REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

“Temos de enfrentar  as deficiências estruturais da nossa economia”, disse o ministro das finanças em Berlim. 

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

O Ministro da economia, Pierre Moscovici. © ERIC PIERMONT / AFP

A França  está a fazer  um “esforço histórico” para  endireitar as suas finanças públicas,  ao mesmo tempo que  está a fazer as  reformas estruturais necessárias, disse neste sábado o ministro das Finanças francês, Pierre Moscovici, em Berlim.

‘ Devemos  passamos  dos  5% do défice  (público)  relativamente ao PIB para 3% num  ano. ‘ É essencial. É uma questão de credibilidade. (…) ”  Não podemos fazer as coisas por metade ” disse Pierre Moscovici, aquando de um  Fórum Económico organizado pelo partido Social-Democrata Alemão (SPD). ” Repare-se  no esforço que isto representa para a economia, o facto de ter que aceitar uma punção de 37 mil milhões de euros ao longo de apenas um ano, isto é histórico,” acrescentou o ministro, face a uma  assistência que reúne alguns directores executivos de grandes empresas europeias e o candidato do SPD para  o posto de Chanceler,   o principal adversário  de Angela Merkel na oposição, Peer Steinbrück.

Rejeição das políticas qualificadas  de ‘austeridade’

“Nós temos  de enfrentar as debilidades  estruturais da nossa economia, que não foram tratadas a sério ao longo de muitos anos,” disse ele   numa crítica implícita aos governos franceses anteriores, que foram  liderados  pela  direita . ” A nossa política económica   assenta  em dois pilares: uma estratégia de consolidação orçamental que  seja  justa e economicamente eficiente (…), as reformas estruturais  à francesa , o aumento da competitividade que preserve   o nosso modelo social”, disse ele. “Temos de fazer as duas ao mesmo tempo  “, disse ele.

Ele rejeitou firmemente a ideia de que a crise pode ser utilizado como sendo ela a única desculpa para a fraqueza do crescimento da economia francesa. “A crise é um revelador das fraquezas da economia francesa, não a sua causa,” disse ele. Ele aliás  também rejeitou as  políticas dita de  “austeridade” que iriam fazer incidir  o custo  das reformas sobre os mais frágeis. “Eu acho que não se pode  de modo  nenhum querer  estabelecer uma potência industrial sobre a fragilidade do  seu  modelo social”, disse ele. ” Os países europeus menos ambiciosos   na sua  política social estão agora em recessão, enquanto outros  que têm estado   tradicionalmente  mais ligados a um modelo de redistribuição do rendimento mais aprofundada  estão comparativamente em muito melhor situação neste  contexto de crise. “, observou. “

Le Point,  “Il faut s’attaquer aux faiblesses structurelles de notre économie”, a affirmé le ministre des Finances à Berlin,  20/10/2012.

Leave a Reply