“Temos de enfrentar as deficiências estruturais da nossa economia”, disse o ministro das finanças em Berlim.
Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
O Ministro da economia, Pierre Moscovici. © ERIC PIERMONT / AFP
A França está a fazer um “esforço histórico” para endireitar as suas finanças públicas, ao mesmo tempo que está a fazer as reformas estruturais necessárias, disse neste sábado o ministro das Finanças francês, Pierre Moscovici, em Berlim.
‘ Devemos passamos dos 5% do défice (público) relativamente ao PIB para 3% num ano. ‘ É essencial. É uma questão de credibilidade. (…) ” Não podemos fazer as coisas por metade ” disse Pierre Moscovici, aquando de um Fórum Económico organizado pelo partido Social-Democrata Alemão (SPD). ” Repare-se no esforço que isto representa para a economia, o facto de ter que aceitar uma punção de 37 mil milhões de euros ao longo de apenas um ano, isto é histórico,” acrescentou o ministro, face a uma assistência que reúne alguns directores executivos de grandes empresas europeias e o candidato do SPD para o posto de Chanceler, o principal adversário de Angela Merkel na oposição, Peer Steinbrück.
Rejeição das políticas qualificadas de ‘austeridade’
“Nós temos de enfrentar as debilidades estruturais da nossa economia, que não foram tratadas a sério ao longo de muitos anos,” disse ele numa crítica implícita aos governos franceses anteriores, que foram liderados pela direita . ” A nossa política económica assenta em dois pilares: uma estratégia de consolidação orçamental que seja justa e economicamente eficiente (…), as reformas estruturais à francesa , o aumento da competitividade que preserve o nosso modelo social”, disse ele. “Temos de fazer as duas ao mesmo tempo “, disse ele.
Ele rejeitou firmemente a ideia de que a crise pode ser utilizado como sendo ela a única desculpa para a fraqueza do crescimento da economia francesa. “A crise é um revelador das fraquezas da economia francesa, não a sua causa,” disse ele. Ele aliás também rejeitou as políticas dita de “austeridade” que iriam fazer incidir o custo das reformas sobre os mais frágeis. “Eu acho que não se pode de modo nenhum querer estabelecer uma potência industrial sobre a fragilidade do seu modelo social”, disse ele. ” Os países europeus menos ambiciosos na sua política social estão agora em recessão, enquanto outros que têm estado tradicionalmente mais ligados a um modelo de redistribuição do rendimento mais aprofundada estão comparativamente em muito melhor situação neste contexto de crise. “, observou. “
Le Point, “Il faut s’attaquer aux faiblesses structurelles de notre économie”, a affirmé le ministre des Finances à Berlin, 20/10/2012.
