agenda cultural de 21 a 27 de Maio de 2012

 

 

 

 

Rui Oliveira

 

 

 

Cordas sobresselentes (2ª parte)

 

 

 

 

   Na Sexta 25 de Maio, às 18h30, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, por ocasião do Dia Nacional da Argentina, há a inauguração de uma exposição de obras de artistas argentinos entre os quais o escultor Enrique Williams e os pintores Luis Cohen Fusé, Roxana Lawson, Pablo Gayá e Sara Fernández de Clause.

   Segue-se um concerto da cantora argentina Lucia Echague (autora do CD “Todo puede ser”, fundindo o pop com o jazz e ritmos latinos) e do pianista argentino Daniel Schvetz (criador do  premiado projecto OrAnGo TaNgO), ambos residentes em Portugal.

   A entrada é livre.

 

   Nessa Sexta 25 de Maio, às 21h30, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, os Solistas da sua Orquestra Bin Chao violino, Jorge Lé violino, Leonor Braga Santos violino, Chistopher Hooley viola, Varoujan violoncelo e Martin Henneken violoncelo “oferecem” um programa em que consta de Wolfgang Amadeus Mozart  Quinteto para Cordas, K. 516 e de Joly Braga Santos  Sexteto para Cordas, op. 59.

   A entrada é livre.

 

   Entretanto na galeria ZDB desse 25 de Maio, às 23h, o engenheiro português mas sobretudo músico electrónico Rafael Toral vem mostrar o produto da sua residência artística na ZDB para o estudo aprofundado sobre a performance em instrumentos electrónicos segundo os princípios orientadores do jazz, apresentando aqui no âmbito do Space Collective 6 a formação do Double Trio.        

   Acompanhado por Ricardo Webbens nas electrónicas, Afonso Simões e Marco Franco nas baterias, Hêrnani Faustino e Pedro Lourenço nos baixos (contrabaixo e baixo reléctrico), Toral expandirá em palco “um processo composicional que se situa em termos artísticos, técnicos e culturais num patamar diferente de todos os outros” (dizem os conhecedores).

   Veja-se aqui ao que conduzem tais experimentações sonoras em Sound Mind Sound Body :

 

 

 

   Ainda a 25 de Maio, já às 0h00 (meia-noite) no MusicBox, é apresentado “Look Around The Corner”, resultado da colaboração do produtor, músico e DJ Quantic com a cantora Alice Russell que se juntaram para gravar, associando assim a mistura soul e blues com folk e gospel da voz britânica e o swing único da banda de Quantic, Combo Bárbaro. Este concerto será, assim, um íntimo diálogo entre dois dos mais reconhecidos músicos independentes do momento.

   Assim soa este seu primeiro álbum de Fevereiro passado :

 

 

 

 

   No Sábado 26 de Maio, ainda dentro da celebração “raveliana”, o Serviço de Música da Fundação Gulbenkian organizou no seu Grande Auditório, às 16h, mais um  Concerto para a família onde parte do programa da Quinta/Sexta anterior (e que salientámos nos Destaques diários) se repete, agora comentado por Pedro Moreira.

   Ouvir-se-á pois La Valse, seguida do Concerto para Piano e Orquestra, em Sol Maior, ambos de Maurice Ravel pela Orquestra Gulbenkian, dirigida por Lawrence Foster, acompanhada por Jean-Efflam Bavouzet ao piano e por David Lefèvre no violino.

   Reproduzimos uma versão de La Valse (bem gravada pela Orchestre Philarmonique de Radio France, dirigida por Myung-Whun Chung), lembrando que, tendo sido escrita na “ressaca” da passagem de Ravel pela I Guerra Mundial, a peça é entendida por muitos como “uma reflexão sobre a guerra e a civilização europeia do pós-guerra”.

   Curiosamente, embora encomendada por Sergei Diaghilev para os Ballets Russes, e pensada como homenagem a Johann Strauss II, La Valse acabaria recusada pelo coreógrafo  alegando que, muito embora se tratasse de uma obra-prima, não era ballet. Só em 1951 George Balanchine usaria a música para um ballet com o mesmo título.

 

 

 

   Também nesse Sábado 26 de Maio, às 12h, no Jardim da Estrela, sob a direcção de Ângela Carneiro, Jovens Violoncelos da Metropolitana vêm dar ao público presente (de entrada livre) uma Aula de Música no Jardim (com programa não divulgado).

   Nessa noite, às 21h, a Orquestra Académica também da Metropolitana, sob a direcção musical de Jean-Marc Burfin e com a colaboração de Ravena Mendonça no violino (laureada da Academia da Metropolitana / Prémio INATEL) tocará um programa que inclui :

        Anton Webern  Variações para Orquestra, Op. 30

        Dmitri Chostakovich  Concerto para Violino e Orquestra n.º 1 em Lá menor, Op. 77

        Felix Mendelssohn  Sinfonia n.º 4, Op. 90, Italiana

   Este concerto terá lugar no Auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa (Campus de Campolide).

 

 

   Igualmente a 26 de Maio, às 16h, realiza-se no Museu Nacional de Arte Antiga, a última sessão dos Encontros com Coros, estando desta vez presente o coro “Polyphonia Schola Cantorum” dirigido pelo Maestro Sérgio Fontão.

    O encontro aberto ao público efectua-se, como usualmente, no 3º Piso do MNAA, frente aos Painéis de S. Vicente.  

 

 

 

   No Domingo 27 de Maio são escassas as actividades de relevo cultural.

   À tarde os amadores poderão, como nos Domingos recentes de Outjazz, deslocar-se ao Jardim da Estrela, às habituais 17h, para ouvir a Jungle Jazz Orquestra, conjunto de cerca de quinze elementos que em Évora, sob a direcção do trompetista e arranjador Johannes Krieger, tem trabalhado um vasto programa musical desde o swing e a latina, até aos sons modernos da música africana, bem como ritmos tradicionais como o tango ou o reggae e ritmos modernos com beats como o jazz-fusão e o drum & bass.

    Acompanha-a o Dj Mr. Bird. Eis o registo possível duma actuação da Jungle Jazz Orquestra no espaço “Arte e Manha” em Dezembro de 2011 :

 

 

 

   Também às 18h, no Coliseu dos Recreios, os interessados poderão ver uma realização pelo Ballet Coroa do Teatro de Moscovo do ballet A Bela Adormecida com a clássica coreografia de Marius Petipa, o libreto de Ivan A. Vsevolojsky e a música de Piotr Tchaikovsky.

 

   Os mais amadores das artes plásticas têm, entre muitas, duas exposições recentemente abertas de inegável interesse. Da outra aberta no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian de Jorge Varanda “Pequeno-almoço sobre Cartolina” falaremos na próxima semana.

 

 

 

   No Museu Nacional de Arte Antiga abriu a 18 de Maio no Dia Internacional dos Museus a exposição “O Virtuoso Criador. Joaquim Machado de Castro (1731-1822)” na galeria de exposições temporárias, uma evocação da obra daquele que é considerado o maior escultor português de todos os tempos.

   Reúne mais de 100 peças – esculturas, modelos, desenhos e importantes documentos, do acervo do Museu e provenientes de diversas instituições públicas e privadas – e pretendem os seus comissários – Ana Duarte Rodrigues e Anísio Franco – tornar evidente, aos olhos do público, Machado de Castro como um estatuário à la grande maniera romana, revendo assim a historiografia tradicional que o consagrou sobretudo como escultor da Estátua Equestre de D. José I e como autor de presépios.

    São pois peças fundamentais do artista, além da Estátua Equestre de D. José, a Fonte do Neptuno do Chafariz do Loreto, as esculturas da Basílica da Estrela e do Palácio da Ajuda, em Lisboa, a estátua de D. Maria I (agora, na Biblioteca Nacional) ou os bustos da Cascata dos Poetas da Quinta do Marquês de Pombal, em Oeiras. As circunstâncias levaram ainda Machado de Castro a produzir imaginária religiosa, da qual são exemplos Santa Ana Ensinando a Virgem a Ler (MNAA), a Virgem da Piedade (Capela Palatina de Salvaterra de Magos), São João Baptista (Igreja Matriz de Almeirim), Nossa Senhora da Encarnação (Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, Lisboa). O artista realizou também escultura funerária, como os túmulos de D. Mariana de Áustria, no Real Hospício de S. João Nepomuceno (hoje, no Museu Arqueológico do Carmo), ou o de D. Mariana Vitória, na Igreja de S. Francisco de Paula, na freguesia dos Prazeres em Lisboa.

   Ocupando todo o Piso 0 do MNAA, dividida em oito núcleos, a exposição insere-se num programa de divulgação da obra deste virtuoso criador, que engloba a intervenção na Estátua Equestre de D. José na Praça do Comércio (coordenada pelo World Monuments Fund) e o colóquio internacional “Machado de Castro. Da Utilidade da Escultura”, organizado pela Universidade Autónoma de Lisboa em colaboração com a Câmara Municipal de Oeiras que se conclui esta semana com sessões a 24 e 25 no Auditório do MNAA e a 26 no Palácio do Marquês de Pombal em Oeiras (ver programa completo em http://www.universidade-autonoma.pt/Col%C3%B3quio-Internacional-Machado-de-Castro-Da-Utilidade-da-Escultura-p1083.html ).

 

Leave a Reply