PECADO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet 

 

– Quanto tempo é que ele demora?

– Pelo menos mais meia hora.

– Então ainda temos tempo para dar mais uma.

Aurora atira-se ao Padre, beijos, suspiros, erotismo, ela com um orgasmo gritado.

– Andas sempre com fome.

– De ti tenho sempre fome, és o meu homem.

– O teu homem é o Joaquim.

– Esse é o meu marido, o meu homem és tu.

– Que distinção é essa?

– O Joaquim, coitado, raramente se explica na cama. Nem sei como ele conseguiu tirar-me os três vinténs.

– Que linguagem ordinária…

– Mas verdadeira. Só por isso eu digo que a Isabel é tua filha.

Padre Inocêncio levanta-se e começa a vestir-se.

 – E eu gosto dela como se fosse realmente minha filha.

– E é, já te disse que é.

 Aurora levanta-se e começa a vestir-se.

– Pecado, isto é tudo um pecado! E mortal, mortal…

– Lá será… Mas como Deus nos fez assim, Ele lá sabe como somos…

Acabaremos por ser perdoados.

– Isso dizes tu, porque és apenas uma mulher que sucumbiu à tentação.

– E tu és apenas um homem que sucumbiu à tentação.

– Mas sacerdote, sacerdote! Já te esqueceste? Já viste a dimensão do meu pecado?

 

in PENHASCO

 

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