REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

 Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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O ministro das Finanças  da Alemanha  preocupado com a saúde da economia francesa

* O alarme sobre a falta de acção quanto às  reformas do mercado de trabalho

Annika Breidthardt e Wagner Rene

 

BERLIM, 9 de Novembro (Reuters) – O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, pediu a um painel de conselheiros para analisarem  propostas de reforma para a França, preocupados que os alemães estão com o receio de que a fraqueza da segunda maior economia na zona do euro, os  possa voltar a atingir  e colocar a  Alemanha e o bloco da zona  euro ainda pior do que o que já está.

Duas autoridades, falando sob condição de anonimato, disseram  à Reuters esta semana que Schäuble pediu ao conselho de assessores económicos do governo alemão, conhecido como o Conselho dos  “homens sábios”, para considerarem a hipótese da elaboração de um relatório sobre o que a França deve fazer.

O pedido de Schäuble denota  uma reocupação crescente em Berlim e entre os economistas privados sobre a saúde da economia francesa, em que se prevê que esta  falhe o objectivo de redução do seu défice  no próximo ano.

“As preocupações estão a aumentar considerada a  falta de acção do governo francês em reformas do mercado de trabalho”, disse Lars Feld,  um economista que participa  no painel, à Reuters.

Embora Schäuble tenha levantado  a perspectiva de um relatório sobre a França  com os membros do conselho esta semana, Feld e o Ministério das Finanças deixaram  claro que o governo não apresentou nenhum pedido formal. O ministério recusou-se a comentar “discussões não oficiais” havidas entre um  ministro em geral.

O gabinete do Presidente  francês, François Hollande, recusou-se  a comentar.

O painel de conselheiros publica um relatório anual sobre o estado da economia alemã, que entregou à chanceler Angela Merkel na quarta-feira. Ele pode, também, elaborar relatórios especiais quando vê desequilíbrios económicos em desenvolvimento ou a pedido formal do governo.

Desde que foi fundado há 49 anos, o painel não  publicou nenhum estudo sobre os países individualmente a não ser sobre a Alemanha, de acordo com seu website. A sua última tomada de posição como conselho de peritos, a primeira desde 1997,  foi publicada em Julho, após a cimeira  da União Europeia em Junho.

PRESSÃO

A França tem sido o número um como consumidor de produtos alemães desde há muitos anos . Em 2011, os alemães venderam-lhes  mais de € 101  mil milhões, cerca de 10 por cento do total das mercadorias exportadas.

Hollande, está no cargo de Presidente  há cerca de meio ano e neste momento encontra-se  sob intensa pressão para reformar uma economia que está a perder  competitividade em relação ao seu vizinho maior vizinho, a Alemanha,  e em relação aos países do sul da Europa que aprovaram medidas de longo alcance na crise do euro.

Esta semana, em resposta ao convite  feito  pelo industrial Louis Gallois para se efectuarem  cortes nos encargos sobre o trabalho para inverter décadas de declínio  industrial, o governo anunciou que iria conceder 20  mil milhões de euros em redução de impostos  anuais para empresas como uma forma de reduzir os custos do trabalho.

Interrogado  em Paris sobre as discussões, o  primeiro-ministro francês Jean-Marc Ayrault, disse: “são os senhores que dizem isso.”

E este  acrescentou: “Estamos constantemente em  comunicação com eles (alemães) e eu vou estar em Berlim na próxima semana, para me encontrar com a senhora  Merkel, e ainda há pouco acabei de falar com  o ministro  Schaueble.”

Há economistas que nos disseram que as reformas de Hollande estão a enviar o correcto sinal aos mercados mas não o suficiente.  Ao contrário dos  seus pares europeus, como a  Itália e Espanha, os custos de financiamento da França mantiveram-se baixos, mas há uma preocupação crescente de que os  rendimentos baixíssimos dos seus  títulos não reflectem a fragilidade da sua economia.

O relatório  publicado pelo Banco de França na sexta-feira previa que o  produto interno bruto francês ir-se-á  contrair de  0,1 por cento no último trimestre de 2012, colocando-se assim a  França em situação de  recessão técnica, definida esta como dois trimestres consecutivos de contracção do PIB, e em que se estima que o terceiro trimestre também venha a ser negativo.

Schaeuble tem sido um aliado da França e argumentou que os laços firmes são a chave para alcançar uma maior integração europeia e esta corresponde a uma procura  persistente da parte da Alemanha para resolver os problemas da zona euro.

Em Agosto, ele e seu homólogo francês, Pierre Moscovici, disseram  que iriam  lançar um grupo de trabalho, a fim de apresentar propostas conjuntas sobre questões da zona do euro, tais como sobre a união orçamental  e bancária.

Wolfgang Franz, presidente do painel de “sábios”, disse numa conversa informal que teve lugar com Schäuble que abordaram a questão de como desenvolver a União Monetária e que o painel estaria em contacto com o ministro sobre isso. Não teria  havido nenhuma ordem para o painel fazer propostas económicas sobre  a França, acrescentou.

No entanto, o painel deixou claro que está preocupado com a economia da França. No seu relatório de quarta-feira referiu-se  à França, dizendo que a estagnação continuada era uma crescente preocupação, dadas as tendências de recessão na zona do euro como um todo e levantou  dúvidas de que as medidas de poupança seriam suficientes para consolidar o orçamento francês.

“O maior problema no momento actual e na  zona euro já não é a Grécia, Espanha ou Itália, em vez disso, é a França, por não ter feito nada  a fim de realmente restabelecer a sua competitividade   e tem até mesmo caminhado  na direcção oposta, disse Feld na quarta-feira.

“A França precisa de reformas do mercado de trabalho, é o país entre os países da zona euro em que se trabalha anualmente menos horas por trabalhador  e  assim que resultados é que se podem esperar ? As coisas não funcionarão  a menos que mais esforços sejam feitos.”

A França e Alemanha têm estado no centro dos esforços para impedir que a crise da zona euro se espalhe a partir da periferia para as maiores economias.

Embora vários países  tenham aceite resgatarem   duas vezes a Grécia como sendo  um caso especial, as autoridades  alemães dizem em privado que eles estão bem preocupados com a  Espanha e Itália uma vez que a crise nesses países pode-se  espalhar para a França, a menos que Hollande toma as medidas ousadas que são necessárias .

“Estou convencido de que o que a França está a fazer  é bom não apenas para a França, mas também para a Europa”, disse Ayrault.

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