DEPOIS DE A SENHORA GORDA CANTAR, por Edward Hugh.

Selecção, tradução e nota de leitura por Júlio Marques Mota

Nota de leitura sobre um texto de Edward Hugh relativo à Grécia, sobre Christine Lagarde, sobre Filomena Mónica, sobre  Boaventura Sousa Santos também.

Um texto difícil, um texto importante, um texto de um grande analista que procura descorticar duas afirmações da Directora-geral do FMI e a partir daí reflectir sobre o futuro da Europa, é o texto que aqui iremos apresentar de Edward Hugh.

Porém numa primeira leitura parece-nos um texto enigmático, muito enigmático mesmo. Traduzi-o, fiquei na dúvida com as minhas dúvidas. Será que não percebo o texto, será que o traduzi mal, serão  as duas coisas?

Sou de Coimbra e, como tal, ignorante à luz do que pode pensar Filomena Mónica, mas garantidamente nunca evangelizado, por muito que nela se possa acreditar. De resto, não penso que por aqui haja alguém evangelizado no sentido que a socióloga citada dá ao termo, e como aparece escrito nos seus artigos sobre Coimbra, sobre a Universidade, sobre o que cá se ensina e sobre a forma como por aqui se trabalha, artigos estes que, na opinião de um ignorante ignorantemente assumido, se situam à altura de verdadeiros pasquins como o que recentemente escreveu relativamente ao Boaventura Sousa Santos.

Sou de Coimbra e não tenho problemas em assumir a minha ignorância e não considerando que alguém mais o seja,  nem mesmo ela, na sequência do mesmo artigo de Filomena Mónica, mas o que sei, como ignorante, é que o ensino superior, e o outro também, em Portugal nos últimos anos foi arrasado pelos Marianos Gagos e pelas Marias de Lurdes Rodrigues e seus comparsas, o que sei igualmente é que nunca vi a voz de nenhum deles, Boaventura Sousa santos e Filomena Mónica,  revoltar-se contra isso. O silêncio foi de ouro para os dois sociólogos. Terão a suas razões que não são as minhas. Das minhas razões resta-me a minha revolta pelo que se está a fazer à nossa juventude, e ficou-me a decisão de sair antes do final do meu contrato, antes dos setenta anos para não validar a ignorância que se produz nas Universidades portuguesas actuais. Bolonha é uma vergonha, gritam agora os estudantes da Universidade Nova, Bolonha é uma vergonha protestei eu junto de Marçal Grilo, Bolonha é uma vergonha, escrevi-o eu bem antes de Bolonha se iniciar. Mas isto é uma coisa, outra é aquilo a que a socióloga se refere no artigo citado e que é também tema nesta nota a um texto de Edward Hugh sobre a crise, texto  de um autor que se situa a nível incomparavelmente bem superior, e de que maneira, ao da socióloga citada.

O que ressalta deste artigo tipo pasquim de Filomena Mónica mais parece ser a inveja por um projecto financiado, com muito dinheiro, pela União Europeia e atribuído a Boaventura Sousa Santos que o irá dirigir, mais isso do que outra coisa qualquer.

O que ressalta deste artigo digno tipo pasquim é a disponibilidade para um outro financiamento desde que lhe seja concedido a ela.

O  que ressalta desse artigo tipo pasquim é  o espanto de vermos  Boaventura Sousa Santos criticado por criticar as políticas que emergem das decisões de banqueiros vindos de um antro de um verdadeiro Ali Babá e os seus quarenta ladrões, antro co-dirigido por  Mário Draghi, a lembrar o banco  Goldman Sachs, a manipulação das contas na Grécia, a lembrar Mário Draghi e o BCE, a lembrar o homem que quer salvar simultaneamente o euro e o neoliberalismo que está a destruir toda a zona euro e o euro igualmente, antro co-dirigido por Durão Barroso, por Juncker, por Rompuy, pelo bando dos quatro, afinal.

O  que ressalta deste artigo digno de pasquim é o elogio directo das políticas assassinas que se abatem por esta Europa condenada a uma crise profunda a durar por muitos anos tais os desgastes que lhe estão a ser introduzidos.

O mínimo de inteligência e ou de honestidade intelectual levaria antes a que Filomena Mónica se interrogasse sobre o porquê desta dívida pública agora instalada, sobre o porquê destes juros usurários aos Estados exigidos, sobre o porquê de reforçar e de endurecer o antigo Pacto de Estabilidade e substituindo-o pelo Pacto Fiscal, amarrando-se assim ainda mais os Estados  e reduzindo-os  à impotência total face aos mercados, quando são estes que apresentam fortes disfuncionamentos. Seria mais honesto, seria mais inteligente e isso fá-lo muito bem  o Boaventura Sousa Santos pelo que a Filomena Mónica nos diz e pelo que dele sabemos.

Mas isto fá-lo também e de forma magistral, Edward Hugh em vários textos que possivelmente nenhum dos dois sociólogos terá lido. E por isso não devem ser criticados, pois trata-se de um especialista da crise que diríamos é quase de outro planeta, tal a ignorância que se sente face ao que está a passar. É pois de Edward Hugh que passaremos a falar assim como  da nossa eventual ignorância face ao seu texto com o título “Depois de a senhora gorda cantar”.

Estou portanto à vontade para assumir a minha ignorância e dizer que tive muita dificuldade em perceber este artigo que agora estou a apresentar. Texto de uma dimensão cultural agora cada vez mais rara e que nada tem a ver com o artigo citado de Filomena Mónica, texto compacto que procura decifrar a opacidade dos políticos de aos destinos da Europa presidem, a que nós chamámos o bando dos quatro, não o do Sueste Asiático dos tempos de Mao Tsé Tung mas o bando que esta Europa domina e mantém agrilhoada, refém da sua maldade e das políticas que este bando lhe impõe. Tive dúvidas no sentido do texto de Edward Hugh.  Solicitei a um bom economista e bem batido na língua do autor de Hamlet que me revisse o texto não fosse o problema ser derivado não da minha ignorância da leitura na língua de Camões mas sim da ignorância da leitura na língua de Shakespeare. E o texto veio e as minhas interrogações mantiveram-se.

E como ignorante que admito ser na óptica de Filomena Mónica (sou de Coimbra e pertenço à Universidade de Coimbra e à Faculdade de Economia) passo a expor a minha leitura do texto que abaixo se reproduz.

O texto fala-nos a partir de uma frase “indecifrável” de Christine Lagarde: depois a senhora gorda cantará. Mas quem é a senhora gorda e o que é que cantará é a pergunta que terão feito muitos jornalistas à saída da reunião em Manila. E é a essa pergunta que Hugh procura responder, sublinhando que a frase pode ser entendida como referida a um jogo de futebol americano onde a expressão é muito utilizada, como é utilizada nos NEGÓCIOS para significar que um negócio não está efectivamente fechado. Mas Lagarde diz mais, deixa cair pequenas expressões, diz-nos que qualquer acordo deve ser “baseado na realidade e não em tomar os desejos por realidades” que “se deve estar com os pés bem assentes na realidade”,

A partir daqui, Edward Hugh analisa a situação da Grécia à luz do que se está a passar e à luz do que se pode perspectivar quer a partir da posição de Lagarde e da dinâmica social que a crise está já despoletar, quer a partir das eleições na Alemanha, em Setembro próximo.

Relativamente ao acordo estabelecido com a Grécia e não aplicável a Portugal porque ainda não estamos a morrer de fome e com a mesma falta de medicamentos como na Grécia, só por isso, o que é devido às políticas praticadas ou exigidas pelos senhores elogiados por Filomena Mónica, e aí diz-nos Hugh que contra Juncker e todos os senhores de Bruxelas e Frankfurt e mesmo até de Berlim, Lagarde entende que o acordo alcançado deve ser rejeitado, até porque o que “ Christine Lagarde deixou claro em Manila é que o facto de se estar “com os pés assentes na realidade” significa que a melhor forma de os países da zona euro poderem dar um sinal forte e credível de que continuam empenhados em que a Grécia se mantenha no euro é concordarem de alguma maneira em arranjarem um meio – a fórmula não é importante – para reduzir a dívida que a Grécia lhes deve.” Nada disto tem a ver com o que Bruxelas decide, pois o que nesta capital se faz é apenas comprar tempo aos mercados de capitais e nada mais.

A partir daqui quem é a senhora gorda, afinal? Poderá ser Merkel e as eleições alemãs assim como o que ela irá falar, fazer, depois face à crise europeia, depois das eleições que irão decorrer em Setembro próximo.

Mas a Europa está em profunda crise, à beira de se tornar uma pira já a arder e cujo fogo se pode propagar rapidamente a toda a Europa a partir de agora ou a partir de Setembro. Claramente, Edward Hugh pensa que Merkel irá seguir os mercados de capitais e meter ainda mais o acelerador a fundo nas políticas de austeridade e a zona euro irá explodir  ou, alternativamente,  não o faz  e continua a mesma política e ao mesmo ritmo , ou seja, continua a política de comprar tempo e a  zona euro  desmembra-se na mesma.

A partir daqui a senhora gorda  poderá ser não a senhora Merkel em si-mesma, mas sim  a senhora Merkel, transformada por força das suas decisões e das dos fanáticos do Bundesbank entre os quais pontifica Jens Weidmann,  numa personagem da mitologia nórdica. Diz-nos Edward Hugh:  “Uma investigação mais funda no mundo das lendas urbanas revela que a mulher em questão não pode ser outra senão Brünnhilde, guerreira e valquíria da mitologia nórdica, bem como heroína na famosa ópera dramática de Wagner “O Crepúsculo dos Deuses”. Como se recordarão os fãs de ópera, quando a canção chega ao fim, o mundo de Valhalla desaba abruptamente, quando Brünnhilde se lança a si própria para uma pira funerária em chamas, desencadeando assim a destruição final daquele mundo”.

Será isso que pensa Lagarde quando fala da senhora gorda que irá cantar?  Ainda segundo o nosso autor, Lagarde, com uma consciência política que não vemos no bando dos quatro, tem medo… medo de que o Grego Hércules se canse dos seus penosos trabalhos, se canse e desça ao nível de Hades, o Deus que reina no reino subterrâneo à civilização, neste caso aqui simbolicamente o povo grego que vegeta agora nesta Europa  que os  massacra e abandona a seguir. E então a senhora gorda que canta pode   ser a senhora Merkel  transformada em Brünnhilde, a Brünnhilde que se atira para a fogueira, a fogueira que aqui é a Europa.

Lagarde está por dentro da situação e tem medo, Edward Hugh analisa as suas posições e tem  medo que assim seja o pensamento de Lagarde, o pensamento  que ele tenta descortinar e resta-lhe a esperança que nos transmite, aliás,  de que afinal Lagarde talvez esteja apenas a pensar num jogo de futebol americano, porque a frase “depois da senhora cantar” também se aplica aqui. E se assim for pode dormir mais descansado.

Hércules está cansado, o povo grego está cansado e Edward Hugh também quando nos afirma num outro texto:

“Eu gostaria de ser optimista mas já com cinco anos a assistir a este fortíssimo acidente de comboio em movimento lento isto já  me deixou com a sensação de que agora se trata de um problema  que não tem solução. Os dirigentes  políticos do país não são capazes de se aperceber dos  níveis de complexidade em causa e os dirigentes da Europa não somente passam a vida a arrastar os pés  como  também metem e em simultâneo andam sempre a meter a cabeça na areia .”

E o povo português, esse, também está cansado, creio, destes políticos e dos intelectuais, cada vez mais raros, que os apoiam e, quem sabe, lhes farão alguns dos seus discursos, e todos nós, com a  excepção talvez  para  Filomena Mónica, desta política, destes bandos de políticos que nos querem matar o presente e destruir o futuro estamos bem fartos.

Esta é a minha leitura do texto que se segue a mostrar a minha ignorância, a  de quem o traduziu,  mas se assim não é que me ensinem então a ler este texto.

Depois de a senhora gorda cantar

Edward Hugh · 25 de Novembro de  2012 ·

Os jornalistas financeiros em todo o mundo ficaram surpreendidos e intrigados quando ouviram, muito recentemente, Christine Lagarde utilizar uma estranha expressão. “Sabem: não é o fim até a senhora gorda cantar, como diz o ditado”, disse aos espantados jornalistas numa conferência de imprensa em Manila. Que senhora gorda e o que é que ela canta devem ter sido questões que atravessaram a mente de muitos dos presentes.

Se fossem ver descobririam que, longe de ser alguma nova deixa de sabedoria feminina que a Directora-Geral do FMI quisesse transmitir, a frase, na verdade, tem origem no mundo machista dos negócios e dos comentadores desportivos de jogos cujo resultado se mantém incerto até ao último minuto, e, nos negócios, para significar que um negócio não está efectivamente fechado até que seja feito o último lance.

A senhora Lagarde tinha, naturalmente, outra coisa em mente. Referia-se ao estado das negociações em torno da última revisão do resgate à Grécia, antes da libertação da parcela de 31,5 mil milhões de euros há muito tempo aguardada e de que o país tanto necessitava para cumprir os seus compromissos correntes. O que é curioso nesta questão é que, neste caso, não se tratava de um impasse entre a Troika e o governo grego. Na semana passada, o parlamento grego aprovou o conjunto final das medidas orçamentais exigidas pelos credores internacionais para desbloquear a transferência.

gorda I

Não, neste caso, a disputa era um “assunto interno” entre as partes rivais que compõem a Troika e, em particular, entre o governo alemão e o FMI. O que estava em causa era como fazer com que as finanças públicas gregas pudessem, pelo menos na aparência, dar a ideia de estarem numa trajectória estável e sustentável, o que, no caso, é definido por um nível de dívida soberana de 120% do PIB, a atingir em 2020. Deferir o cumprimento das metas orçamentais do país por mais dois anos significaria efectivamente atrasar o hipotético cumprimento das metas pelo mesmo período de tempo, ou seja, até 2022. Jean-Claude Juncker estava disposto a isso, mas o FMI não estava para aí virado. Qualquer novo acordo, disse a senhora Lagarde à saída de Manila a caminho da reunião dos ministros das finanças da UE na terça-feira seguinte em Bruxelas, deveria ser “baseado na realidade e não em tomar os desejos por realidades” (wishful thinking)… Ora toma e toma, senhor Jean-Claude Juncker.

 gorda II

Então, de onde vem este endurecimento súbito da posição do Fundo ? Bem, pode ser que se trate apenas de uma coincidência, mas as eleições norte-americanas agora já acabaram. Barack Obama já não precisa de se preocupar com o efeito que uma hipotética saída da Grécia da zona euro poderia ter na sua campanha. Os membros não europeus do FMI têm-se mostrado impacientes com o tratamento de “luvas de lã” aplicado a países aparentemente ricos e têm defendido uma abordagem muito mais independente e mais firme. Com os EUA a começarem a virar a sua posição, o equilíbrio de opiniões alterou-se claramente.

A dívida da Grécia está, evidentemente, numa rota insustentável, qualquer que seja a perspectiva com que se encare. Não basta conseguir chegar a 2020, uma vez que a década seguinte vai ser demograficamente muito difícil para o martirizado país. A Grécia precisa, ou de uma redução muito mais substancial dos seus níveis de dívida, ou então de uma saída negociada do Euro.

 gorda III

Os realistas enfatizam agora este ponto de vista, mas os realistas também são pessoas pragmáticas e reconhecem que Angela Merkel está perante as próximas eleições, no Outono de 2013, e que não pode, por agora, ir mais longe nesta matéria. Por isso, o que há que fazer por agora é simplesmente e apenas gizar o princípio da coisa. Podemos mais tarde debruçarmos-nos sobre a realidade dos detalhes quando a Grécia falhar uma outra revisão da Troika, possivelmente lá para o final de 2013. O que Christine Lagarde deixou claro em Manila é que o facto de se estar “com os pés assentes na realidade” significa que a melhor forma de os países da zona euro poderem dar um sinal forte e credível de que continuam empenhados em que a Grécia se mantenha no euro é concordarem de alguma maneira em arranjarem um meio – a fórmula não é importante –  para reduzir a dívida que a Grécia lhes deve.

Como diplomaticamente escreveu o analista do Deutsche Bank, Mark Wall, no seu  mais recente relatório sobre a situação da Grécia “o objectivo da actual ronda de decisões será o de chutar a bola  para lá das eleições alemãs, em Setembro de 2013”.

Parece-me, assim, que, mais tarde, depois das eleições alemãs, poderão surgir as mais sérias implicações deste sinal inicial de “realismo”. Nessa altura, a população grega, já farta da crise até à exaustão, não estará certamente disponível para aceitar nem mais outro ano de dura austeridade, nem mais um ano de recessão, e, por isso, irá ser necessário encontrar uma solução. O desemprego estará nessa altura provavelmente acima dos 27%, e se for pedido às pessoas que suportem de cara alegre um sétimo ano de recessão, podemos, muito rapidamente, ficar à beira de uma situação do tipo “até onde é que é realmente possível aguentar”.

Se o perdão da dívida não for suficiente, então a saída da Grécia do euro (“Grexit”) vai estar sobre a mesa como uma solução admissível. Como escreveu o analista do Citi, Giada Giani, no seu mais recente relatório ” mesmo que tenha sido acordado voltar a dar uma aparência de sustentabilidade à dívida grega e que tenha sido libertada a próxima tranche do resgate, duvidamos que isso seja o acordo que resolverá a situação da Grécia de uma vez por todas. Pensamos que um cenário “Grexit” tem  ainda uma probabilidade de 60% de ocorrer nos próximos 12-18 meses.”

A calma antes da tempestade?

A crise do euro vai assim ser posta efectivamente em lume brando durante os próximos cerca de nove meses, ou pelo menos essa é a esperança das autoridades de Berlim. Naturalmente, não faltam franco-atiradores capazes de transformar esta esperança em apenas mais um exemplo do que a senhora Lagarde chama de “tomar os desejos por realidades” mas mesmo assumindo que haja um curto intervalo de alívio que o povo deseja, o que é que, na verdade, irá acontecer quando as eleições alemães tiverem passado? Para um observador externo, tudo isto se parece  com o que os gestores de fundos de todo o planeta andam a dizer, ou seja  (que a Alemanha, então, tomará as medidas corajosas que são tão evidentemente necessárias para sustentar a moeda comum), enquanto os eleitores alemães irão votar exactamente na perspectiva oposta, mesmo que talvez sejam apenas levados a pensar que o programa de compra de títulos de dívida soberana nos mercados pelo BCE é meramente temporário. Então, alguém vai ficar profundamente decepcionado e, muito em breve, os participantes dos mercados terão de começar a apostar em quem é que eles acham que vai ser.

Mas para voltarmos ao ponto em que começámos este texto, que era o de se saber quem era a tal senhora gorda e o que cantava exactamente? Uma investigação mais funda no mundo das lendas urbanas revela que a mulher em questão não pode ser outra senão Brünnhilde, guerreira e valkiria da mitologia nórdica, bem como heroína na famosa ópera dramática de Wagner “O Crepúsculo dos Deuses”. Como se recordarão os fãs de ópera, quando a canção chega ao fim, o mundo de Valhalla desaba abruptamente, quando Brünnhilde se lança a si própria para uma pira funerária em chamas, desencadeando assim a destruição final daquele mundo. Embora seja plausível a interpretação de que isto foi uma espécie de “lapso freudiano” relacionado com os verdadeiros temores que a chefe do FMI tem do que possa acontecer – designadamente que o Hércules Grego possa abandonar os seus trabalhos e descer para as profundezas infernais de Hades – prefiro pensar que ela tinha de facto em mente um jogo de futebol americano. Pelo menos assim consigo dormir melhor.

1 Comment

Leave a Reply