por Rui Oliveira
1. Na Sexta 27 de Janeiro, às 19h e no Sábado 28 de Janeiro, às 21h, a Fundação Calouste Gulbenkian prossegue a residência do compositor e maestro Thomas Adès, figura cimeira da actual música britânica, com o seu Retrato Adès III consubstanciado em concertos da Orquestra Gulbenkian dirigida por aquele maestro. Aí será tocada a Sinfonia Fantástica, op.14 de Hector Berlioz, mas sobretudo duas obras fundamentais da produção de Adès : Asyla, a composição que teve papel determinante na sua revelação ao público musical e Polaris : Voyage for Orchestra, uma co-encomenda da Fundação Gulbenkian e de outras instituições entre as quais a New World Symphony Orchestra que com ela inaugurou o Frank Gehry Hall, em Miami. Esta última inspira-se na “Estrela do Norte, guia da navegação pela qual os marinheiros se orientam, e a obra versa sobre isso: sobre o magnetismo na música”, diz o autor.
Antes, na Segunda 23 de Janeiro, será exibido no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, às 19h, com entrada livre, o filme de Jonathan Haswell com música original de Thomas Adès de nome The Tempest (2004), baseado na obra de William Shakespeare com o mesmo nome. Com libreto de Meredith Oakes e a participação da Orquestra e Coro da Royal Opera House, a ópera é inspirada, mais do que baseada literalmente na peça do dramaturgo. Diz Oakes “Há nela imagens chave da peça, assim como há novos materiais. Entre os muitos temas e possíveis interpretações, a ópera foca a dificuldade e a necessidade do perdão … As suas falas são curtas, rítmicas e rimadas ou semi-rimadas, fazendo eco das canções estróficas de Shakespeare mais do que dos seus versos brancos. Esta escolha reflecte os elementos mágicos, infantis e rituais da peça, e admite o poder incantatório tradicional da canção”.
2. O Centro Cultural de Belém traz ao seu Grande Auditório na Quarta 25 de Janeiro, às 21h, o “duo inspirador” de jazz que falhara a presença em Setembro passado : John Abercrombie na guitarra e Marc Copland ao piano.
John Abercrombie, influente guitarrista tanto no registo acústico, quanto no eléctrico, é um experimentalista nato que trabalha a partir da tradição do jazz , construindo pontes entre o jazz, a música improvisada e a música de câmara. Marc Copland, um dos mais originais e prolíficos pianistas de jazz da actualidade, é louvado por uma textura, um colorido e uma força lírica que o eleva ao panteão dos melhores a nível mundial − até custa a acreditar que o piano tenha sido segunda escolha (o saxofone foi a primeira paixão). A All About Jazz não hesita em aplicar-lhe rótulos como “gigante” ou “matéria lendária”.
Cruzaram-se, pela primeira vez, na década de setenta e desde então têm colaborado em numerosos projectos, que são sempre enriquecidos por uma interacção intuitiva.
3. No dia seguinte, Quinta 26 de Janeiro, também no CCB, no seu Pequeno Auditório, às 21h, apresenta-se Alexandre Tharaud (1968-), um pianista francês “de uma transparência e delicadeza ímpares, e um dos mais aplaudidos da actualidade, que se tem destacado através das inúmeras e soberbas gravações que tem vindo a efectuar para a Harmonia Mundi e a Virgin Classics de obras de, entre outros, Bach, Rameau, Couperin, Scarlatti, Satie, Debussy ou Chopin” (diz o programa), sendo Chopin (para ele) “o compositor que, mais que qualquer outro, marcou e acompanhou as etapas da minha vida”.
Neste concerto, irá interpretar de Claude Debussy Prelúdios, Livro 1, de Franz Liszt Funérailles e de Fryderyk Chopin Sonata para piano n.º 2, op. 35.
4. No Sábado 28 de Janeiro (e a perdurar até 3 de Fevereiro) inicia-se na Culturgest a edição de 2012 do Hootenanny a qual regressa aos blues, mas com uma incursão a um parente chegado : o boogie woogie. O espectáculo de abertura no Grande Auditório, às 21h30, estará a cargo da banda de Sugar Blue – muito elogiada pela crítica da especialidade – e composta por: Sugar Blue harmónica, voz, Rico McFarland guitarra, voz, Ilaria Lantieri contrabaixo, voz, Sonny Axell teclados, voz e Pooky Styx bateria.
Dois aspectos são habitualmente apontados para sublinhar a qualidade e originalidade deste músico natural de Harlem: em primeiro lugar, o estilo francamente inovador que introduziu na blues harp, a harmónica de blues, marcadamente diferente dos outros executantes, habitualmente mais influenciados pela tradição do Delta e dos blues rurais, enquanto Sugar Blue é um músico urbano e a energia e perceptível influência do seu jazz tem a incontornável marca de Chicago. O segundo ângulo é a notável versatilidade de James Whiting (1949 -), o seu verdadeiro nome, que lhe asseguraram durante anos uma promissora carreira de músico de estúdio procurado por bandas de todos os géneros, inclusive pelos Rolling Stones.
Messin’ with the Kid por Sugar Blue com Rico Mcfarland guitarra, Ilaria Lantieri contrabaixo, George Papageorge teclados e Pooky Styx bateria
(quase a mesma composição de Lisboa) no Blues ‘n Brews Festival em Westford, MA, EUA (Agosto 2010)
5. Na Sexta 27 de Janeiro e no Sábado 28 de Janeiro (ambos às 22h) há no Maria Matos Teatro Municipal um Fim de Semana Especial comemorativo do 30º aniversário da editora Touch com a presença de quatro dos seus artistas que correspondem a igual número de ideias inovadoras.
No Sábado 27/1, surge em 1º lugar Jana Winderen cujo estúdio de gravação tem o tamanho do mundo inteiro, abrigando a natureza na sua dimensão planetária. Os ecossistemas marinhos são os seus palcos, enquanto os seus intérpretes podem tanto ser uma criatura solista como um grupo de milhares de performers. Equipada com potentes microfones, Jana Winderen trouxe da Gronelândia, Noruega e Rússia um acervo reverberativo da milagrosa agitação sonora que ocupa as profundezas. Sons de crustáceos, cardumes em migração ou peixes em chamamento serão processados nesta noite numa banda sonora misteriosa e avassaladora que nos fará viajar pelas imagens que possuímos das profundezas submarinas do nosso planeta e que lhe valeu a vitória no Golden Nica for Digital Musics and Sound Art at Ars Electronica 2011.
Isolation/Measurement do álbum Energy Field (2010) de Jane Winderen
Segue-se-lhe Carl Michael von Hausswolff que é uma das personalidades mais marcantes da actividade experimental europeia das últimas décadas e, sem dúvida, um dos mais representados artistas do seu país, a Suécia. Desde o final dos anos 70 até aos dias de hoje, o esteta sueco tem percorrido com suprema elegância e inventividade um vasto campo sonoro, feito de recolha de campo, impulsos primários eléctricos e drones intensos, utilizando dispositivos nem sempre associados com a produção musical. Os seus concertos, onde osciladores e vários aparelhos de transmissão e comunicação são, normalmente, os instrumentos, provam que uma arquitectura minimal de ritmos e sons não nos impede de sentir o máximo dos resultados.
No Sábado 28/1 é a vez de Leslie Winer, autor em 1993 de Witch, o seu primeiro e único álbum, que permanece ainda “um portento”, uma sincrética união de dub pop politizada pela spoken word com um uso perfeito da arte do sampling (da estruturação rítmica ao adorno estético) e tem hoje ainda o mesmo sentido de futuro que há duas décadas atrás.
Vem, por fim, Bruce Gilbert & Mika Vainio, um duo raro, de dois músicos generosos, que dentro e fora dos projetos que lhes deram fama, acumulam obra de décadas, fazendo um currículo “de crescente coragem pelo risco e pelo desconhecido”. Se Bruce Gilbert exibe discografia impressionante desde os anos 70 com os Wire, Mika Vainio, um ex-Pan Sonic, é peão fundamental para parte da electrónica contemporânea e não seria estranho juntarem-se agora para um duelo, justamente quando desenvolvem uma linguagem sonora tão próxima e visionária.
Runnig up that Hill por Mika Vainio 2010
Cordas sobresselentes
Mencionaremos aqui, a partir de hoje, apenas uma selecção de outros eventos de previsivel qualidade espectacular ou de alguma originalidade anunciada.
A 23 de Janeiro, às 19h, o ciclo Cinema do Mundo traz ao Auditório do Institut Français de Portugal um filme belga não exibido entre nós “Bye Bye” (1995) do cineasta tunisino Karim Dridi com Sami Bouajila, Nozha Khouadra, Ouassini Embarek, Philippe Ambrosini e Frédéric Andrau.
Bye Bye é um filme de andanças por uma cidade mestiça, Marselha, que simultaneamente atrai e rejeita alguns dos seus habitantes. A sua incursão pelos medos e anseios juvenis fê-lo ganhar o Prémio do júri jovem do Festival de Cannes. (entrada livre)
A 24 de Janeiro, às 21h, Rodrigo Leão volta ao Grande Auditório do CCB cantar o seu último disco A Montanha Mágica.
Também a 24 de Janeiro, às 22h30, volta a Portugal Eugénia de Melo e Castro para divulgar com o conjunto A Roda de Choro de Lisboa o seu novo disco Um Gosto de Sol na Casa de Lafões (à rua da Madalena, 199).
Já a 25 de Janeiro, no Foyer do Teatro Nacional de São Carlos, às 18h, o Ciclo Viagens Na Minha Terra II permite ouvir obras de Gabriel Fauré cantadas pela Coro do T.N.São Carlos dirigido por Giovanni Andreoli com Kodo Yamagishi ao piano. (entrada livre)
Também a 25 de Janeiro, às 21h30 na Sala 2 do Cinema São Jorge, o compositor e cantor brasileiro Francis Hime e a cantora sua mulher Olívia Hime apresentarão o seu recente projecto Almamúsica, bem como temas de compositores como Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Chico Buarque, Lenine e Dudu Falcão, Baden Powell, Ary Barroso, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Geraldo Carneiro e Dorival Caymmi, entre outros.
A 26 de Janeiro, às 21h no seu Jardim de Inverno, o São Luiz Teatro Municipal volta a assinalar o “Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto” realizando A Noite da Memória onde se “interrogam obras (des)conhecidas do passado, com o objectivo de compreender o presente” . Do repertório, cantado por Ana Maria Pinto com Nuno Vieira de Almeida ao Piano, constam obras de Korngold, Mahler, Mendelssohn e ainda um conjunto de obras inéditas de cariz popular tratadas por Fernando Lopes Graça.
De 26 de Janeiro a 3 de Fevereiro decorre o KINO 2012, a nona edição consecutiva do cinema de expressão alemã onde o Cinema São Jorge e o Auditório do Goethe-Institut recebem 18 filmes (a maioria de 2011) que já passaram pelos melhores festivais do mundo e que agora chegam finalmente a Portugal. O “Ciclo Áustria” é um dos destaques deste ano, contando com cinco filmes na mostra principal. Todas as sessões da noite começam com a exibição de uma curta-metragem da grande novidade deste ano: a selecção “Next Generation Short Tiger 2011”. (ver programa detalhado em www.goethe.de/portugal/kino )
Ainda a 26 de Janeiro, às 22h na Galeria Zé dos Bois, actuam Marco Franco bacteria transformada e Manuel Lobo Mesquita teclados que formam o Rec brutus, seguindo-se-lhes os Pão, grupo de Tiago de Sousa com Hernâni Faustino contrabaixo e Filipe Felizardo guitarra eléctrica.
E ainda a 26 de Janeiro, agora no Ondajazz às 22h30, estreiam-se em Portugal Os Calégadjé que se assumem como um projecto de Flamenco contemporâneo baseando-se na tradição como alicerce de criação mas unindo a sua energia vibrante à simplicidade da pop e à riqueza rítmica da música latina. Compôe-nos na guitarra flamenca Paulo Croft e Alex Sá, no canto Diego “El Gavi”, no baixo Eléctrico Samuel Sim Sim, no piano Pedro Pereira e nas percussões Hélder Silva.
A 26 de Janeiro, às 18h30, abordar-se-á na Sala 6.1.36 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa o tema “Dos Foguetões à Arte : A perspectiva de Rauschenbach” por Gueorgui Smirnov, licenciado pelo Instituto de Física e Tecnologia de Moscovo, actualmente a leccionar na Univ. do Minho. A palestra sobre “como a resolução de um problema prático de acoplagem de naves espaciais se transformou numa teoria de perspectiva de extraordinária beleza” cabe dentro do ciclo “Matemática Sem Limites” destinada ao público em geral. (entrada livre)
Inaugura-se a 26 de Janeiro (até 4 de Maio) a exposição de fotografia “Políptico” na sede do BES arte & finança em colaboração com o Institut Français de Portugal que, no âmbito da 2ª edição de “Interferências”, parte de um motivo: a evocação dos Painéis de São Vicente de Fora, aqui reinterpretados em “versão” fotográfica e reportados à sociedade portuguesa de hoje. O conjunto que se projecta trabalha algumas das ideias (umas confirmadas, outras desconfirmadas, outras ainda por confirmar) que a História teceu sobre a obra-prima da Pintura portuguesa do século XV: o problema da autoria individual ou colectiva da obra; a questão da sua unidade ou não enquanto políptico; a obsessão pelo seu simbolismo iconográfico excessivo ou pela decifração de uma “charada” visual propositada; a leitura da figura central como ora sacra (do Santo Padroeiro de Lisboa), ora laica (representando a Nação); ou o problema, mais prosaico, da identificação dos representados à época, desde os mais altos dignitários da nação até às classes mais humildes.
Às propostas de José Luís Neto, José Maçãs de Carvalho e Pedro Cabral Santo junta-se o olhar de fora de Carmela García, Cristina Lucas e Pierre Gonnord.
A 27 de Janeiro, na sede da Orquestra Metropolitana, às 19h, a Orquestra Académica Metropolitana, dirigida por alunos do curso de Direcção de Orquestra, tocará um programa de onde constam : Charles Gounod Pequena sinfonia, Johann Strauss II Valsa Imperador, Op. 437 (arr. Arnold Schönberg), Luigi Dallapiccola Piccola musica notturna, Igor Stravinsky Suite n.º 1 e Suite n.º 2, para pequena orquestra.
Também a 27 de Janeiro, às 23h na galeria Zé dos Bois (ZDB), actuam dois guitarristas, um, o americano Gary Lucas, nomeado para um Grammy e colaborador nos discos de Captain Beefheart ou de Jeff Buckley ; o outro, o português Luís Lopes, mais do universo do jazz.
Ainda a 27 de Janeiro, às 0h00 na MusicBox, o cantor açoreano Zeca Medeiros volta a abordar o seu disco mais recente “Fados, Fantasmas e Folias”.
A 28 de Janeiro, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, Orquestra Sinfónica Metropolitana dirigida por Antoni Ros Marbà com Cédric Tiberghien ao piano (Premier Grand Prix no Concours Long-Thibaud de 1998), interpreta três obras referenciais do impressionismo musical, corrente estética que há cerca de um século trocou “o despojamento expressivo e a imponência formal por ambiências sonoras subtis, profundamente sugestivas”, a saber : de Claude Debussy Prélude à l’après-midi d’un faune, de Manuel de Falla Noches en los jardines de España e ainda de Claude Debussy La Mer.
Também a 28 de Janeiro, às 18h no Salão Nobre do Teatro Nacional de São Carlos, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a direcção musical de Etienne Abelin , também violinista e com a participação de Domenico Coliri em guitarra eléctrica, cumprirá um programa de que constam : de Joseph Haydn Sinfonia n.º 8, em Sol Maior «Le soir», de Wolfgang Amadeus Mozart Eine kleine Nachtmusik, K. 525, de Antonio Vivaldi Concerto para dois violinos, em Lá menor, op. 3, n.º 8, RV 522 (arranjos de Domenico Caliri para violino eléctrico, guitarra eléctrica, cordas e cravo) e de João de Sousa Carvalho Te Deum (Abertura).
Ainda a 28 de Janeiro, na Sala Principal do São Luiz Teatro Municipal, às 21h, decorre o programa José Luís Gordo – O Fado e as Palavras onde se homenageiam as quatro décadas de produção deste poeta-referência do fado, autor, entre outros grandes êxitos, de Até Que a Voz Me Doa” cantado por Maria da Fé, sua companheira e primeira destinatária de boa parte do seu trabalho. Conta com a presença de Maria da Fé, Ada de Castro, Duarte, Vanessa Alves, Liliana Silva, Miguel Ramos, Gisela João e Rita Gordo, sua filha e terá como acompanhantes
Paulo Parreira guitarra, Rogério Ferreira viola e Francisco Gaspar viola baixo.
Às 23h30 Rita Gordo apresenta no Jardim de Inverno o seu novo trabalho Eu sou assim com o mesmo acompanhamento e ainda Miguel Monteiro saxofone e André Pinto percussão.
No Ondajazz, às 22h30 desse Sábado 28 de Janeiro, o espectáculo “Música e Sensibilidade” reune o Trio Luiz Avellar de Luiz Avellar piano, Bernardo Moreira contrabaixo e Alexandre Frazão bateria com a voz dinâmica e de grande sensibilidade musical de Paula Oliveira. Neste concerto o pianista e compositor brasileiro amplamente reconhecido nos palcos internacionais, apresenta em Trio as suas composições gravadas anteriormente em piano-solo no disco“Contrastes”, já editado em Portugal.
A 29 de Janeiro, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 16h, há um Recital de Canto e Piano onde Liliana Bizineche, meio-soprano e José Coronado, tenor e pianista interpretarão música americana, cujo programa ainda não é conhecido. (entrada livre)
Também nesse Domingo 29 de Janeiro, às 16h na Sala Principal e no Jardim de Inverno, o São Luiz Teatro Municipal volta a ser palco do Festival da Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) havendo a apresentação de diferentes programas interpretados pelas seguintes formações: Orquestra Sinfónica da ESML (direcção de Vasco Pearce de Azevedo), Orquestra de Sopros da ESML (direcção de Alberto Roque), Orquestra de Jazz da ESML (direcção de Lars Arens), Instalações Sonoras (coordenação de Carlos Fernandes), Coro de Câmara e Coro Jazz (direcção de Paulo Lourenço), Coro Geral (direcção de Leandro Silva, Luís Cardoso e Pedro Daniel) e ainda Classe de Canto e Música de Câmara.
A encerrar lembramos que termina a 29 de Janeiro na Galeria Sul do Museu do Oriente a exposição Tinta-da-China : Uma exposição de pintura chinesa contemporânea organizada em colaboração com a China Artists Assotiation que seleccionou uma centena de obras desta arte sobre papel de arroz da autoria de mais de 80 artistas de toda a China, as quais ilustram paisagens, fauna e flora produzidas, ora de forma realista, ora abstracta, com recurso à cor, a efeitos de luz e sombra, ao claro-escuro, ao seco e ao molhado.
Também no Museu Colecção Berardo se aproxima a data de encerramento (Quarta 8 de Fevereiro) da exposição “A Arte da Guerra – Propaganda da II Guerra Mundial” (feita em co-produção com o Museu do Caramulo), que se debruça sobre o tema fascinante da propaganda em tempo de guerra – “fascinante pelo seu impacto, pelas diferentes formas como foi implementado nas várias nações, pela quantidade sem precedentes em que foi produzida, mas acima de tudo pela forma de arte que ela assumiu, cumprindo com o objectivo de uma qualquer outra obra de arte: provocar emoções nas pessoas e mudar o mundo” (como diz o seu folheto de apresentação).
Já no Museu da Electricidade inaugurou-se recentemente (permanecendo até 8 de Abril) a ILUSTRARTE 2012, a Bienal Internacional de Ilustração para a Infância, que mobiliza ilustradores consagrados e novos criadores do mundo da literatura infantil ilustrada.
A esta V edição concorreram 1585 ilustradores oriundos de 69 países, cujos trabalhos foram avaliados por um júri internacional presidido por Martin Jarrie (ilustrador e pintor francês, Prémio BIB 1997), onde se incluia o escritor português João Paulo Cotrim. O júri deliberou atribuir o Prémio ILUSTRARTE 2012 ao ilustrador italiano Valério Vidali e atribuiu duas menções especiais aos trabalhos do ilustrador italiano Simone Rea e da dupla de ilustradoras suíças Nina Wehrle e Evelyne Laube. As imagens vencedoras ilustram o conto “Um dia, um guarda-chuva”, texto de Davide Cali, editado em 2011 pela editora portuguesa Planeta Tangerina.
A par da exposição das 150 ilustrações dos autores selecionados, a Ilustrarte integra ainda uma importante retrospectiva da obra do ilustrador francês Martin Jarrie e uma mostra de livros do escritor português António Torrado.
Duas imagens de Martin Jarrie enquandrado a ilustração vencedora de Valério Vidali para “Um dia, um guarda-chuva”
E por último, lembrar que está em exibição o primeiro filme do realizador francês Bertrand Bonello (n. 1968) estreado em Portugal Apollonide – Memórias de um bordel (L’Apollonide), um “melodrama incandescente que não chora como os outros”, como diz um crítico (F.F. in Actual), fascinante pelo seu olhar de uma riqueza descritiva sem julgamento das intervenientes, as prostitutas dum lupanar de luxo, mas que têm de juntar moedas para cada uma comprar o “seu” perfume. “Meninas” que logo no início do filme confessam que “(estão) cansadas, podiam dormir mil anos”, fechadas num espaço onde só o tempo permite uma forma de fuga, são interpretadas por excelentes actrizes de entre as quais se destacam Alice Barnole (Madeleine), Hafsia Herzi (Samira), Céline Sallette (Clotilde) e Jasmine Trinca (Julie). A ver !
Caros leitores, é uma semana pouco recheada, mas não menos rica nos acontecimentos que acima seleccionámos. Simplificam-se as escolhas …














