por Rui Oliveira
Cordas sobresselentes (2ª parte)
Na Sexta 18 de Maio, no Auditório do Museu do Oriente, às 21h30, o cantautor e pianista goês/moçambicano Gonzaga Coutinho apresenta o seu último trabalho “Shangri-lá Goa”, conjunto de melodias felizes e serenas, com um toque de tradição cultural portuguesa “que ainda se faz sentir em Goa”, gravadas com uma roupagem musical mais actualizada e cantadas em concanim, um dialecto goês.
São convidados neste espectáculo Rão Kyao, Carlos Guilherme, Susana Brito e o Grupo Ekvat da Casa de Goa. A par de Gonzaga Coutinho (voz e piano), tocam também Ernesto Leite (direcção musical, teclado e viola), Rita Mendes (violino), Marcos Britto (contrabaixo), Francisco Fernandes (percussão oriental) e Susana Brito (voz e coros).
Eis como soa Shangri-lá em concanim :
A 18 de Maio (repetindo a 19) na Sala Estúdio do Teatro Nacional Dª Maria II, às 21h15, a Compañía Pèlmanec (Espanha) mostra “Diagnóstico: Hamlet” numa encenação de María Castillo sobre um texto de Miquel Gallardo (inspirado na obra de Shakespeare) que é também o actor-manipulador.
Tema : Quem quer ser Hamlet? Max Flaubert, um jovem de dezassete anos de idade que vive na cela de um hospital psiquiátrico, onde foi colocado após a traumática morte do pai e o casamento repentino da mãe com o tio, quer ser Hamlet. Quer que Shakespeare decida por ele, fale por ele, o liberte da sua dor e do seu medo, através das palavras de uma das suas personagens mais complexas e analisadas. Por isso, dia após dia, recria a ilusão da vida como um encenador, manipula e controla os seus pesadelos, como um marionetista. Mas o cérebro é perverso e enfrenta-nos mais tarde ou mais cedo com a grande verdade: a vida é incerteza…
Este vídeo promocional desvenda parte da trama :
Também em 18 de Maio, no Ondajazz às 22h30, Cristina Nóbrega, “Prémio Amália Revelação 2009” e autora do CD “Palavras do Meu Fado” apresenta-se neste bar para uma noite especial onde cantará alguns standards de Jazz, boleros e bossas.
Da sua estreia em Espanha como fadista mostramos este “Disse-te adeus e morri” :
No Centro de Arte Moderna (da Fundação Gulbenkian) realiza-se a 18 de Maio (Sexta) a inauguração na sua Galeria 1 da exposição “Josef Albers na América, PIntura sobre papel” que apresenta o seu trabalho a partir do campo da investigação experimental, em cerca de 80 estudos a óleo sobre papel, alguns inéditos ou raramente vistos. Estes estudos, com inúmeras anotações feitas pelo artista, de nomes de cores e de diferentes fabricantes de cores, revelam o seu acto de pintar como fixação da sua filosofia a cor.
Nesse mesmo dia, às 18h, há uma Mesa-Redonda sobre Josef Albers e a exposição, de acesso público, com a presença de Nicholas Fox Weber, director da Josef and Anni Albers Foundation, e dos curadores da exposição, Michael Semff, do Staatliche Graphische Sammlung de Munique, e Heinz Liesbrock, do Josef Albers Museum Quadrat Bottrop.
Joseph Albers (1888-1976), de que esta é a primeira exposição em Portugal, é um dos pilares do século XX na Europa e nos Estados Unidos, tendo ficado sobretudo conhecido pelas suas Homenagens ao Quadrado (Homages to the Square), que pintou entre 1950 e 1976, pelo seu cargo de professor na Bauhaus em 1925 e pela publicação, em 1963, de um estudo inovador sobre a cor, “The Interaction of Color”.
Sendo o 18 de Maio o “Dia Internacional dos Museus”, lembramos que às 18h no Museu Nacional de Arqueologia, o seu (ex?)-director Luís Raposo pronuncia ali uma conferência ( e lança o respectivo livro) intitulada “Museu Nacional de Arqueologia Percursos de uma Casa Centenária nas construções oitocentistas dos Jerónimos”, seguida de debate público.
Ainda a 18 de Maio, realiza-se no Complexo 3 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, promovida pelo Bloco de Esquerda, uma iniciativa intitulada ““Portugal na Encruzilhada da Europa” – Conferência Económica Internacional” que se inicia às 21h com palestras quer de Jan Toporowski (London School of Oriental and African Studies), quer de Mariana Mortágua (BE).
No dia seguinte, a partir das 9h, debater-se-ão os temas “O que falta na arquitectura do Euro?” com Jacques Mazier (Euromemorandum), entre outros, “A Austeridade e o(s) Direito(s) do Trabalho”, “ Há esperança para um Estado Social Europeu?” e “Portugal, Europa e as Alternativas”, com a presença de figuras diversas da esquerda nacional.
Por ocasião da exposição antológica “Nikias Skapinakis : Presente e Passado” apresentada pela Fundação Berardo desde Março de 2012, Jorge Silva Melo realizou um documentário com o título provisório “Nikias Skapinakis (continuando) 2012 “ em que prolonga e actualiza aquilo que fez com o Pintor no filme “Nikias Skapinakis: o teatro dos outros” (2007).
Neste Sábado 19 de Maio onde ainda se celebra o Dia Internacional dos Museus está organizada uma primeira projecção (de entrada livre) no Auditório do Museu Berardo, às 15h30, com a presença de Raquel Henriques da Silva e Jorge Silva Melo.
Também associado à comemoração do Dia Internacional dos Museus, as iniciativas diversas do MNA incluem no Sábado 19 de Maio, às 15h30, nas instalações do museu (Mosteiro dos Jerónimos, Praça do Império), uma conferência no âmbito do “The Lisbon Mummy Project” proferida pelo egiptólogo Luís Araújo e pelo radiologista Carlos Prates sobre “ As múmias do Museu Nacional de Arqueologia – Apresentação do projecto e primeiros resultados”.
A entrada é livre.
No Sábado 19 de Maio, às 21h no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, os Pequenos Violinos da Metropolitana dão o seu habitual concerto de solidariedade para ajudar algumas das mais importantes instituições de intervenção social do país.
Sob a direcção artística de Inês Saraiva é deste tipo o som generoso que ali se ouvirá :
Também a 19 de Maio (Sábado), na Igreja do Loreto (rua da Misericórdia), às 21h30, o Coro da Nova da Universidade Nova de Lisboa sob a direcção do maestro João Valeriano e com a colaboração da soprano Susana Duarte e do baixo José Pedro Bruto da Costa e ainda Nicholas McNair ao piano dá mais um dos Concertos da Primavera interpretando de Gabriel Fauré Requiem, op. 48 e de Johannes Brahms “Warum ist das Licht gegeben dem Mühseligen ?”
Igualmente a 19 de Abril no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, há mais um concerto Nuno Vieira de Almeida & Convidados, às 18h30, sob o título “Benévola provocação. Canções populares de Brahms e Fernando Lopes Graça”, com Vieira de Almeida ao piano e o tenor Fernando Guimarães.
Ainda a 19 de Maio, às 21h30 (e de novo a 20/5 às 16h), o Museu da Marioneta recebe, no quadro do FIMFA Lx 12, o espectáculo “La Música Pintada”, uma criação e interpretação de Joan Baixas (Espanha), com fotografias de Jordi Bover ao som dos “Contos da minha Mãe Ganso”, de Maurice Ravel e da “Pequena Suíte”, de Claude Debussy.
Se aqueles compositores trataram as notas musicais como se fossem as pinceladas de um pintor e fascinados por sons orientais e pelo mundo das crianças, transferiram estes jogos para os instrumentos, criando a música impressionista, Joan Baixas traduz as cores e a luz desta música em sensações visuais que cria num ecrã de sombras chinesas, pintadas em frente do público, com projecções de imagens digitais e fotografias.
Na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 16h deste Domingo 20 de Maio, num Recital de Canto, ouvir-se-á o barítono José de Eça acompanhado ao piano por Armando Vidal entoar temas de compositores como Robert Schumann, Giovanni Battista Martini, Jules Massenet, Francisco Lacerda, Paolo Tosti, Vincenzo Bellini e Eduardo di Capua.
No Domingo 20 de Maio, às 17h30, na Igreja de S. Tomás de Aquino, às Laranjeiras (Lisboa) a organista Célia de Sousa tocará obras de Buxtehude, J.S.Bach, entre outros, num concerto de entrada livre.
Aos amadores de outra música, como o jazz, lembramos que o Outjazz 2012 reiniciado oferece aos Domingos em particular música negra, sendo em Maio no Jardim da Estrela às 17h; neste dia 20, em particular, o conjunto actuante será Orlando Santos & The Bagatells e o Dj Celeste/Mariposa.
Por fim, sugeriríamos, na esteira dum crítico de arte (J.L.Porfírio) que assinalava a “coincidência” de três exposições “de uma arte produzida fora dos carris da academia ou da escola, da arte dita culta”, a visitas a qualquer delas, sendo que duas encerram neste Domingo 20 de Maio. Apressem-se pois os interessados a ver quer “António Peralta, o Pintor que Esculpia Histórias” no Museu Nacional de Etnologia, quer “Xico Nico Escultor. Arte Outsider” no Palácio Galveias.
Mais tempo, contudo, terão os que se deslocarem até à Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (às Amoreiras) que apresenta até 23 de Setembro de 2012 uma exposição intitulada “Arte Bruta – Terra Incógnita” inédita em Portugal.
Ela reune trabalhos de mais de setenta artistas de quinze países diferentes (China, Brasil, Estados Unidos da América, Rússia, Aústria, Reino Unido, França, Perú, Espanha, entre outros), numa selecção criteriosa de obras provenientes da colecção Treger-Saint Silvestre. O termo Arte Bruta, usado pela primeira vez por Jean Dubuffet en 1945, refere-se a obras de arte ditas “marginais”. Estes artistas, que não reivindicam o estatuto de criadores, trangridem as normas da “arte estabelecida” sem se preocuparem em revelar o seu trabalho, que permanece muitas vezes desconhecido, sendo a sua única preocupação a de criar.
Tais obras de arte surgem como verdadeiros tesouros para coleccionadores com alma de explorador, o caso de Richard Treger e Antonio Saint Silvestre cuja colecção, composta por cerca de 600 obras, tem dois terços de artes ditas marginais, onde nomes como Henry Darger, Adolf Wölflï, Madge Gill, Scottie Willson ou Augustin Lesage têm vindo aos poucos a ser reconhecidos e representados nos principais museus do mundo.
Augustin Lesage, Sem título, c. 1942 Scottie Wilson, Sem título, Sem data










