EM COMBATE – 166 – por José Brandão

Organização

Na sua primeira fase, os Comandos organizaram-se em grupos independentes a partir de voluntários dos batalhões de caçadores, constituindo as suas unidades de intervenção. O sucesso destes grupos fez com que rapidamente passassem a ser utilizadas à ordem dos comandantes-chefes e comandantes militares para a realização de operações especiais. Organização dos grupos (tipo): – Uma equipa de comando (um oficial, um radiotelegrafista, um auxiliar de enfermeiro-socorrista, dois atiradores – Três equipas de manobra (um sargento, quatro atiradores) – Uma equipa de apoio (um sargento, um apontador de lança-foguetes, um municiador, dois atiradores). Esta organização de um grupo a cinco equipas e cada equipa a cinco elementos sofreu adaptações, mas a célula-base, a equipa de cinco elementos, manteve-se durante toda a guerra. Grupos independentes de comandos foram organizados e combateram em Angola e na Guiné, adoptando nomes de código: – Os Fantasmas – alferes Abreu Cardoso – Vampiros – alferes Lousada – Aço – sargento Inácio Maria – Pedra – alferes César Rodrigues. Contudo, o evoluir da guerra revelou a necessidade de maiores efectivos e de unidades autónomas, com capacidade para operar durante períodos mais longos e de se auto-sustentarem, razões que levaram à constituição de Companhias de Comandos. A primeira foi formada em Angola e a sua instrução teve início em Setembro de 1964. O seu comandante, o capitão Albuquerque Gonçalves, recebeu o guião da unidade em 5 de Fevereiro de 1965. A segunda companhia teve como destino Moçambique, comandada pelo capitão Jaime Neves. Iniciava-se assim o processo que levou à formação das seguintes unidades: – 23 companhias, que combateram em Angola; – 26 companhias, que combateram em Moçambique, das quais nove constituídas localmente; -12 companhias, que combateram na Guiné, das quais três africanas constituídas em permanência. A organização e os princípios organizativos dos Comandos portugueses, inspirados na Legião Estrangeira francesa e nos pára-comandos belgas, fundam-se em grande mobilidade e criatividade e em técnicas de combate para a contra-guerrilha, muito bem definidas e capazes de suportar a inovação permanente. A composição e a organização das Companhias de Comandos foram sempre adaptadas às circunstâncias e às situações, embora ao longo da guerra seja possível verificar dois modelos principais, que deram origem ao que se pode designar por companhias ligeiras e companhias pesadas. As primeiras eram constituídas por quatro grupos de Comandos, cada um com quatro subgrupos, com um efectivo de combatentes de oitenta homens e reduzida componente de apoio de serviços. Estas companhias dispunham de pequena capacidade para se manter, de forma autónoma, durante longos períodos de tempo, pois destinavam-se a servir de reforço temporário a unidades em quadrícula, como forças de intervenção, e receberiam dessas unidades os apoios necessários. Nestas companhias privilegiava-se a mobilidade e a flexibilidade de utilização, inicialmente empregues na Guiné e em Moçambique. As companhias pesadas tinham cinco grupos de Comandos a cinco equipas, num total de combatentes de 125 homens, aos quais se juntava uma formação de pessoal de serviços de cerca de oitenta efectivos, com médico, pessoal de comunicações, transportes, alimentação e enfermagem. Outro tipo de organização foi ainda adaptado para as Companhias de Comandos africanos, constituídas na Guiné e dotadas de militares metropolitanos à medida das necessidades, um pouco à semelhança do que as forças especiais americanas faziam no Vietname. O evoluir da guerra, a necessidade que passou a existir de combater em unidades de elevados efectivos na Guiné e em Moçambique e de, por vezes em simultâneo, realizar acções especiais e irregulares, levou a que se criassem Batalhões de Comandos naqueles dois teatros de operações. Esta função de unidade-mãe foi, em Angola e desde a sua fundação, desempenhada pelo Centro de Instrução de Comandos, que precisou também de se adaptar, separando a actividade de instrução e reunindo as unidades operacionais num aquartelamento no Campo Militar do Grafanil, perto de Luanda, embora sem nunca ter autonomizado por completo o emprego operacional sob um comando específico.

Na Guerra Colonial, foram organizadas companhias de vários tipos, adaptadas às condições operacionais, havendo duas organizações básicas:

Companhias Ligeiras, constituídas só com os elementos operacionais, não dispondo praticamente de apoio logístico autónomo, sendo suportadas por outras unidades militares;

Companhias Pesadas, em que os elementos operacionais eram reforçadas com elementos de apoio logístico (módulos sanitários, de manutenção, de transportes, de intendência, etc.), dando-lhes uma capacidade de operação completamente autónoma.

Na Guiné e em Moçambique foram constituídos Batalhões de Comandos que, além de servirem de centros de instrução, eram utilizados como elemento de comando operacional, em determinadas operações, para forças de Comandos de escalão superior à Companhia. Como grandes unidades de Comandos foram constituídos o Centro de Instrução de Comandos, de Angola, o Batalhão de Comandos da Guiné e o Batalhão de Comandos de Moçambique. Embora o Centro de Instrução de Comandos de Angola fosse a casa-mãe e tenha sido nesse centro que se formou o núcleo principal da doutrina de emprego e da mística dos comandos, todos os batalhões ministravam instrução ao seu pessoal e formavam unidades para intervir no seu teatro de operações. Além deste centro, que preparou unidades destinadas a Angola e Moçambique, e ainda os primeiros Comandos da Guiné, também em Portugal foi criado um Centro de Comandos no Centro de Operações Especiais, em Lamego, que instruiu unidades mobilizadas para a Guiné e Moçambique.

Estatísticas

Os soldados Comandos que participaram em operações activas: mais de 9000 homens (510 oficiais, 1587 sargentos e 6977 soldados) que integraram 61 companhias. Baixas em Combate: * 357 mortos * 28 desaparecidos * 771 feridos Os Comandos constituíram cerca de 1% de todas as forças presentes na Guerra Colonial, mas o número das suas mortes foi cerca de 10% do total das baixas; uma percentagem 10 vezes maior do que as outras forças regulares. Os Comandos também eliminavam mais guerrilha e capturavam mais armas do que as outras forças. Essas características fizeram com que fossem os únicos a conseguir uma aura mística que permaneceu mesmo após o fim da guerra.

Os militares dos comandos receberam por feitos em combate as seguintes condecorações individuais:

– Ordem Militar da Torre e Espada – 12;

– Medalha de Valor Militar – 23;

– Medalha da Cruz de Guerra – 375.

LEMA: ” A Sorte Protege os Audazes”, retirado da Eneida, de Virgílio: “Audaces Fortuna Juvat”.

Grito de Guerra: “Mama Sumae” – “Aqui Estamos, Prontos Para o Sacrifício!”. Grito do bailundo (Homem de uma tribo BANTO do sul do Continente Africano) armado de lança contra o leão no ritual de passagem da adolescência à maturidade.

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