(Continuação)
Out of Africa
Foi no rancho de Wildenstein que Sydney Pollack rodou o seu célebre filme. Este rancho de 30 000 hectares no Kenya, baptizado Ol Jogi, é desde 1985 propriedade dos dos Wildenstein, que aqui passavam as sua sférias de inverno. 200 kilometros de pistas, 55 lagos artificiais, um terreno de golfe, uma pista bde corrida para automóveis, 400 empregados eencarregados de manter os terrenos de caça nos quais Alec et Guy caçavam o leão : o domínio era tão desmedido como o nível de vida dos dos Wildenstein. Para servir a reserva, a família dispunha de um avião à sua disposição.
Os amigos de Wildenstein guardam uma comovida lembrança das suas estadias nestes dois lugares mágicos… Também nenhum sinal sobre o barco e o avião de Daniel Wildenstein (registado desde o início e pintado com o ferro da sua coudelaria…) nem, também, da galeria ou dos imóveis da família em New York.
“Não há nada de anormal”, argumenta o gabinete Darrois. Muitos activos estão alojados nos Trusts, e «os trusts, nesta família, há-os sempre por razões de confidencialidade e de melhor organização do património. “Eles nunca se esconderam da justiça ou do fisco.” Os quadros mas também a Galeria e os edifícios deles em Nova York pertencem a entidades localizadas em paraísos fiscais. ” A justiça tinha que saber de alguns destes trusts e terá considerado que eram entidades jurídicas que respeitavam a lei, sem nenhuma ligação com a sucessão”, dizem-nos no gabinete Darrois em referência a dois trusts: Sylvia e David Trust. Uma decisão do Tribunal de Apelação, confirmada pelo Tribunal de cassação, aprovou-os. Mas Sylvia Roth e Dumont-Beghi continuam o seu inquérito. Porque eles estão convencidos de que, para além de David e Sylvia Trust existem ainda outros. Na verdade encontraram o Rancho queniano no David Trust mas de Xanadu, o Ilhéu das Ilhas Virgens, nem vestígios. Portanto, deve haver pelo menos uma terceira entidade, um terceiro Trust. Cabe-lhes a eles prová-lo..
A morte de Alec, um dos dois filhos de Daniel, em Fevereiro de 2008, deixando duas crianças, mas também uma jovem viúva de um segundo casamento, vai talvez mudar os dados da situação. Desde a sua morte, novas peças vieram a público, que mostram a existência de dois trusts até aí desconhecidos: o Sons Trust de Guernesey e o Delta Trust registado nas Ilhas Cayman. Desta vez, pensa Dumont-Beghi, os seus adversários terão mais dificuldade em demonstrar que não têm nada a ver com esta herança.
Uma lista que faz sonhar a qualquer um
Ao que parece Alec e Guy são os beneficiários destes Trusts, portanto, que deveriam estar no inventário da herança. Além disso, um dos documentos mostra que Sylvia Wildenstein era beneficiária de Sons Trustees. Ela nunca tinha sido informada. Uma carta do Gestor do trust, Baring Trustees (grupo Nothern Trust), em que o administrador judicial nomeado para monitorar a herança tem uma cópia, mostra que Alec e Guy tudo fizeram para que Sylvia fosse “revogada”. Já não é preciso mais nada para permitir a Dumont-Beghi apresentar o pedido de revisão de toda a herança. Ela também apresentou queixa em nome da sua cliente, a 22 de Junho, contra Baring Trustees por abuso de confiança. E esperamos ter o apoio de Eric Woerth, Ministro do orçamento, em cruzada contra os paraísos fiscais.
Tanto pior se Sylvia Roth tem agora 76 anos de idade, e não haja outro herdeiro para além de sua irmã e esta debate-se contra um cancro. Ela está mais determinada do que nunca. É uma questão de princípio para ela. “Eu irei até ao fim,” afirma ela ainda com a voz um pouco rouca do seu sotaque americano. Compreende-se a sua força de vontade quando se sabe que Delta Trust foi muito generoso com Alec e Guy depois da morte de seu pai, Daniel, distribuindo-lhes dinheiro (mais de 30 milhões de euros entre 2002 e 2004), mas também uma miríade de quadros ou o seu contra-valor. A lista, de quase 200 quadros faz sonhar. Alec, terá assim recebido dois Bonnard, «Biche forcée, effet de neige» de Gustave Courbet. E Guy, um David, três Fragonard e o retrato da sua avó desenhado por Picasso.
Aconteça o que acontecer, custe o que custar, Sylvia Wildenstein faz deste processo uma questão de honra, de vida ou de morte: “Eu lutarei até o fim, mesmo quando já cá não estiver. Deixei já as minhas instruções”. Eu acho que qualquer mulher o faria no meu lugar, é uma questão de honra. Estou confiante, não pedi nada pela morte do meu marido. Peço apenas uma só coisa: os meus direitos legítimos, nada mais. Eu nunca vou deixar de continuar a lutar. É uma difícil luta, mas desde há nove anos que eu sofro e na minha idade, não se tem todo este tempo para sacrificar. Eu fui ao teatro numa destas noites ver Que idade é que tem? com Jean Piat e Françoise Dorin. Um dos personagens disse isto: “mesmo que se tenha tem um pé no túmulo, isto não é razão para deixar de andar com o outro pé.” Esta frase ficou-me na cabeça.
Guy e dois dos “seus” quadros de
O caso Wildenstein : uma nova queixa que pode atrapalhar o poder
Uma queixa contra X apresentada pela viúva do coleccionador poderia embaraçar os ministros François Baroin e Eric Woerth, que supostamente não ordenaram nenhuma investigação sobre este caso de alegada fraude.
Uma nova queixa foi apresentada na segunda-feira sobre o caso Wildenstein, revela o site Mediapart, terça-feira, 21 de Setembro. A advogada de Sylvia Wildenstein, Claude Dumont-Beghi, apresentou em seu nome uma queixa contra X, em especial por “tráfico de influência” e por “corrupção activa e passiva”. O caso da alegada fraude fiscal envolve alguém muito próximo de Nicolas Sarkozy, Guy Wildenstein. Esta queixa também poderá embaraçar o actual ministro do orçamento, François Baroin (UMP) assim como o seu antecessor Eric Woerth (UMP). Na verdade, os ministros não pediram nenhuma investigação fiscal apesar de terem sido alertados.
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