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Adão Cruz Ao soar das horas mortas
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(Adão Cruz)
Ao soar das horas mortas neste outro modo de ser hoje
recolho as asas à saída do corpo asas de voo natural sublime
acima das coisas
Para lá do nevoeiro sei que moram os dias claros e as
nirvânicas noites e apetece‑me gritar menino‑pastor da
noite menino‑pastor da noite
Vestido de tempo sem espaço e de espaço sem tempo tento
fundir a neve com o calor da minha nudez mas o cansaço
e a ideia do lado de fora de uma teia sem olhos são fios que
tecem mais tarde ou mais cedo o gélido mundo das sombras
A respiração acabou e o poema nasceu fechado cianótico
asfixiado
No imediato corpo tão longe e tão perto um frio azul
anidrido carbónico encharca as palavras secas
Velha semente sem terra nova terra sem semente um tal
dizer feito de gestos e o prazer de supor que a água ainda
corre nas entrelinhas da secura



Mais duas pérolas, as palavras do Adão e a música da Augusta. Para os dois um beijinho enorme pela inspiração!
Inês, por favor, és muito simpática, mas eu nem uma nota de música conheço a não o dó ré mi das aulas de solfejo :))