Por vezes é necessário olharmos para dentro do nosso barco, em vez de espraiarmos a vista pelo horizonte que se perfila à proa, de espreitar a estibordo e a bombordo, e até de deitar um olhar nostálgico para o que a popa deixa na sua esteira.
Mudámos de plataforma e isso pressupõe sempre dois a três meses de readaptação. Sabemo-lo porque contando com o blogue que antecedeu este, o Estrolabio, vamos no quarto começo. A descida de leituras foi abrupta – de uma média de seiscentas visitas diárias, estamos com cerca de 200. A subir, mas muito lentamente. Temos, pelas três experiências anteriores, a convicção de que a recuperação se fará em poucos meses e que esta plataforma vai potenciar uma expansão relativamente rápida, permitindo-nos atingir índices de frequência e de leitura nunca antes alcançados. É preciso paciência e perseverança.
Manter um blogue a funcionar, sendo uma tarefa modesta, não é um trabalho fácil. Há cerca de dois anos, publicou a sua última edição um blogue de grande qualidade, um dos mais bem feitos e com melhor colaboração que temos tido ocasião de ver. Referimo-nos a Caminhos da Memória, um projecto diferente do nosso, com colaboradores dos mais diversos quadrantes políticos (de esquerda) tal como nós, mas com um critério editorial mais selectivo. No editorial da última edição dizem – «Os «Caminhos da Memória» suspendem hoje a sua publicação. Começámos este projecto há quase dois anos, procurando corresponder às expectativas de todos os nossos colaboradores e leitores, e é por não querermos defraudá-las que a maioria de nós faz esta escolha: consideramos que o modelo que adoptámos está de certo modo esgotado e que seria necessário adoptarmos um outro para o qual não estamos neste momento preparados». Segundo nos disseram, além ddas razões que aduzem e que são compreensíveis, embora tivesse uma equipa redactorial vasta, mesmo assim, dizem-nos havia quem ocupasse 14 horas na elaboração do blogue. Dizem-nos que terá sido esse um dos motivos da suspensão de um blogue de tão grande qualidade e ao qual aproveitamos para prestar a nossa homenagem.
Com uma equipa coordenadora de dois elementos e um pequeno grupo de editores e de autores que fazem as suas postagens, sendo os dois coordenadores que colocam a grande maioria dos artigos, mantemos um ritmo de publicação intenso que apenas suspende a edição entre a uma e as sete horas. O nosso modelo, por mais ecléctico (ou menos exigente) não se esgota tão depressa. Em todo o caso é preciso não cair na rotina. Estamos, por isso, empenhados numa reestruturação que vai da reordenação dos horários ao agrupamento dos posts em blocos temáticos. Temos a convicção de que vamos ultrapassar as dificuldades que se apresentam e vamos também, muito em breve, poder melhorar a qualidade de A Viagem dos Argonautas.

