COMPOSITORES FAMOSOS – Wagner – por Luís Rocha

 

Richard Wagner quis atingir com as suas óperas a “obra de arte total” unificando os elementos literários e musicais. Nasceu em Leipzig no dia 22 de Maio de 1813.

Com 2 anos de idade a família mudou-se para Dresden. De início sentiu-se atraído pelo mundo do teatro e a sua vocação musical só se revelou quando tinha 15 anos, após a audição das sinfonias e da abertura de Egmont, de Beethoven.

 

 

Foi um homem bastante controverso ao ponto de um dos seus maiores amigos e devotos, o filósofo Friedrich Nietzsche, o ter considerado o novo Sócrates corruptor da juventude alemã, principalmente das mulheres e a quem denunciou como alquimista-enganador que havia criado uma arte de e para a decadência, dirigida aos instintos e aos nervos das massas pseudo-ocultas.

 

 Nietzsche o autor de “Assim falou Zarastruta”, marcou assim o inicio de um “caso” que passou pela queda do Império Alemão, por duas guerras mundiais, pelos genocídios e terrores de quase 100 anos de crise cultural e que ainda hoje continua em aberto.

Para alguns, como Gerhard Hauptmann ou, meio século mais tarde, Deyck Cooke, a resposta é clara: Wagner foi o artista total e a sua tetralogia “O Anel do Nibelungo”, constituída por “O Ouro do Reno”, “A Valquíria”, “Siegfried” e o “Crepúsculo dos Deuses” é a obra de arte mais notável de toda a nossa cultura.

 

O século XIX não foi só o século de Karl Marx; foi também o de Richard Wagner. A língua alemã teve estilistas muito mais importantes do que Wagner. O pensador e o filósofo alimenta-se de Hengel, Fenerbach e Schopenhauer, mas Wagner é todas estas coisas: músico, dramaturgo, linguista, filósofo e político. Thomas Mann viu nele “o diletante genial” “o diletante necessário” no momento histórico da passagem do humanismo para a especialização.

 

A admiração e amizade que Wagner sentiu pelo anarquista russo Bakunine, influíram na decisão do compositor participar de forma activa nas revoltas que assolaram Dresden desde 1849. Gorada a revolução Wagner, para não ser preso, seguiu o caminho do exílio de 11 anos da Alemanha. Chegou a Zurique em 31 de Maio de 1849, onde a sociedade burguesa e republicana o acolheu muito bem.

Apercebendo-se de que não existia um teatro musical alemão, com linguagem própria e diferente do italiano, o seu objectivo principal foi criar a ópera alemã e disso são exemplo as suas obras imortais:

“Rienzi” – Acção: Roma, meados do sec XIV; “O Navio Fantasma” – Acção: Costa da Noruega sec XVII; “Tannhäuser” – Acção: Turíngia. Wartburg. Princípios sec. XIII; “Lohengrin” – Acção: Antuérpia, primeira metade do séc. X; “Tristão e Isolda” – Acção: Travessia da Irlanda para a Cornualha. Castelos de Marke e Tristão. Sec. VI; “Os Mestres Cantores de Nuremberg” – Acção: Nuremberg em meados do sec. XVI; A tetralogia “O Anel do Nibelungo” constituída pelas seguintes partes: um prólogo “O Ouro do Reno”, “A Valquíria”, “Siegfried” e “O Crepúsculo dos Deuses” – Acção: o fundo do Reno. Bosques e montanhas germânicos. Tempos míticos; “Parsifal” – Acção Domínios e fortaleza de Gral, Montsalvat. Castelos encantado de KIngsor. Alta idade média.

 

A leitura e o estudo da obra “ O Mundo com Vontade e Representação” do filósofo Schopenhauer, teve uma grande influência na sua obra “Tristão e Isolda” em 1859.

 

No natal de 1870 Wagner, inspirado no nascimento do seu filho Siegfried, fruto da sua relação amorosa com Cosima, filha de Franz Liszt, com quem mais tarde viria a casar, compôs “Idílio de Siegfried” de onde se destaca o brilhante scherzo.

 

Também compôs uma marcha nupcial

 

Tal como Goethe e muitos alemães, Wagner foi um apaixonado pela Grécia e pela Itália e Veneza foi o seu último destino, das inúmeras viagens que fez por toda a Europa. Aí alugou o primeiro andar do Palácio Vendramin, junto ao Grande Canal, onde morreu em 13 de Fevereiro de 1883 com 69 anos de idade. O corpo foi transladado para Bayreuth, onde a cidade em peso esperava o cortejo fúnebre.

 

Imagem do teatro de Bayreuth, onde se realizam festivais anuais da música de Wagner

 

Base da informação: colecção “Enciclopédia Salvat dos Grandes Compositores” – Ángel Fernando Mayo

1 Comment

  1. Olá Luis! Gostava de acrescentar a ainformação relativa a uma obra do Wagner:A Obra de Arte do Futuro, de 2003, AntígonaTem sido ignorada e pouco lida. Não a li ainda mas dizem-me que é muito interessante.

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