GALERIA DE PERSONAGENS ILUSTRES – O CAMARADA ABEL, O CANDIDATO CHERNE E O SENHOR PRESIDENTE – por Sérgio Madeira

Sigamos, pois, o cherne, antes que venha,
já morto, boiar ao lume de água

Alexandre O’Neill

O direito a virar a casaca é uma conquista de Abril. O João Abel Manta, no seu famoso cartoon, fixou a azáfama que, logo  a partir de 26 de Abril de 1974, assoberbou os alfaiates.

Nem a troika, nem a senhora dona Angela nos podem retirar tal prerrogativa consagrada na Lei Fundamental. Todos têm o direito de evoluir, de mudar de nacionalidade, de estado civil, de credo religioso, de partido, de clube de futebol, de opções sexuais e até de sexo… – o direito à mudança é inalienável e o da evolução nem se fala – mais do que um direito é um imperativo biológico – sem o qual ainda estaríamos a respirar por guelras. Como os besugos, a perca-do-nilo ou o cherne. Por falar em cherne, lembram-se do “Cherne” (Sigamos, pois, o cherne…)  Sim? e do Abel? Não falo nem do mano do Caim, nem do guarda Abel e muito menos do Abel Manta, mas sim do camarada Abel – vejam  à direita esta página do velho Independente, de Janeiro de 1995. Reproduz um artigo do camarada “Abel” (Durão Barroso), retirado do Luta Popular, o órgão do comité central do MRPP,  de 2 de Maio de 1975.  “A vida e a obra de Estaline» o camarada Abel, contarriando a linha do partido, não era de modas – quem não idolatrasse Estaline, era politicamente leproso.

Abel, Cherne, Durão Barroso, tal como no mistério da Santíssima Trindade em que três pessoas distintas se reúnem na hierática personagem que dá pelo nome de Jeová, também neste caso as tês entidades dão lugar ao Zé Manel. Mas vamos lá ao cherne da questão. Da Wikipédia, transcrevemos: «A sua actividade política teve início nos seus tempos de estudante, antes da Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974. Foi um dos líderes da FEM-L(Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas), as “jotas” do Movimento reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP), força política de inspiração maoísta. Durão Barroso foi expulso do MRPP depois de ter demonstrado uma série de atitudes que atentavam contra os princípios pelos quais o partido se movia; por exemplo: A situação em que Durão Barroso surge na sede do PCTP/MRPP com uma carrinha cheia de mobília da Faculdade de Direito de Lisboa, roubada na sequência dos tumultos pós 25 de Abril. Nesse instante, Arnaldo Matos (líder do partido) ordena a Durão Barroso que vá devolver o material roubado. Em 1980, Durão Barroso aderiu ao Partido Social Democrata, partido do centro-direita português, no qual está filiado até hoje:»( no PSD não obrigam a devolver o que se rouba?). Ouçamos o camarada Abel:

Projecto de petição

Para os devidos efeitos, os signatários declaram não ser responsáveis pelo pagamento de mobílias eventualmente desaparecidas da sede da União Europeia.

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