– Fernando, o português e o castelhano são duas línguas que distinguem o ser do estar.
Interrompi:
– Desculpe, mas já agora acrescento o catalão e o galego…
Sorriu, balançou a cabeça.
– Tens razão, corrijo: as línguas românicas da Península Ibérica distinguem o ser do estar. Já em França ser e estar são être; e na Inglaterra são be; e na Itália são essere; e na Alemanha são sein. Mas para os românicos da Ibéria, uma coisa é louco, outra é está louco; uma coisa ébonita, outra é estábonita; uma coisa é um doente, outra é está doente. Com o ser nós agarramos o definitivo; com o estar agarramos o provisório. Percebes?
– Sim, percebo. E acrescento: até para fumar nós, portugueses, fazemos a distinção entre os cigarros DEFINITIVOS e os PROVISÓRIOS.
Largou-se a rir. Professor muito conceituado mas nem por isso perdeu o humor… Felizmente!
Sem filtro.