REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção, tradução, e introdução por Júlio Marques Mota

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O euro, stop ou então? Entrevista com Philippe Murer

Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012,

(CONTINUAÇÃO)

Parte IV

– Hollande, a retoma económica e o TSCG

Para Murer, a chegada de Hollande em Maio não mudou nada de fundo, pois ele apenas recebeu concessões menores, incluindo um plano de relançamento de 120 mil milhões de estímulos já em grande parte obtidos por Sarkozy e cujo impacto será mínimo, porque ele representa apenas 1% do PIB da zona .

Pelo contrário, Hollande voltou atrás (conforme se esperava …) na sua promessa de renegociar o TSCG e prepara-se para votar uma lei orgânica em Outubro [já votada] para o ratificar sem qualquer alteração da Constituição, uma vez que o Conselho Constitucional considerou  em Agosto que isso não era necessário. Para Murer, este TSCG é um escândalo do ponto de vista da Democracia porque depois de ter perdido o controle da política monetária, os Estados vão agora perder muito da sua soberania orçamental e vão coloca-la sob o jugo da Comissão Europeia que poderá dar o seu parecer sobre o orçamento, punir os países que não respeitam seus compromissos e impor reformas ultraliberais, se necessário. No plano económico, o respeito da regra de ouro, também chamada a regra do travão da dívida (não mais de 0,5% do défice estrutural) impedirá toda e qualquer política de relançamento da economia, o que é contrário à vontade que Hollande expressou para o relançamento da economia no centro da agenda europeia. No final e como sempre, desde 1983, a continuação do processo europeu passa acima de toda e quaisquer outras considerações para os socialistas.

murerentrevista - XIII

Partie 3 : Evolução do BCE, saída do euro e alternativas

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murerentrevista - XIV

Evolução do BCE, monetização e rigor para salvar o euro?

A entrevista teve lugar em 30 de agosto, portanto antes do anúncio oficial em 6 de Setembro, por Mario Draghi, de que o BCE decidiu comprar a dívida dos Estados que lhe enviassem  uma solicitação a fim de reduzir as taxas de juros para níveis aceitáveis. Na verdade, isso não é uma compra directa da dívida pública, mas uma aquisição no mercado secundário isto é, aos bancos ou aos investidores que a detêm. Esta decisão era esperada desde o início de Agosto, e Philippe Murer portanto fala dela ainda aquando da entrevista, explicando que, na sua opinião, esta orientação do BCE será positiva a curto prazo para a Espanha e para a Itália, mas mais fundamentalmente esta medida é portadora de perigo para a zona euro. A intervenção do BCE está na verdade condicionada, relativamente aos países beneficiários, ao facto de que que estes têm que ter em execução um plano de rigor e de reformas estruturais, recomendado pela Comissão. Esta inversão da prática do BCE poderia, portanto, permitir uma certa forma de perpetuar estas medidas de austeridade, forçando os países a aceitá-las sob pena de verem novamente as taxas da sua dívida a explodir. Para Murer, Merkel fez esta pequena concessão da dívida relativamente à doxa alemã da não monetarização para ganhar tempo e evitar uma explosão do euro antes das próximas eleições em 2013.

A monetarização das dívidas pelo BCE é reclamada desde longa data por muitos adversários na Europa de agora, e para Murer esta decisão chega tarde demais para realmente fazer sair os países do Sul da recessão e não está virada para a recuperação da indústria nesses países, o que seria bem desejável.

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