A situação na zona era sintetizada do seguinte modo pelo comando da operação: «Existência de um inimigo numeroso, fortemente mentalizado, bem armado, sem quaisquer privações ou restrições no emprego de munições e que se habituara a actuar com relativo à vontade na zona.»
A partir do final de Julho, a Operação Águia entra em nova fase, já não com a realização de golpes de mão, mas sob a forma de batidas. Estas acções receberam as designações de Águia Branca, Águia Amarela, Águia d’Ouro, Águia Vermelha e prolongaram-se até 6 de Setembro, data em que terminou oficialmente a operação.
Ao findar esta grande operação, a situação no Planalto dos Macondes continha já todos os elementos que caracterizariam a guerra naquela zona durante os anos subsequentes: grande violência, especialmente sobre as estradas e vias de comunicação, através de emboscadas e minas; perda de controlo por parte das forças portuguesas da esmagadora maioria da população do planalto, com excepção do pequeno número dos que se mantinham nas proximidades de alguns quartéis, instalados em antigas povoações macondes (Mueda, Nangololo, Diaca, Mocímboa do Rovuma, Nangade); existência de elevados efectivos de guerrilheiros bem armados, dispondo de bases poderosas no interior do planalto e de apoios ao seu trânsito, a partir da Tanzânia.
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À medida que o tempo passava, os ataques guerrilheiros tornavam-se mais frequentes e ousados, obrigando o Batalhão 558 e suas Companhias Operacionais a esforços redobrados, sem, contudo, evitar o incremento de nossas baixas. Volvidos 12 meses, o Batalhão estava moral e fisicamente abalado, com um saldo de 17 mortos (2 Furriéis Milicianos; 6 Cabos e 9 Soldados), além de 70 feridos (6 Alferes Milicianos, 1 Sargento, 7 Furriéis Milicianos, 9 Cabos e 47 Soldados), o que determinou o seu remanejamento para Vila Pery (CCS), Lourenço Marques (CCaç 607) e Dondo (CCaç 613), em Agosto de 1965. Em Manica e Sofala, longe das agruras de Cabo Delgado.
O Batalhão aos poucos refez-se moral e fisicamente, aguardando o embarque para a Metrópole, o que veio a ocorrer a 10 de Fevereiro de 1966, data em que a Companhia de Comando e Serviços do BCaç 558 desfilou no Estádio do Clube Ferroviário de Lourenço Marques, juntamente com outros agrupamentos militares, após o que embarcou no navio “Vera Cruz”.
As Companhias operacionais CCaç 607 e CCaç 613, permaneceram, ainda, em Moçambique, na Praia Vermelha (L. Marques) e no Dondo, próximo à cidade da Beira, aguardando embarque, o que veio a ocorrer em meados do ano de 1966.
Foi ao alvorecer do dia 1 de Março de 1966, que avistamos a tão sonhada Costa do Sol, Lá estavam, como que a saudar-nos, as cidades de Cascais e do Estoril, o Farol de São João da Barra, e inúmeras outras praias, antes de aportarmos na Doca de Alcântara, em Lisboa, onde inúmeros familiares e amigos aguardavam por nós. O primeiro a ser avistado foi o meu tio Zé Moura, que distante dos demais, a eles se juntou, sempre com o chapéu erguido bem alto, para que eu melhor pudesse acompanhá-lo, na sua trajectória. Na ânsia de não o perder de vista, pedi emprestado os binóculos do Padre Capelão, e do convés do “Vera Cruz” – que havia lançado suas amarras para o porto – revi, um a um, todos quantos por mim aguardavam. A festa só não foi completa, em face da ausência de meus pais e irmãos, nessa altura, radicados no Brasil. Ao desembarque e aos cumprimentos seguiu-se o desfile militar. Eram já 12 horas, quando nos dirigimos para o apartamento dos meus tios, na Óscar Monteiro Torres, onde fui brindado por um lauto banquete, a que não faltou o melhor dos vinhos e o melhor Champanhe francês. À tardinha, partimos de Santa Apolónia para Évora, onde se processou a nossa desmobilização.
José de Moura Carreira
(Alferes 1964/1966)
BCaç 558
http://www.loriga.de/Ultramar.htm
Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 31
