SER E ESTAR – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

O António José Saraiva disse-me um dia:

– Fernando, o português e o castelhano são duas línguas que distinguem o ser do estar.

Interrompi:

– Desculpe, mas já agora acrescento o catalão e o galego…

Sorriu, balançou a cabeça.

– Tens razão, corrijo: as línguas românicas da Península Ibérica distinguem o ser do estar. Já em França ser e estar são être; e na Inglaterra são be; e na Itália são essere; e na Alemanha são sein. Mas para os românicos da Ibéria, uma coisa é louco, outra é está louco; uma coisa é bonita, outra é está bonita; uma coisa é um doente, outra é está doente. Com o ser nós agarramos o definitivo; com o estar agarramos o provisório. Percebes?

– Sim, percebo. E acrescento: até para fumar nós, portugueses, fazemos a distinção entre os cigarros DEFINITIVOS e os PROVISÓRIOS.

Largou-se a rir. Professor muito conceituado mas nem por isso perdeu o humor… Felizmente!

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