após, na sua ida em 1990 para os Estados Unidos, ter ocasionalmente deparado com uma loba que adoptou, cultiva a etologia tendo criado o Wolf Conservation Center em Nova Iorque. Milita pois pela reintrodução do lobo no seu elemento natural, tendo regressado para residir na Suiça em 2006.

 

   Outro concerto da Fundação Gulbenkian é o que, na Terça 13 de Dezembro, apresenta o Quarteto Ebène às 19h no Grande Auditório no ciclo Música de Câmara.

   Vindo de Londres em trânsito para Bilbao, este agrupamento chefiado pelo violinista Pierre Colombet (com Gabriel Le Magadure violino, Mathieu Herzog viola e Raphaël Merlin violoncelo) tem uma postura reconhecidamente “descomplexada” dada a sua composição polivalente sendo, segundo o The New York Times, “um quarteto de cordas clássico que pode, sem problemas, metamorfosear-se em banda de jazz”, o que não recusam, improvisando p.ex. sobre Chick Corea.

   Discípulos do Quarteto Ysaye, em Paris, e em seguida de mestres como Gábor Takács, Eberhard Feltz e György Kurtág, irão executar obras do Outono Russo como o Quarteto para Cordas nº 2  de Alexander Borodin, o Quarteto para Cordas nº 1, op. 50 de Sergei Prokofiev e ainda o Quarteto para Cordas op. 51 nº 2 de Johannes Brahms.   

 

O Quarteto Ebène toca no Festival Verbier 2011 o Quarteto de Brahms op.51 nº2 (do programa) 

 

 

  

 

   Por último, ainda na Fundação Gulbenkian, às 21h de Quinta 15 de Dezembro e repetindo-se  às 19h de Sexta 16 de Dezembro no Grande Auditório, toca a Orquestra Gulbenkian de novo dirigida pelo jovem  maestro alemão David Afkham, tendo como solista o também jovem violinista arménio Sergei Khachatryan.

 

   Com apenas 28 anos, Afkham é já Maestro Assistente  da Orquestra Sinfónica de Londres, dirige a Orquestra Juvenil Gustav Mahler, entre várias outras orquestras e colabora em particular com Bernard Haitink, seu mentor, no aperfeiçoamento da sua ascendente carreira de condutor de orquestras.

   Dentro do clima do Outono Russo, propõe-se interpretar de :

 

                Sergei Prokofiev  Sinfonia nº 1, op. 25, Clássica

                Dmitri Chostakovitch  Concerto para Violino e Orquestra nº 1, op. 77

                Sergei Prokofiev  Romeu e Julieta (excertos das Suites nº 1 e nº 2 e do op. 69)

 

Por se tratar de artistas jovens, são estes os únicos registos disponíveis :

   

David Afkham dirige em Outubro 2010 a Quarta Sinfonia de Tchaikovsky

com a Julliard Orchestra em Nova Iorque

 

 

Sergei Khachatryan toca o concerto de Chostakovitch do programa da FCG

com a Radio Filharmonisch Orkest holandesa (dir. Jaap van Zweden)

 

 

 

   3. Do reduzido programa do Centro Cultural de Belém para esta época ressalvamos dois concertos, com destaque para :

 

   Na Quinta 15 de Dezembro, às 21h no Grande Auditório, o já sexagenário pianista basco Joaquín Achúcarro (de quem o maestro Zubin Mehta disse “…só ter ouvido este som com Rubistein”), intérprete de mais de 30 CDs editados, apresenta-se ao público para tocar as seguintes obras :

 

   Bach-Busoni  Tocata em Dó maior

   Chopin  Noturno em Fá maior op. 15, n.º 1 ;  Barcarola em Fá sustenido maior, op. 60 ;

Polonesa em Lá bemol maior, op. 53

   Debussy  Prelúdios ; La Puerta del Vino ; La Terrasse des Audiences du Clair de Lune ; General Lavine-eccentric- ; Feux d´Artifice

   Albeniz  Evocacion (Ibéria) ; El Albaicin (Ibéria) ; Navarra. 

     

Joaquin Achúcarro toca já em 2011 Noites nos jardins de Espanha de Manuel Falla

com a Filarmónica de Berlim dirigida por Simon Rattle

 

 

 

   No Domingo 18 de Dezembro, o Concerto de Natal do CCB é no seu Grande Auditório onde a orquestra-residente Divino Sospiro e o Grupo Vocal Officium, dirigidos por Enrico Onofri, entoará de Johann Sebastian Bach a Suite para Orquestra nº.3, em Ré maior, BWV 1068 e, em seguida, a Oratória de Natal, BWV 248 (Cantatas I, II e III).

   Acompanham-nos como solistas Maria Hinojosa Montenegro soprano, Katarina Bradic contralto, Fernando Guimarães tenor e Hugo Oliveira baixo.

 

O Divino Sospiro interpreta aqui de Bach também a Cantata BWV 63

 

 

   Se estiver interessado em ouvir a Oratória integral (cerca de 2h 35m) clique p.ex. em : http://www.youtube.com/watch?v=VVeluHdzcBY 

 

 

 

   4. Estreia na Sexta 16 de Dezembro (prolongando-se até 18 de Dezembro) no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, Orfeu, a última criação da Companhia Montalvo-Hervieu que celebra um ciclo de 30 anos de colaboração entre esta dupla de coreógrafos franceses mas que marca também (segundo o programa) “uma viragem no seu trabalho, a meio caminho entre a ópera e a comédia musical, misturando vídeo, hip-hop, dança contemporânea e africana, flamenco, canto e mesmo dança sobre ondas”.

   Essa reflexão sobre o poder e o papel das artes nos dias de hoje inspirada na magia do canto de Orfeu e no mito da Descida aos Infernos, cruza referências de obras fundamentais de três épocas diversas : Orfeo de Monteverdi (1607), Orfeo ed Euridice de Gluck (1774) e Orphée Suite para Piano de Philip Glass (1993).

   A coreografia é de José Montalvo e Dominique Hervieu e nela intervêm os bailarinos Stéphanie Florant, Natacha Balet, Delphine Nguyen (nome artístico Deydey), Babacar Cissé (nome artístico Bouba), Grégory Kamoun, Brahem Aiche (na apresentação em Lisboa, Brahem Aiche aparece apenas no vídeo), Luca Patuelli (nome artístico Lazylegz), Karim Randé, Stevy Zabarel (nome artístico Easley), os bailarinos-cantores Sabine Novel (soprano), Blaise Kouakou (baixo), Merlin Nyakam (baixo) e os cantores e músicos Soanny Fay (soprano), Julien Marine (contra-tenor), Sébastien Obrecht (tenor/violoncelista), Florent Marie (tiorba).  

 

Momentos-chave do espectáculo Orfeu da Companhia Montalvo-Hervieu criado em 2010 no Palais Chaillot

 

 

  

   5.No Sábado 17 de Dezembro o Teatro Aberto estreia às 21h30 na sua Sala Vermelha a peça de John Logan Vermelho (texto vencedor em 2010 de seis Tony Awards incliundo o de melhor espectáculo) numa encenação de João Lourenço da sua versão com Vera San Payo de Lemos, com cenários de António Casimiro e interpretação de António Fonseca e João Vicente.

   Tema : Nova Iorque, 1958-1959. O pintor Mark Rothko contrata Ken, um jovem assistente, para o ajudar na execução de um trabalho que lhe foi encomendado. Trata-se de uma série de murais para o luxuoso restaurante Four Seasons, integrado no edifício Seagram, um projecto inovador dos arquitectos Philip Johnson e Mies van der Rohe. Enquanto misturam as tintas e preparam as telas, Rothko expõe as suas ideias sobre a arte, reportando-se aos pintores que o antecederam, como Caravaggio ou Miguel Ângelo, e aos seus contemporâneos, como Jackson Pollock ou Andy Warhol e diz: “a arte deve propiciar o encontro do homem consigo próprio e com o mistério da existência”

 

   

 

Cordas sobresselentes

 

 

   Não são muitos os acontecimentos culturais marcantes neste período dito festivo. Destacamos alguns de possível interesse.

 

   A 12 de Dezembro (Segunda), às 18h30 na Sala dos Espelhos do Palácio Foz há um concerto do Sond’Ar-te Electric Ensemble, uma proposta totalmente inovadora no panorama musical europeu contemporâneo na medida em que conjuga de forma estruturante os instrumentos acústicos com os meios electrónicos. Composto por Ana Telles, piano e Miguel Azguime, electrónica irá tocar obras de João Pedro Oliveira in Tempore (2004), Carlos Caires Duetto 1 (2002) e Miguel Azguime De l’Étant Qui le Nie (1997/1998). (entrada livre)

 

   Também a 12 de Dezembro, às 21h, no Teatro Tivoli, o Russian Classical Ballet dança o Lago dos Cisnes de Tchaikovsky, na coreografia de Marius Petipa e Lev Ivanov, com cenografia de Evgeny Gurenko e figurinos de Irina Ivanova.

 

   Ainda a 12 de Dezembro, às 22h30 no Casino de Lisboa (na Arena Lounge) actuam os Nouvelle Vague, grupo francês de 2004 cultor de punk rock/New Wave com forte impacto mediático. 

 

 

   A 13 de Dezembro, às 22h no Teatro Tivoli, sobe ao palco a cantora portuguesa Mafalda Veiga para divulgar as canções do seu recente CD Zoom.

 

   Também a 13 de Dezembro, às 20h no Santiago Alquimista, exibe-se pela 1ª vez em Portugal (e mesmo na Península Ibérica) a banda metalcore de Buffalo (USA) Everytime I Die, cujos riffs do seu último álbum New Junk Aesthetic (2009) e não só, pretenderão contagiar a assistência.

 

 

   A 14 de Dezembro, em Concerto Antena 2 no Institut Français de Portugal, às 19h, o Duo Vienalis, constituído em 2005 por Luis Morais (violino) e Ana Cosme (piano), ambos formados pela  Universidade de Música e Arte dramática de Viena (Áustria) onde se encontram ainda no presente a leccionar, vai interpretar obras de Béla Bartók, Fernando Lopes-Graça, Miklós Rózsa, Luís de Freitas Branco e Claude Debussy.

 

O Duo Vienalis exibindo-se em Novembro de 2010 na Raiffeisensaal

da Escola de Música de Mariazell (Áustria) 

 

 

 

   De 14 a 18 de Dezembro, às 21h30 o Teatro Maria Matos apresenta Memorabilia, um espectáculo que começa por ser a representação de uma comédia burguesa do século XVIII e evolui no sentido de se tornar numa retrospectiva dos acontecimentos mais marcantes do ano de 2011.

   Sob a direcção de Jorge Andrade e um texto de Miguel Rocha, esta produção da Mala Voadora é interpretada por Anabela Almeida e Manuel Moreira, com uma banda sonora de Rui Lima e Sérgio Martins, com a voz de Ana Brandão, Carla Bolito, Crista Alfaiate, Mónica Garnel, Sara Belo, Sílvia Filipe e Tânia Alves.

 

   Ainda a 14 de Dezembro, às 22h30 no Lounge, actua Loosers, para alguns “a histórica banda de rock dissidente no panorama português”, agora composta apenas por Rui Dâmaso e Zé Miguel.

 

   Por fim, termina a 14 de Dezembro no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, o Ciclo de Cinema  do Outono Russo com a exibição às 19h do filme de Mikkail Shapiro Shostakovich: Katerina Izmailova (1966), uma adaptação cinematográfica da ópera Lady Macbeth of the Mtsensk District com a voz da soprano Galina Vishnevskaya na protagonista.

Ouça-se a voz poderosa de Galina Vichnevskaya no papel de Lady Macbeth

 

 

    Mais tarde, às 21h, é a vez da projecção do documentário Sophia, Biography of a Violin Concerto (2007) de Jan Schmidt-Garre onde a vida artística da compositora Sofia Gubaidulina é abordada no percurso desde a composição até à estreia do seu Concerto para Violino e Orquestra In Tempus Praesens, interpretado pela excelente violinista Anne-Sophie Mutter.

Anne-Sophie Mutter tocando um tema de Tempus Praesens de Gubaidulina

 

    A entrada é livre em ambas as projecções. 

 

 

   A 15 de Dezembro, às 21h, o Pavilhão Atlântico  dá aos fãs do compositor e cantor canadiano Bryan Adams, longo tempo residente em Portugal, agora romântico mas ex-rock pop nos anos 80 e 90, a oportunidade de o ouvir.

 

   Também a 15 de Dezembro, às 23h45, a MusicBox contrapôe com o grupo Osso Vaidoso de Ana Deus e Alexandre Soares, ex-Três TrisTigres, com “canções e guitarras que fogem ao lugar comum”.

 

 

 

 

   No São Luiz Teatro Municipal estreia esta semana no Jardim de Inverno, às 23h30 de 16 de Dezembro (prolongando-se até 22 de Dezembro), a peça A Vida de Maria, baseada no ciclo completo de poemas sobre a figura da Virgem Maria publicado em 1913 por Rainer Maria Rilke.

   Segundo o programa : “… pode dizer-se que A Vida de Maria é um retábulo cénico sobre a mansidão, a quietude, a imagem sem mácula, a aura de uma certa santidade a que todos nós podemos aceder se o cinismo, a sobranceria e outros sinais do já famoso mal-estar contemporâneo nos abandonarem momentaneamente …  Heinrich Voegeler lançou o repto a Rilke, que a partir das imagens do Manual de Pintura do monge pintor Dionísio do Monte Athos ou do Paterikon do Mosteiro da Caverna de Kiev ou ainda do Flos Sanctorum de Pedro Ribadaneira escreveu este ciclo de 13 poemas. Uns anos mais tarde Hindemith musicou-os…”
   A encenação é de Miguel Loureiro, a música de Paul Hindemith e Olivier Messiaen e a interpretação de Inês Nogueira, Flavia Gusmão, Sónia Alcobaça, Miguel Loureiro e Nuno Casanovas (ao piano Joana David). 

 

   A 16 de Dezembro, na Sé de Lisboa às 21h30, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a direcção musical de José Miguel Rodilla, maestro titular da Orquestra Sinfónica da Região de Murcia, e com a participação de Ana Pereira violino, vencedora do Prémio Jovens Violinistas 2011, terá como programa :

 

    Nuno Côrte-Real Abertura Secondo Novecento, Op. 25

    Ludwig van Beethoven – Concerto para Violino, Op. 61

    Franz Schubert – Sinfonia n.º 3, D. 200

 
   Também a 16 de Dezembro, no Ondajazz às 22h30, ocorrerá o regresso após quase vinte anos do saxofonista Nana Sousa Dias e do seu grupo de fusão/jazz, agora formado, além do líder, por Toni Pinto (guitarra), Alexandre Dinis (piano), Alexandre Manaia (teclados), Yuri Daniel (contrabaixo e baixo eléctrico) e Alexandre Frazão (bateria). Tocarão temas originais bem como alguns temas de grupos bem conhecidos de todos, como é o caso dos Weather Report, Michael Brecker, James Brown, etc.

 

   Mais tarde, às 23h de 16 de Dezembro, a galeria Zé dos Bois traz até nós o duo norte-americano electro pop High Places, formado em 2006 por Rob Barber (multi-instrumentalista) e Mary Pearson (vocalista), que virão apresentar o seu novo trabalho Original Colors, “um álbum de ritmos dinâmicos e  melodias hipnóticas que reflecte as suas viagens (Austrália, México, Oceano Índico).

 

 

  

   A mesma ZDB (galeria Zé dos Bois), às 23h de 17 de Dezembro, faz o guitarrista Norberto Lobo regressar ao Aquário onde trará os temas do celebrado Fala Mansa, seguramente o seu disco mais consistente, assim como estreará material a constar no seu próximo registo a solo, a editar no decorrer do próximo ano. 

 

Norberto Lobo num tema já de 2009 Brisa Biónica

 

 

   Nesse 17 de Dezembro, às 21h no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, a cantora e flautista portuguesa (nascida em França) Viviane divulga o seu terceiro trabalho As Pequenas Gavetas do Amor, doze temas do universo do fado, da musette e da chanson assentes nas poesias de Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Vasco Graça Moura, José Luis Peixoto, Ana Hatherly, Ana Luísa Amaral, entre outros.

    Acompanham-na Tó Viegas guitarra portuguesa, Marco Martins baixo acústico, Jorge Caeiro acordeão, Amílcar Cabral guitarra clássica e Sónia Cabrita bateria.

 

    Ainda a 17 de Dezembro, às 16h na Igreja de São Domingos, há um concerto do Coro e da Orquestra Sinfónica da Escola Superior de Música de Lisboa sob a direcção de Vasco Pearce de Azevedo onde tocarão um Gloria de Anton Bruckner e um Te Deum de Francis Poulenc.  (entrada livre)

 

   No Teatro São Luiz, na sua Sala Principal, às 21h de 17 e às 17h30 de 18 de Dezembro, o Grupo de Teatro Terapêutico do Hospital Júlio de Matos leva à cena Metastasipolis com texto, encenação e direcção de autores de João Silva que, na introdução ao programa, escreve “Que lugar outro senão o Teatro, para interrogar a conformidade do pensamento? Para confrontar loucura e normalidade? Para lembrar à cidade as curvas de que é feita?” .

 

   Lembra-se ainda, porque por lapso o não referimos, que termina neste 17 de Dezembro  a peça Macbeth que desde 7 de Dezembro, às 20h e 23h, Monica Calle apresenta na Casa Conveniente, ainda no ciclo  Heiner Müller e a partir da adaptação da tragédia de Shakespeare pelo dramaturgo alemão.

   No papel de Macbeth, e a colaborar pela primeira vez com a Casa Conveniente, está o actor José Raposo. O elenco conta ainda com as participações de Bruno Candé Marques, Mário Fernandes e René Vidal, Luís Afonso, e das actrizes da Casa Conveniente Ana Ribeiro, Mónica Calle, Mónica Garnel e Rute Cardoso.

 

 

   A 18 de Dezembro, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 16h, a Orquestra de Percussão do Conservatório Nacional dará um concerto cujo programa ainda não foi divulgado.  (entrada livre)

 

   Também a 18 de Dezembro, no TMN ao Vivo, às 21h, actuam os Yellow Card, banda pop punk/rock alternativo da Flórida constituida em 1995 que aqui vem apresentar do seu novo álbum, “When You’re Through Thinking, Say Yes“. Acompanhando-os vem a nova promessa inglesa Young Guns.

 

 

 

   Por último, no capítulo das Exposições com fim à vista lembramos que encerram a 31 de Dezembro do presente ano :

 

 

   a) MA – A Dança dos Pirilampos, mostra de Pedro Morais na galeria Chiado 8 da Caixa Geral de Depósitos. Sendo um artista pouco conhecido, Pedro Morais entende (ver programa) que “ o gesto criativo depende de uma resposta empática ao lugar que o acolhe, por outro, não abdica de salvaguardar essa mesma resposta face aos ritmos, às exigências e aos constrangimentos que pautam habitualmente os processos expositivos”.
   Não é de estranhar, portanto, que as noções de tempo e de acontecimento sejam transversais ao seu trabalho. O projecto que traz ao Chiado 8 assume os contornos de uma viagem. Estabelecendo o caminho como parte fundamental e significante deste encontro, o artista propõe como destino as experiências de um corpo instalado no espaço e dos múltiplos estímulos que dele emanam. Entre o que vê e o que ouve, entre o que sente e o que o interpela, poderá o visitante tomar parte na construção de um amplo gesto sinestésico, em cujo lastro talvez se revele, discreta e paradoxalmente, a mais clara expressão da invisibilidade.

 

 

   b) Relembramos também do último (e saudoso) Estrolábio o que escrevemos sobre outra interessante exposição que encerra a 31 de Dezembro.

 

   Dentro das Comemorações do Centenário da República “100 anos de República, 100 anos de Ciência”, o Instituto de Investigação Científica Tropical organizou uma exposição intitulada Viagens e Missões Científicas nos Trópicos – 1883-2010 no Jardim Botânico Tropical (a Belem), focando o património associado ao resultado de viagens e missões científicas, conhecido quando acessível e imaginado quando inacessível .

   Esta selecção das colecções históricas e científicas à guarda do IICT reflecte não só as agendas científicas marcadas pela Monarquia e pela República para os Trópicos, como ainda a investigação actual, pautada pelo cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) em países da CPLP.

   Estrutura-se em duas linhas discursivas: uma sobre viagens, expedições e missões científicas que tiveram lugar nos séculos XIX e XX e respectivos acervos, memórias e estudos; a outra sobre investigação interdisciplinar sobre desenvolvimento global.

 

 

   c) Veolia Água Fotógrafos da Natureza 2010”, organizada em conjunto pela empresa Veólia Água e o Museu Nacional de História Natural e Ciência (Universidade de Lisboa) traz a Portugal as melhores fotografias do concurso Veolia Environment Wildlife Photographer of the Year e também encerra a 31 de Dezembro deste ano.

   Resulta da mais importante competição fotográfica de vida selvagem em todo o mundo promovida pela BBC Wildlife Magazine e pelo Museu de História Natural de Londres. Todos os anos, milhares de fotografias de todo o mundo concorrem a ela, as melhores são seleccionadas por conceituados fotógrafos da natureza e peritos em vida selvagem de renome mundial, sendo as fotografias vencedoras editadas em livro e a sua exposição então levada para outras cidades do mundo, após a apresentação em Londres.

   Este ano, pela primeira vez, a exposição de referência para os amantes e profissionais de fotografia e vida selvagem passa por Portugal, dando oportunidade para apreciar os melhores trabalhos da edição de 2010, entre os quais o vencedor  –  prémio atribuído ao fotógrafo búlgaro Bence Máté com a fotografia “A marvel of ants” (A maravilha das formigas).

   Note-se que já na edição de 2011 o fotógrafo português de vida selvagem Nuno Sá foi destacado com um “alto louvor” pela obra Racing Blue na categoria “The Underwater World”, a fotografia dum tubarão azul captada ao largo da ilha do Faial.

 

                 

                                A Marvel of Ants de Bence Máté                                  Racing Blue de Nuno Sá

 

 

Caros leitores : Rareiam os espectáculos pelo que sugiro que aproveitem alguns daqueles que estas linhas vos sugerem … enquanto isso nos fôr possível.

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