Braço de ferro para manter a marca
Este plano B, sobre o qual assentamas esperanças dos assalariadosestá escrito num documento preparado pela empresa de contabilidade Progexa. De acordo com esse gabinete, haveria lugar para manter a fábrica. Na condição que Unilever ceda o Parque de máquinas, os edifícios e a marca Elefante por um euro simbólico. Pelo lado damultinacional, estagarante que essas “ máquinas estão (…) à disposição deprojectos de revitalização economicamente viáveis. A ideia de cedera marca é no entanto completamente afastada pelo grupo. « O Elefante é uma marca que nasceu em 1892 em Marselha, insistem os empregados, queremos mantê-la, queremos que se torneuma marca provençal e popular, sinónimo de marca de qualidade. »
Para fazer pendera balança a seu favor, eles lançaram um apelopara um boicote dos produtos de marca Lipton. Depois deDezembro de 2010, eles multiplicam as operações em hipermercados, distribuindo panfletos, assinando petições, colando cartazes, esvaziando as prateleirasde todas as caixas de chá e de infusõesLipton. O braço de ferro em torno da marca Elefante está no bom caminho.
Um projecto alternativo, ecológico e equitativo
E o que propõem os assalariados éque seencontrenas proximidades pelo menos parte das redes de distribuição e dos canais de distribuição. “Gostaríamos de privilegiaros produtores locais de plantas aromáticas, como as tílias de Carpentras, em vez de ir procurar as plantas naRoménia para infusão”, descreve Gérard. Iniciar novas formas de cooperação “equitativa” com os países do Sul faz também parte das ideias avançadas. Como o desejo de reconstruir um circuito para a compra de chás passando pelo porto de Marselha, em vez de virem da Alemanha. ” Tudo o que for produzido deve poder beneficiar a economia local, resume Michel,” e é neste sentido que se faladepartilha de riqueza.” Não queremos mais que as multinacionais se encham!»
Johnny está confiante no projecto alternativo. Numaatmosfera perfumada pelos cheiros decitrinos, este conduz-nos até à secção dearomatização. “Quando cheguei aqui em 1998, fazíamos a aromatização a vaporcom produtos naturais.” Um processo exclusivo que Unilever desmantelou depois de 2001. ” Passámos a fazer a aromatizaçãocom cápsulas químicas eissoqualquer um opode fazer,” disse ele. Ao seu lado, Laurence, que faziao controle de qualidade, confirma: ” o gosto mudou completamente, e isso não tem a ver com nenhum de nós..” Os consumidores são agora obrigados a colocar duas saquetas em vez de uma só. Antes, recebíamos na verdade ramos de tília, folhas de menta e flor de laranjeira, que eracortada no local. “” Queremos revalorizaros conhecimentos, o saber-fazer,diversificar as receitas da época “diz Johnny. As pessoas sobre as linhas de [Produção] têm todas as competências para retomar a actividade com produtos totalmente naturais. ” E vontade não falta.
Associar os funcionários, os investidores e as comunidades locais
“Este segundo encerramento,é já demasiados encerraamentos!” dissePierrette. Ela fazparte dos 150 funcionários que, em 1998, viram fechar a sua fábricade chá do Havre. “Unilever disse que o futuro era neste site, que ele se iria tornar o site europeu do chá e dos chás de ervas aromáticas.” Como Pierrette, eles são cerca de 50 funcionários a terem deixado o Havre para virem trabalhar na fábrica em Gémenos. “É difícil moralmente, uma deslocalização, deixámos as nossas famílias a cerca de 1.000 km e não temos necessariamente os meios para os ver muitas vezes.”. Este novo anúncio do encerramento não passa. “Não está escrito na contrato Unilever que nos exijam a mudança, que tenhamos de ter uma charrete”, ironizaum dos empregados. “Temos verdadeiramentea impressão de sermos peões que os patrões movem a seu belo prazerretomou Pierrette. Mas desta vez, eles vãolutar com unhas e dentes para salvarem a sua fábrica. Não se tem nada a perder. Já ganhámos a dignidade de nos batermos. »
Posteriormente, eles imaginam-sefacilmente sem o patrão actual. Mas eles recusam confinarem-sedentro de um quadro jurídico restrito. “Há mais defensores de uma estrutura mista, de uma estrutura comum que poderia associar os empregados, os potenciais investidores e as comunidades locais que o desejarem, explica Olivier.” Tudo o que se conseguir arrancar à Unilever será o capital do colectivo dos empregados. Queremos ter peso nas escolhas estratégicas da empresa, tero direito de veto, que hoje não é o caso. “O apoio do Conselho Regional para financiar o estudo doprojecto alternativo fez reviver todas as esperanças. 101 funcionáriosentregaramno início de Setembro uma carta de compromisso com a Unilever, afirmando o seu empenho em apoiar o projecto alternativo. A batalha começa realmente agora. “Criação de valor” para o accionista terá ela razão da criatividade dos assalariados?
Fralib : des salariés créatifs en lutte contre une multinationale cupide Sophie Chapelle (22 Setembro de 2011)
