(Continuação)
Estas crenças no rejuvenescimento provocam a imaginação, dando origem a histórias que vivem ao longo dos séculos. Deixo aqui um exemplo:
“Há muito tempo atrás, existia uma rapariga muito feia que pertencia a uma família muito pobre. A rapariga não se importava de ser pobre, pois percebera que a felicidade não se encontrava nos bens materiais. No entanto, quando ficou em idade de casar, não surgiu um único pretendente para a desposar. Não apenas pela sua pobreza mas essencialmente pela sua falta de graça. A rapariga ficou tão desesperada que decidiu suicidar-se, lançando-se das rochas de Pamukkale. No entanto, quando se atirou caiu dentro de uma das bacias que estava cheia de água e sedimentos. O filho do Senhor de Denizli estava a passar e aflito, correu para a bacia. Lá encontrou uma rapariga muito ferida e aleijada, mas de uma beleza surpreendente. Pegou nela e levou-a até à casa de seu pai onde cuidou dela com todo o cuidado. Quando a rapariga recuperou, casaram-se e viveram felizes para sempre”. (Fonte: mega.ist.utl.pt)
Chegado o momento de deixarmos Pamukkale, dirigimo-nos ao Hotel para jantar e dormir, mas já com o pensamento na Capadócia, com paragens em Konya, antiga capital do Sultanato Seljúcida de Rum e cidade santa dos Derviches Dançantes.
No caminho, pudemos observar vários campos de papoilas, com áreas significativas, de que a imagem abaixo é uma pequena amostra, apressando-se a guia a esclarecer-nos de que o seu cultivo era controlado pelo Estado e toda a sua produção se destinava a fins medicinais.
Segundo o dicionário, papoila é o nome vulgar de «papaver somniferum», também conhecida por «dormideira», naturalmente pelas suas propriedades narcóticas, dela se extraindo o ópio. No entanto, há que especificar que há 28 géneros de papoilas e 250 espécies, mas apenas de duas delas é possível extrair uma quantidade significativa de ópio: «papaver bracteatum» e «papaver somniferum», sendo esta última originária da Ásia Menor e, portanto, cultivada na Turquia mas também no Irão, no Líbano, na Grécia, na ex-Jugoslávia, na Bulgária, na Índia, na China e, claro, no Afeganistão.
A sua flor é de uma beleza inigualável e de grande delicadeza, não havendo possibilidades de a ver a ornamentar uma jarra dado que, quando cortada, murcha quase de imediato. Conhecemo-las de cor vermelha, branca e preta, mas desconhecemos se todas as papoilas destas cores têm as mesmas propriedades; as que vimos na Turquia eram de cor branca, como a fotografia mostra.
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