A escolha em 2012: o darwinismo social ou uma sociedade decente – por Robert Reich

(Traduzido e enviado por Júlio Marques Mota)

 

As consequências das primárias republicanas de hoje não são ainda conhecidas na totalidade, mas o presidente Obama não ficou à espera do resultado final. Iniciou a sua campanha de 2012 contra Mitt Romney com um discurso contundente centrado no plano para o Orçamento apresentado pelos Republicanos e que Romney tinha entusiasticamente assumido. Esse plano, aliás, é a proposta mais radical da versão Robin Hood virada ao contrário alguma vez proposta por qualquer partido político na América moderna. Pouparia aos milionários, pelo menos, 150.000 dólares por ano em impostos, a cada um, enquanto esvaziaria os programas Medicaid, Medicare, Senhas para alimentação, apoios aos transportes, à alimentação infantil, bolsas de estudo, e quase tudo de que os americanos de rendimentos médios ou baixos possam depender.

 

O que o presidente tinha para dizer era isto:

 

Disfarçado como sendo uma redução do défice…o que realmente está em jogo é uma tentativa de impor uma visão radical para o nosso país. De modo velado, o que está em jogo é um darwinismo social.

 

Estaremos sujeitos a ouvir muito mais sobre o darwinismo social nos próximos meses. Este foi o credo conservador ao longo do século XIX–legitimando uma política em que os lacaios dos barões ladrões depositavam sacos de dinheiro sobre as secretárias dos legisladores, e justificando-se assim uma economia em que “as fábricas do suor”eram comuns, em que as favelas urbanas eram degradantes e em que uma parcela significativa de América estava empobrecida.

 

A ideia de Darwinismo social envolvia a ideia da sobrevivência do mais apto (uma frase de Charles Darwin que actualmente nunca é na realidade utilizada) quando aplicada às sociedades como um todo. O seu principal defensor na América foi professor William Graham Sumner da Universidade de Yale.

 

Aqui está o que Sumner tinha a dizer na sua obra clássica sobre o social darwinismo ““What Social Classes Owe to Each Other” (1883):

 

Entenda-se que não podemos sair desta alternativa: ou Liberdade, desigualdade, a sobrevivência do mais apto ou então,a não-liberdade, a igualdade, a sobrevivência dos mais incapazes. A primeira alternativa faz avançar a sociedade e favorece todos os seus melhores membros, a segunda alternativa leva a sociedade ao declínio e favorece todos os seus membros menos capazes.

 

Poderia haver um melhor resumo daquilo em que os actuais republicanos retrógrados acreditam?

 

Robert Reich, The Choice in 2012: Social Darwinism or a Decent Society, 3 Abril de 2012.

1 Comment

  1. Às vezes leva muito tempo a ser reconhecida a nossa razão sobre determinado assunto, mas é um consolo quando por fim acontece. Chegou aqui a não ser bem aceite o meu desacordo manifestado, por mais de uma vez, relativamente às referências feitas ao darwinismo social por mais de um dos autores deste blogue sem a necessária perspectiva crítica à teoria de Herbert Spencer – foi ele quem a cunhou – que nada tem a ver com a teoria da evolução orgânica formulada pelo seu primo Charles Darwin. Puro oportunismo que vigorou durante muito tempo no silêncio e que, lamentavelmente, muitos intelectuais de esquerda deixaram passar impunemente. Foi preciso o mundo chegar à banca rota para, até o presidente dos EUA, se vir insurgir contra essa tão famosa teoria que afirma só chegar a rico quem tem aptidão para isso.Como não havíamos de chegar ao que chegámos se até os especialistas das áreas social e económica deixaram espalhar o cancro sem se aperceberem da sua evolução?Felizmente, como diz o povo “a verdade é como o azeite, vem sempre ao decima”.

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