POESIA AO AMANHECER (16) – por Manuel Simões

Fernando Echevarría – Portugal

( 1929 –   )

“HÁ FIGURAS QUE AGUARDAM O MOMENTO”

Há figuras que aguardam o momento

de ficarem na luz de serem vistas.

Até lá, vivem num tempo

que as conserva esquecidas,

ou onde ondeia o silêncio,

apagando o vestígio das suas próprias linhas.

É isso o limbo. Estar sentado

antes ainda de haver epifania.

Mas, quando chega o momento

de as figuras surgirem em ser vistas,

a penumbra nomeia cada gesto

e cada linha

que desloca a luz dos membros,

conforme os move a animação mais íntima.

Estão no mundo. E reina o movimento

na surpresa que ilumina

a ordem de estarmos vendo

como movem o irem sendo vistas.

(de “Figuras”)

Nasceu em Espanha mas veio muito novo para Portugal. Animou revistas como “Graal”, “Eros” e “Limiar”.A sua poesia caracteriza-se por uma componente reflexiva, pela sensibilidade metafísica e pela especulação filosófica.  Estreou-se com “Entre dois anjos” (1956), tendo publicado ainda, entre outros textos poéticos: “Tréguas para o Amor” (1959), “Introdução à Filosofia” (1981), “Fenomenologia” (1984), “Figuras” (1987), “Sobre os mortos” (1991).

Leave a Reply