Na lista há dois livros sobre Fidel e Cuba – Fidel Castro e Che Guevara, mesmo depois da crise dos mísseis, eram figuras de grande prestígio entre os oposicionistas portugueses. Escutar as gravações com as declarações de Havana, bobinas grandes que demoravam horas a rodar, era algo que acontecia em muitas reuniões de antifascistas de Norte a Sul de Portugal. As palavras eram bebidas com uma atenção aguda e quando, enrouquecido, gritava Patria o muerte, venceremos! ou Hasta la victoria, siempre! – havia lágrimas em muitos olhos. É impossível, quatro décadas depois, explicar essa emoção e este vídeo só dá uma ideia do que era a quem tenha vivido esses anos 60.
Com livros importantes, como sempre, na lista de hoje, não resistimos a registar a pertinácia de José Vilhena que tem vindo a acompanhar a ordem alfabética, polvilhando o abecedário com os títulos de numerosos livros proibidos. Férias de Verão, O Filho da Mãe e O Filho da Mãe Volta a Atacar. O Filho da Mãe era a personagem central da trilogia que Vilhena começou a publicar em 1971 e que culminou a com A Vingança do Filho da Mãe. É a história de um oportunista que vai de porteiro a comendador sempre usando expedientes, influências, subornos, chantagens, fraudes… Se não atacava explicitamente ninguém, por que razão a polícia política apreendeu os três livros? Será que Justino Freitas (o filho da mãe) fazia lembrar alguns comendadores, deputados, ministros, administradores, do Estado Novo?

