No dia 7 de Junho, podemos apreciar em ante-estreia o documentário “Não Me Importava Morrer Se Houvesse Guitarras No Céu“. É realizado por Tiago Pereira, financiado pela direcção regional de cultura do Governo Regional dos Açores, que se dirige para uma consciencialização da opinião pública portuguesa sobre a existência e o valor
único do seu património imaterial, em especial de uma prática musical coreográfica, proveniente dos Açores, a Chamarrita. A produção é da Associação cultural Música Vadia. Será pelas 20h30 no MusicBox em Lisboa, com entrada livre(Rua Nova do Carvalho, 24, 1249-002 Lisboa).
Esta obra insere-se no seu projecto “A Música Portuguesa a Gostar dela Própria”. Contém já mais de 750 gravações de instrumentais, concertos acústicos e actuações de grupos e artistas de música tradicional portuguesa.
Com este trabalho, pretende-se descobrir e transmitir as influências a que estas comunidades foram expostas, e o modo como estas se foram actualizando nas suas práticas quotidianas, num paralelismo constante e dinâmico com a história nacional. Neste contexto, procurar-se-á descobrir o que são hoje estas danças e como se envolvem com as pessoas, mas também se quer misturá-las com outros contextos e com outros sujeitos, sendo disso exemplo um músico personagem que procura naquelas danças sons que o cativem, técnicas especiais de tocar a viola da terra, formas em que a dança se funda com as ilhas e com o seu isolamento.
Considera o realizador que é urgente uma alfabetização da memória que ajude a criar em confiança uma identidade contemporânea, saudavelmente inscrita no passado mas a reflectir as inovadoras perspectivas do seu futuro. E este documento fílmico tem por objectivo valorizar estes aspectos.
Já este ano estreou dois dos seus filmes na Capital Europeia da Cultura, em Guimarães – “Onze burros caem no estômago vazio” e “Vamos tocar todos juntos para ouvirmos melhor” . revisitando as memórias e tradições de Guimarães mostram também o património musical e sonoro da região.
Conheço mais quatro filmes do Tiago. Estava ele a fazer o PHOTOMATON – documentário sobre João dos Santos, conjuntamente com a Sofia Ponte, numa parceria RTP 2 e Fundação Gulbenkian.
Depois convidou-me para assistir ao Aniki In Da House, feito na Casa da Música, que adorei. Documenta o processo criativo de um espectáculo transdisciplinar que acrescenta de forma encantadora uma perspectiva contemporânea ao filme Aniki-bóbó, realizado por Manoel de Oliveira em 1942, associado a um diálogo singular entre o passado e presente da cidade do Porto.
Fez também a Sinfonia Imaterial, para a Fundação INATEL, Um registo das práticas musicais de tradição oral portuguesa, que estão vivas e que prevalecem nas várias regiões de Portugal continental e ilhas; os ritmos mais raros e relevantes, o desempenho das vozes e talentos amadores num concerto único.
Não pretendo aqui contar tudo o que já fez. Adianto que Tiago Pereira, Realizador e Visualista ( Lisboa, 1972) recebeu vários prémios nacionais e internacionais pelos filmes Quem Canta Seus Males Espanta (Melhor Realizador, Encontros de Cinema Documental da Malaposta,1998), Sonotigadores de Tradições (Grande Prémio do Júri, Ovarvídeo 2003), e 11 Burros Caem Num Estômago Vazio (Grande Prémio Tóbis, Doc Lisboa 2006 e Melhor Filme Etnográfico, Dialektus Festival, Budapeste/Hungria). O seu trabalho tem merecido várias mostras e retrospectivas em Portugal, nomeadamente na Fábrica Braço de Prata (2009), Lisboa, Festival Novos Fados 2009, Santiago Alquimista, em Lisboa, Festival Número (2007), Cinema Quarteto, em Lisboa, entre outros.
O Tiago, filho do músico Júlio Pereira diz : “Eu já nasci no mundo da música” e “Os meus ouvidos foram educados para ouvir de uma forma precisa.” E para fixar tudo o que ouve. E esta capacidade que tem, tem-na posto “ao serviço” da música. Pelo que só lhe temos que agradecer!



