Continuando a junção de um quadro com uma poesia, e amboa falando de música, hoje fica Matisse com Natália Correia.
IV
(Sempre que ouço piano)
Por lentas alamedas musicais
Chegam-lhe as tuas mãos ledas e leves;
Trazem-me a valsa que enchia de cristais
A casa e eras de loiça mãe de Sèvres.
Lá nas fajãs partiu-se um sopro a mais
Que a morte é cio de belezas breves,
Mas, ó mistério de dedos siderais!,
Um triz de música e uma azálea escreves.
Mãos que me levam lácteas pelos cabelos
(Lembras-te? eram anéis dos teus anelos)
Para a ilha. No teu seio o mar arfava.
Mãos doceiras das flores com que cobrias
O meu sono. Mas música!
Para os dias
De opala, mãe de mel, falta uma oitava.
In Mãe ilha
– NATÁLIA CORREIA


