Foi nesta casa que, em 9 de Setembro de 1973, nasceu o MFA. Com a presença de 95 Capitães, 39 Tenentes e 2 Alferes, realizou-se no Monte Sobral em Alcáçovas, a primeira reunião plenária do «movimento dos capitães». Houvera já em Bissau, em 21 de Agosto de 1973 uma primeira reunião, mas foi a 9 de Setembro na reunião do Monte Sobral que foi formalmente criado o Movimento das Forças Armadas.
Em 5 de Março de 1974 foi aprovado o primeiro documento do movimento: Os Militares, as Forças Armadas e a Nação que logo circulou clandestinamente, sendo lido nas múltiplas reuniões que os oposicionistas realizavam por todo o País..
A famosa vigília da Capela do Rato, na passagem do ano de 1972 para 73 e a vaga de prisões a que deu lugar, catalizara as diversas oposições. A informação que ia chegando sobre o MFA, constituía uma fonte de esperança para quem conspirava. Depois, os acontecimentos precipitaram-se. Em 14 de Março o governo demitiu os generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de Vice-Chefe e Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, alegadamente, por estes se terem recusado a participar numa cerimónia de apoio ao regime (a chamada homenagem da «brigada do reumático»). Spínola editara, com a cobertura de Costa Gomes, o livro, Portugal e o Futuro, onde defendia a tese de Portugal constiuir com as colónias uma federação de países. Era uma proposta inviável, mas foi considerada subversiva. Em 16 de Março, desencadeou-se o chamado «golpe das Caldas», facilmente jugulado pelas forças leais ao regime. No dia 24 de Março a última reunião clandestina do MFA decidiu o derrube do regime pela força. Os dados estavam lançados.