Ontem François Hollande venceu as eleições para Presidente da República em França. Na Grécia, os partidos considerados como do “arco do governo” (para usar uma expressão muito querida de vários comentadores portugueses, quando procuram instilar nos seus leitores, nos seus ouvintes, a ideia de que devem votar CDS/PS/PSD) sofreram grandes quebras nas votações, havendo um grande reforço à esquerda, e aparecendo a extrema direita pela primeira vez no parlamento. Noutros países também houve eleições.
Na Alemanha, nas eleições regionais em Schleswig-Holstein, a coligação da CDU de Angela Merkel com os liberais está com problemas. Os conservadores baixam ligeiramente, mas os liberais sofreram uma queda considerável. No Reino Unido, há dias, houve eleições locais, os conservadores e o s liberais sofreram uma quebra, e os trabalhistas tiveram uma subida considerável, só falhando em recuperar Londres. Ontem e hoje decorreram eleições locais em Itália. Na Sérvia houve presidenciais, legislativas e locais.
Todo este movimento eleitoral se reveste, evidentemente, de muito interesse. Por todo o lado, de diversos modos, detecta-se que as pessoas têm um enorme desejo de mudança. O problema está em se o vão conseguir. Por um lado, algumas destas eleições vão ser seguidas de outras que poderão pôr em causa os resultados e as expectativas agora alcançadas. É o caso de França, onde proximamente haverá eleições legislativas, e não é líquido que o Partido Socialista de François Hollande as vença. Por outro lado, é necessário que os resultados de uma eleição permitam arranjos, combinações políticas que concretizem a vontade do povo, admitindo que as votações ganhadoras foram em partidos que a compreendam (a vontade do povo) e realmente estejam dispostos a pô-la em prática. Diário de Bordo aqui não resiste a comentar que não tem sido frequente este último caso. Na Grécia, parece ter havido um grande aumento de votação nas forças políticas dispostas a exigir, pelo menos, alterações significativas no acordo com a troika. Os comentadores (muito pode esta gente!) já andam a preparar o terreno para novas ameaças de expulsão da Grécia da zona euro, da União Europeia, etc. O facto é que as autoridades europeias (chamemos assim ao Durão Barroso, ao Van Rompuy, etc., para não lhes chamarmos coisas mais feias) estão marimbando para a vontade do povo grego, do povo português, etc. Vão exigir respeitinho e pagamentos em dia, com muito dinheiro para a banca privada. E por aí a fora.
Algumas pessoas depositam esperanças no facto de François Hollande ter sido eleito, derrotando Sarkozy, o favorito da banca e da alta finança. Que ele vai ser capaz de travar os alemães, a finança, etc. De pôr a economia a crescer, criar empregos, etc. É muito duvidoso. Porquê? Porque era preciso que ele fosse ao assunto com toda a força. Começando por nacionalizar a banca, e não permitindo especulações, notas das parcas, perdão, das agências de notação, acabando com os cds (os credit default swap, não o do Paulo Portas) e mais uma série de poucas vergonhas que por aí andam. Será que o François Hollande vai fazer alguma coisa destas? Diário de Bordo tem muitas dúvidas. Até tem dúvidas de que ele queira.

