LIVROS PROIBIDOS NOS ÚLTIMOS TEMPOS DA DITADURA- 32 – por José Brandão

 

A guerrilha editorial que os editores antifascistas moviam à ditadura, não era conduzida segundo uma táctica kamikaze – ou seja, tinha alguma logística por detrás da edição propriamente dita. Por exemplo, sempre que possível, obtinha-se uma factura referindo a composição, impressão e acabamento de, vamos supor, 500 exemplares. Na realidade, a edição era de 1000, 2000 ou mesmo 3000 exemplares. Depois de proibida a circulação da obra, os exemplares clandestinos eram vendidos «por baixo do balcão» por uma rede de livreiros espalhada por todo o País. A “Nova Realidade”, de que eram sócios dois colaboradores deste blogue, tinha um sistema diferente. Sistema cuja base era um excelente ficheiro de clientes com mais de mil nomes – antes de um dado livro ser distribuído pelas livrarias, ele era enviado pelo correio para esse ficheiro. Essa operação pagava amplamente a edição. Foi assim que Hiroxima, testemunho de poetas portugueses sobre a destruição da cidade japonesa, apesar de proibida, deu um lucro substancial, logo investido noutras edições. Apesar do grande êxito da colecção, os sócios nunca receberam qualquer pagamento – tudo foi sempre investido em novas edições. Não era o lucro o que os fazia correr…

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