Pentacórdio, terça-feira, dia 3 de Julho de 2012. Por Rui Oliveira

 

   Voltando ao Museu do Chiado e ainda sobre o mesmo material, pode ver-se até 29 de Julho a exposição “Platon’s mirror (2010)” do artista multimédia alemão Mischa Kuball (Düsseldorf, 1959 -).


     Segundo a sua curadora (Helena Barranha), “… a luz tornou-se o tema central na obra de Mischa Kuball a partir dos anos 90. Cruzando os campos da fotografia, do vídeo e da instalação, o artista explora as diferentes dimensões da luz, e das suas declinações (obscuridade, sombra, reflexo…), desde a esfera privada do espaço habitacional até à escala urbana da arte pública. Para Kuball, a luz não se limita a um fenómeno visual, dado que potencia a tomada de consciência e, consequentemente, a intervenção. Nesse sentido, as suas instalações lumínicas, com um carácter assumidamente conceptual, reinterpretam referências históricas ou filosóficas, convertendo frequentemente o espaço arquitectónico em palco e o espectador em actor”.


   O título desta instalação (Platon’s mirror) sugere, desde logo, a intenção de Mischa Kuball de evocar um dos textos mais influentes da filosofia ocidental – A Alegoria da Caverna inserido no Livro VII de “A República” de Platão. Contudo, a proposta de Kuball, ao criar um espaço imersivo em que o espectador se confronta, simultaneamente, com o seu reflexo, a sua sombra e o reflexo dessa sombra, mais do que discutir a relação entre a realidade física, a ilusão das imagens projectadas e a verdade do conhecimento, visa questionar o contexto em que as imagens, construídas pela luz, se revelam como uma meta-realidade. Uma realidade que, em limite, corresponde à condição da obra de arte e, talvez, do próprio observador; “e tudo isto [como diria Didi-Huberman], para acabarmos por ser nós mesmos tão-só uma imagem”. 

 

           

 

 

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