VAMOS AO CINEMA – Os «Capitães da Areia» no cinema.

 Para  a cineasta Cecília Amado,  realizadora de  Capitães da Areia “É o momento de recuperar a cultura e trazer Jorge Amado para as novas gerações”. Na verdade, desde 1937 que o romance Capitães da Areia, de Jorge Amado fez sonhar sucessivas gerações de adolescentes com a liberdade. Porque um adolescente é sempre prisioneiro – sente-se adulto, capaz de fazer tudo o que faz um adulto, mas  (na sua perspectiva) impedido por convemções obsoletas. Os meninos da rua que se agitam nas páginas de Capitães da Areia, lutando duramente pela sobrevivência, são livres – ou melhor, abandonados. Engeitados pelas famílias, criam todo um código de valores, uma ética que rege as suas existências e que, de certo modo, reproduz a estrutura social de que foram bamidos. Mais de sete década decorridas a questão das crianças abanodonadas continua actual

A história de Pedro Bala, Professor, Sem Pernas, Boa Vida, Gato, escrita há mais de sete décadas, é mais actual do que nunca. O filme de Cecília Amado, neta do grande escritor baiano, acompanha um ano da vida de garotos que lutam para sobreviver em Salvador, lidando com o contraponto entre o abandono da família e a liberdade encontrada nas ruas. “Uma criança que fica sozinha dentro de um apartamento também se sente abandonada”, comenta Cecília explicando a abrangência do assunto. “Do mesmo modo que todo adolescente sonha com a liberdade de poder fazer o que quiser”, conclui.

O livro, escrito na juventude de Jorge, revela o carácter de manifesto  que o escritor lhe quis dar. Cecília preferiu valorizar a faceta humanística de seu avô – “Queria ser fiel ao Jorge que eu conheci, alguém muito mais humanista do que o Jorge político de 24 anos que escreveu o livro”. Lamentamos ´que o vídeo do filme não esteja ainda disponíveel. Mas  à uma hora, na rubrica VAMOS AO CINEMA, vamos ouvir a entrevista que o canal TV do blog Burako Negro fez a Cecília Amado e aos actores de Capitães da Areia.

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