Poema do vento alado – Maria Inês Aguiar

 

 

Maria Inês Aguiar  Poema do vento alado

 

 

 

 

 

(Adão Cruz)

 

 

 

Construí cidades de seda muralhadas de marfim
levantei pontes de afectos calcetadas de jasmim
desenhei rios, colori lagos com as cores das emoções
da esperança fiz palácio da felicidade mirante
do silêncio fiz palavra da tristeza um só instante

chamei ternuras salgadas o desassossego paixões
da igualdade fiz mesa da revolta fiz canções 
sequei o soluço do pranto calei o som do quebranto
da mortalha fiz navalha da liberdade fiz manto

soltei águias sem asas subi serras e montanhas
dormi no leito do ódio que me revolvia as entranhas
da justiça fiz prisão seara de cravo inventado
do pensamento fiz âncora poema de vento alado 

construí cidades de seda muralhadas de marfim
pintei-as de ilusão cor de rosa e carmim!

 

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