CASTIGOS CORPORAIS E PERTURBAÇÕES MENTAIS por clara castilho

 

Se há pais que se confrontam com a dificuldade em imporem a sua autoridade, por outro lado, ainda há aqueles que resolvem os problemas “à porrada”.

Um estudo publicado recentemente publicado na Revista da Associação Médica Canadiense indica que as crianças que sofrem castigos físicos se tornam mais agressivos e podem sofrer de problemas do seu desenvolvimento intelectual. Joan Durrant, do Departamento de Ciências Sociais da Família da Universidade de Manitoba , analisando investigações realizadas durante os últimos 20 anos considera que esta é uma conclusão inequívoca. Para os autores, os resultados indicam de forma consistente que “o castigo corporal tem um efeito causal directo na exteriorização do comportamento, quer seja por uma reposta reflexiva à dor, por modelação ou por processos familiares coercivos”. O estudo também indica que o castigo físico está associado com problemas mentais como depressão, ansiedade e consumo de drogas e álcool.

Os pesquisadores, no entanto, tiveram o cuidado de frisar que o estudo não garante que os castigos físicos tenham sido a causa das doenças em alguns adultos, e sim que há uma ligação entre as lembranças relacionadas a essas punições e uma maior incidência de problemas. Pesquisas anteriores já haviam indicado que crianças abusadas fisicamente eram mais propensas a ter distúrbios mentais e adquirir um comportamento agressivo.

Num outro continente, uma outra pesquisa realizada pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) em 11 capitais brasileiras, revelou que mais de 70% dos 4.025 entrevistados sofreram de violência física quando crianças. Para 20% deles, a punição ocorreu de forma frequente – uma vez por semana ou mais. A palmada, entretanto, não foi o castigo físico entre os que apanharam todos os dias. A agressão, segundo os relatos, variava entre castigos com vara, cinto, pau e outros objetos capazes de provocar danos graves.

Tentando perceber como iriam agir em adultos, os entrevistados que relataram ter “apanhado” muito quando criança foram os que mais escolheram a opção “bater muito” em seus filhos caso esses apresentassem mau comportamento. Também foram os que mais esperariam que os filhos respondessem com violência caso fossem vítimas de agressão física na escola. Segundo os pesquisadores, os dados sugerem um ciclo perverso de uso de força física que precisa ser combatido.

Dados para reflectir.

 

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