EDITORIAL: A GRANDE ROTURA

Diário de Bordo - IIHoje de manhã transcrevemos uma notícia saída já há alguns meses, mas que trata de um assunto que é necessário ter muito presente. Já o abordamos no editorial de ontem.  A Segurança Social perdeu 1500 milhões na Bolsa. Mais concretamente, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, isto é, quem nele manda, aplicou  grande quantidade de dinheiro na bolsa. E segundo um relatório do Tribunal de Contas, em 2011, as aplicações feitas em acções e obrigações sofreram grandes desvalorizações no montante acima referido, só parcialmente compensadas por outras aplicações. As perdas totais ultrapassarão mil milhões de euros. Grande parte destes investimentos são em dívida pública, nacional e estrangeira. Entretanto há que acrescentar que correm notícias que parte do fundo da caixa geral de aposentações terá sido aplicado na recapitalização de bancos.

Estas iniciativas não terão começado agora, com o governo Passos Coelho. Mas não parecem ter sido corrigidas, pelo contrário. É evidente que jogar na bolsa com o dinheiro dos reformados e pensionistas constitui uma enorme irresponsabilidade. Qualquer pessoa minimamente informada sabe que há grandes riscos neste tipo de investimentos. Ainda por cima, quem tem autorizado não tem tido pejo em simultaneamente proferir declarações lançando dúvidas sobre a sustentabilidade do sistema da segurança social. Este tipo de declarações tem vindo a público durante os mandatos de sucessivos governos do bloco central (com o CDS/PP incluído).

Comparando esta situação com outras como a questão das auto-estradas e das portagens, ou a recapitalização dos bancos, torna-se claro que existe uma política de um sentido único no nosso país, que é acumular o capital em meia dúzia de mãos que estarão vocacionadas para a sua propriedade (dizem eles), por direitos sucessórios, ou outros parecidos. Esses direitos terão prioridade sobre todos os outros, como o direito ao trabalho. E parece que mesmo sobre o direito à vida. Basta olhar os aumentos das taxas de mortalidade e a quebra dos nascimentos. Na realidade o crescimento do desemprego é muito superior ao previsto, e é óbvio que nada de sério está a ser feito para o contrariar. E quanto ao direito á vida, esta questão de meterem na bolsa o dinheiro das pensões e reformas, inegavelmente que o põe em causa.

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