Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
SÉRIE BANCA – 11
(CONTINUAÇÃO)
Mas as mudanças colocam diferentes problemas.
Enquanto basear a determinação da Libor nas transacções reais é desejável, os benefícios teóricos podem ser, na prática, difíceis de conseguir devido à redução na profundidade do mercado e aos níveis de actividade mais reduzidos. Como observou com ironia Sean Keane, um ex-chefe da negociação no mercado monetário no Credit Suisse,: “.. ao longo destes 4 anos tivemos poucas transacções reais do mercado monetário não colateralizadas do que as discussões que tem havido discussões sobre a forma como reformar o mecanismo de determinação da LIBOR”. Quando os mercados entram em disrupção como em 2007/2008, não é nada claro como é que uma apresentação exacta de uma proposta pode ser feita.
Com as diferenças de ratings de crédito dos bancos e as variações na qualidade , a resultarem em maiores variações nos custos de empréstimos, as taxas LIBOR tornar-se-ão mais variáveis e os seus valores menos significativos. Os instrumentos sugeridos pela CFTC para calibrar a submissão de propostas para a determinação da Libor na ausência de operações no mercado monetário ignoram a capacidade de financiamento do banco. Estes incluem OIS, contratos sobre futuros e operações colateralizadas sobre divisas e ainda operações no mercado repo.
Fazer parte do painel de bancos que determinam as taxas LIBOR, que até agora era z considerado uma posição de prestígio prestigioso, pode deixar a partir desta situação deixar de ser atraente. Constante escrutínio público e uma mais apertada regulamentação , bem como o risco de processo penal e civil superam os benefícios que da situação de pertença ao painel se podem obter. Se os bancos se tornam relutantes em participar do processo, então, a importância e aceitação da própria referência ir-se-á reduzir.
Para depósitos e empréstimos, os bancos podem-se mover para as suas taxas internas, que reflectem os custos dos empréstimos obtidos. O maior efeito poderá ser nas operações nos mercados de produtos derivados.
Criado em tempos bem mais simples, a LIBOR foi projectada para determinar a taxa de obtenção de empréstimos e de depósitos. Ao longo do tempo, os produtos derivados baseados na Libor tornaram-se dominantes. Perversamente, o mercado monetário, no qual se baseia a LIBOR é agora o suporte para o mercado de produtos derivados que é claramente bem mais vasto. Curiosamente, várias gerações de especialistas em métodos quantitativos têm construído os seus elegantes modelos na base de técnicas matemáticas avançadas para calcular o “preço” de complexos produtos derivados numa base profundamente errada e de fácil manipulação.
Christoph Rieger, director de Fixed Income Strategy no banco alemão Commerzbank, disse a um repórter: ” a LIBOR não é uma taxa de juro de mercado. As fixações do dia na melhor das hipóteses são suposições dos banco sobre uma hipotética taxa interbancária. Por esse motivo, este será sempre sujeita a controvérsia”. Dado este facto, Steve Baker membro do parlamento britânico levantou a questão óbvia quando afirmou : ” os membros do Parlamento estão cada vez mais a interrogar-se como é que um sector tão importante e tão vasto como o é o sector financeiro se permitiu crescer a este ritmo e até este nível sem nenhuma regra precisa, um pouco ao sabor dos ventos”.
Em dificuldade …
Barclays enfrenta alguns processos mais, incluindo possíveis acusações criminais. Há (até) 20 outros bancos sob investigação.
As acções cíveis, incluindo acções colectivas abrangendo todas as partes afectadas são igualmente prováveis. Assumindo taxas que foram estabelecidas a valores muito baixos para os investidores e em que os seus retornos foram por esta via reduzidos pode levar a quererem compensação. As partes em operações de produtos derivados em que os pagamentos aumentaram como resultado de níveis baixos de LIBOR podem tentar agora vir a querer recuperar as perdas.
Muitas grandes empresas americanas e municípios entraram em swaps de taxas de de juros onde as baixas taxas resultaram em perdas significativas. O Fundo Monetário Internacional estima que o montante perdido pelos municípios estará situado entre 250 e 500 mil milhões de dólares em 2010. Se uma acção bem sucedida é intentada ao abrigo do regulamento anti-trust dos Estados Unidos os bancos podem ser responsáveis pelo triplo dos prejuízos havidos.
O banco de investimento Morgan Stanley estima que as perdas para os bancos poderiam chegar ao total de 22 mil milhões em multas e prejuízos para os investidores e para as contrapartes, o que é equivalente a cerca de 4-13% dos rendimentos dos bancos em 2012 por acção e em cerca de 0,5% do valor patrimonial. Na realidade, é difícil quantificar com precisão as perdas potenciais.
Outras taxas e preços fixados pelos bancos podem agora estar sujeitos a forte escrutínio. O Departamento de Justiça americano está a investigar as empresas de trading sobre energia eléctrica por supostamente enviarem dados falsos a Platts e a outros editores especializados de índices de preços e que são utilizados para o estabelecimento dos preços e das transacções de gás natural.
Agora há uma bem significativa incerteza sobre possíveis litígios e prejuízos não quantificáveis a que poderão ser confrontados os bancos. Já a enfrentarem fracos rendimentos, problemas com a qualidade dos activos, altos custos de financiamento e uma maior regulamentação, os bancos devem continuar a estar sob forte pressão.
