TEM PROBLEMAS PARA RESOLVER? ENTÃO DURMA ! por clara Castilho

Há cerca de um mês realizou-se na Fundação Gulbenkian o seminário “Brain.org”. Das conferências que ouvi, considerei uma das mais interessantes a que abordou a questão do sono. O investigador de neurociências da Universidade da Califórnia Matt Walker, chamou a atenção para o «pouco sono» de muitas sociedades actuais, recorrendo a automedicação ou a outras formas mais «tradicionais» como a cafeína.

Salvador Dali

Em todas as espécies o sono parece estar sempre presente, em todas as fases da vida e da evolução. O sono é essencial para preparar o cérebro para aprender coisas novas e para reforçar a memória, mas também para relacionar e integrar informações inicialmente dispersas e chegar a ideias inovadoras, a propostas criativas para problemas. É como se fossemos dormir com várias peças de um puzzle na nossa cabeça e acordarmos com o puzzle feito, resumiu.

Mesmo quando o cérebro parece estar desligado, ainda está ligado. Pode recapitular muitas coisas.

O dormir tem um papel fundamental nas aprendizagens, permite integrar informações para termos novas respostas a perguntas anteriores. Regula o cérebro emocional.

A fase REM é a fase do sonho. Permite-nos ver coisas que não existem; acreditar nessas coisas; mas ficando confusos e as  emoções são flutuantes.

Depois, acorda-se e sofre-se amnésia. Se estivermos acordados teríamos que recorrer a tratamento psiquiátrico. E porque é que isto acontece?

O sono possui cinco fases distintas – quatro de não REM e uma REM (de rapid eye movement – movimento rápido dos olhos). Todas as noites, passamos por quatro a seis ciclos de sono, durante os quais alternamos entre estes dois estados.

O sono é essencial para prepararmos o cérebro para absorvermos coisas novas.

E se não dormirmos? Relatou uma experiência com estudantes que não dormiam. Testaram-se aprendizagens depois de 2 noites de reparação do sono. Perante tarefas com elementos de emoção, estas tendem a perdurar mais do que as outras (só referentes a palavras). Há uma diferença de 40 % na capacidade de aprendizagem.

A privação do sono apaga o efeito da emoção. O negativo fica mais na privação do sono. Isto talvez também explique a depressão.

O que é que pode restaurar a capacidade de aprendizagem do cérebro? Dormir, pois claro!

Dormir antes das aprendizagens é importante. Mas dormir depois das aprendizagens também é igualmente importante. O sono não só reforça o que aprendemos, como também integra as memórias, sobretudo a memória relacional e a associativa.

Deu o exemplo de Thomas Edyson que atribuía a sua enorme energia e resistência ao hábito de dormir sempre que desejava, arranjando forma de acordar quando estava na fase em que podia fazer associações que lhe interessassem para as suas descobertas.

Em França diz-se :”Dormir com o problema”. Em Inglaterra: “Dormir sobre o problema”. Também pode ser “Adormeça sobre o problema”.

Dormir ajuda a resolver problemas. Lá diz o ditado: “Dormirei, boas novas acharei”

Pois é, lá se foi o temor a Morfeu!

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