Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
19 janeiro 2012
Vous ne vouliez pas du Deutsche Mark ? Vous avez eu l’Euro !
Do blogue L’ESPOIR – Economia · Convidados
http://lespoir.jimdo.com/2012/01/19/vous-ne-vouliez-pas-du-deutsche-mark-vous-avez-eu-l-euro/#permalink
(conclusão)
Parte II
Senhores políticos, a reconciliação franco-alemã está feita!
Quando em 1992, François Mitterand, por ocasião da queda do muro de Berlim, propõe a Helmut Kohl de não aceitar a unificação alemã a não ser sob a condição da integração monetária, é difícil por em causa a boa intenção dos seus propósitos. Mitterrand, tal como o seu amigo Helmut Kohl, conheceu a guerra, o recrutamento militar, a morte do irmão na guerra, o que aconteceu com Kohl. Esses dois dirigentes políticos do século passado, poder-se-à dizer, conheciam ainda o cheiro do sangue e conheciam bem o seu sabor amargamente salobro. Eles tiveram o mérito de terem trabalhado no lançamento da engrenagem de uma interdependência das duas sociedades, francesa e alemã, através da moeda para que nunca mais no futuro, o som das armas se viesse novamente a ouvir entre os nossos dois países. A escolha política de uma convergência monetária foi bastante relevante, pois que como primeiro sinal de soberania nacional, era a única maneira de poderem dela estar distanciados de modo que os alemães e os franceses não levantassem os seus velhos demónios. Quando a vontade era de se distanciarem o mais possível desta soberania que tanto mal tinha causado, tanta miséria também, entre os nossos dois povos e por toda a Europa, então a a escolha de uma moeda única foi um cálculo político extremamente ousado, mas sensato. .
O significado dado às modalidades de realização da moeda única mostraram, contudo, a incapacidade da França em lidar com o gigante capitalista alemão. Pior ainda, enquanto que para Mitterrand, a urgência da realização estava colocada na introdução de uma moeda única entre os países da Europa, os responsáveis pela execução deste novo paradigma monetário não tiveram a sabedoria de fazer valer todos os interesses em presença. E quanto à ideia francesa de um governo económico? Quanto à ideia de que o BCE poderia ajudar os países em dificuldades a lidar com seus credores, através duma ajuda directa? A França, que também poderia contar com o apoio dos países politicamente próximos, como a Itália ou a Espanha, deixou a Alemanha entrincheirar-se nas suas posições e recusar toda e qualquer possibilidade de uma moeda verdadeiramente única, isto é, satisfazendo as posições ideológicas alemãs e francesas!
Não, não podemos continuar ao longo desta estrada sinuosa que nos leva para o precipício! Não, o diktat capitalista da Alemanha não é viável numa situação orçamental europeia verdadeiramente catastrófica! Sim, existem margens de manobra operáveis desde o presente para salvar quer a ideia de uma moeda única europeia, quer a ideia de uma salvaguarda dos espaços nacionais e ideológicos em matéria económica! Tudo está nas mãos dos nossos dirigentes que, infelizmente, sempre ficaram presos aos bons e velhos anacronismos do século passado, argumentando que nós já não podemos avançar contra a Alemanha como um Clemenceau o poderia fazer! Estes dirigentes sabem muito bem manipular a aporia e denunciar, sempre que um político pretende denunciar o Diktat de Angela Merkel, o anti-germanismo subjacente, em germe, prejudicial como a peste a qualquer adequada evolução das negociações para continuarmos na nossa jangada à deriva!
Na verdade, o que a França precisa, e muito mais, o que precisam os povos da Europa, é de homens que possam denunciar este Diktat de Merkel sobre as finanças públicas nacionais. É de homens capazes de compreender que a reconciliação franco-alemã está feita e que nunca mais nos territórios em causa os cidadãos alemães ou franceses retomarão as armas para morrerem pelo seu país! É tempo de quebrar um tabu, o de uma Alemanha inatacável, reduto da economia europeia capitalista e financeira! É mais do que nunca uma exigência moral, uma exigência saudável para todos, que é ser capaz de dizer “Nein”, uma vez que as circunstâncias o exigem! E, além disso, os alemães, assim, sendo postos face a face com a sua própria contradição, não serão eles capazes de mudar de posição? O maior medo da Alemanha, e ninguém ficaria surpreendido, seria o medo de ter que conduzir o navio europeu sozinha, impondo os seus pontos de vista para o mundo. Isso não é um disco riscado que estamos já fartos de o ouvir?
Digamo-lo alto e claro, mais do que nunca, para resgatar as nossas duas grandes nações e a única Europa que valha, a Europa dos povos finalmente reconciliados e capazes de se autocriticar tanto quanto serão igualmente capazes de se auto-congratular, abaixo a supremacia alemã! E gritar como poderia gritar Bertha von Suttner: “Die deutsche wirtschaftliche Oberhoheit nieder!
Woyzeck
