RUA COM ELES! – Magalhães dos Santos

 Deu-me, há dias, para arranjar uma lista de –fobias, de –manias e de –filias.

Vou hoje falar-lhe – muito por alto – de -filias.

É sufixo de origem grega. Falando mais adequadamente: é um pospositivo, proveniente do grego, phílos,é,on,  ‘amigo, querido, queredor (1) agradável, que agrada, ‘ acrescentado do sufixo formador de substantivos abstratos –ia.

Embora muitas –filias sejam absolutamente inocentes, de que se pode dizer que não fazem mal a uma mosca, doutras já a psicopatologia se apoderou “indecentizando-as”, dando-lhes uma mórbida conotação sexual.

Confesso-lhes que ao ler a lista – quase cento e cinquenta delas, mas já vi que há bem mais – recordei a frase “tudo está na Natureza”. E não foi pelos melhores motivos que ela me acudiu.

É que fiquei a saber que há taras sexuais absolutamente incríveis. Há gente (alguma não merecerá estar aí incluída, ou então eu prefiro ser salsa ou basalto) que só se excita sexualmente com as coisas, com as circunstâncias mais… absurdas, mais abstrusas, mais… cruéis, algumas das quais nem sequer encontrei no dicionário.

Amaurofilia – preferências por cegos. Automisofilia atração por que o/a sujem, corrompam. Há muitos, cá no País, que a tudo se sujeitam para que os corrompam. Têm muita relação com a coprofilia, atração pelas fezes. Há muito portuguesinho/a que se delicia a nadar na trampa. Emetofilia – gostam de vomitar. E o pior é que vomitam para cima do povo, leis, decretos, desvios, nomeações indecorosas. Flatofilia, prazer mórbido em cheirar os gases intestinais próprios ou do/a parceiro/a. Nem comento, só os/as imagino, uns com os outros a empaturrarem-se de grão-de-bico, de feijão branco, de feijão-frade, de feijão vermelho, pra depois se deliciarem, uns com as outras e as outras com os uns, cada qual a ver quem mais perfuma o/a parceiro/a. Psicrofilia, obsessão mórbida por ver pessoas com frio. É a mesma canalha de que estou falando: têm prazer em enregelar o Povo, em despojá-lo de todo o vestuário, de toda a proteção contra as intempéries, de o sujeitar à morte por enregelamento.

Há umas –filias, uns –ófilos que sinto-intuo que estão recheados de sentidos confusos, a precisarem de ser muito bem esclarecidinhos.

Pedófilo é palavra que julgo definitivamente condenada ao sentido mais insultuoso, mais repugnante. Aquele elemento ped- é o que se encontra também em pedagogo e em pediatra, por exemplo. É grego e significa simplesmente criança, menino/a. Pedófilo deveria significar,  etimologicamente, simplesmente amigo de crianças, pessoa que se interessa pelo bem-estar de crianças. Dispenso os Prezados Passageiros e Caros Companheiros de Tripulação, e poupo-me a mim também ao nojo de dizer em que sentido a palavra involuiu, e o insulto que ela hoje constitui.

Zoófilo é tão nobre que até há uma União Zoófila. Mas um zoófilo pode ser também um tarado sexual que gosta de relações desse tipo com animais.

Bem nos ia a nós todos, cidadãos deste País, se os autodenominados “governantes” deste desgraçado Povo fossem ipsófilos: satisfaziam-se sexualmente com eles próprios, sem andarem a fornicar-nos a todos (excluindo as horrorosas… exceções dos queridinhos, dos privilegiados, dos seus eleitos afetivos, que também beneficiam e participam das orgias governamentais.

Outra palavra – e com ela termino este escabroso artigo – que tem de ser usada com pinças e luvas almofadas é demofilia. Bem construída está ela: com o elemento demos-, que significa povo, com o pospositivo -filia, que significa estima, carinho, amor. Mas que, na teratologia sexual significa excitação erótica com as multidões. Mas um demófilo – que, em vez de ser pessoa que sente amor, estima, carinho pelas multidões, um amigo do bem-estar do Povo (dum País ou do Mundo), é, inversamente,  um tarado que delira com as torturas que inflige aos seus Compatriotas ou à Humanidade. Um anormal que goza com as dores que nos causa. Um sádico que se compraz e só atinge o prazer supremo quando nos conduz à miséria, à morte lenta, à agonia mais dolorosa.

Tarados, anormais, sádicos, eis o que são os monstros que estão à frente dos destinos de Portugal.

Por quanto tempo?

Não serão extraterrestres nem enviados do Senhor Deus do Universo que virão valer-nos e livrar-nos desta praga.

Teremos de ser nós, NÓS, a expulsá-los. Não ficando a esperar que se demitam! Mas a tirá-los do poleiro, a expulsá-los (todos, eles são todos solidários, cúmplices, coniventes, bandidos do mesmo bando, hienas da mesma alcateia).

Ter pena dos lobos é ser contra as ovelhas.

Rua com eles!

Não!… Presídio com eles!

                                                                                                                                                                                                                               Magalhães dos Santos

(1)   Não encontrei esta palavra no Porto Editora 8ª – 1998. Não me parece mal formada, é entendível, mas com certeza ainda não tem abonação suficiente para entrar no nosso melhor dicionário.

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