RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção, tradução e apresentação por Júlio Marques 

Um discurso sobre os filhos da puta, escrito por Alberto Pimenta, um discurso também sobre os filhos da puta que nesta Europa nos governam e em que nos grandes bancos é difícil, muito difícil mesmo,  encontrar quem o não seja, um texto sobre os golpes de Estado que nesta Europa se vão praticando e que a Durão Barroso foi bem apoiando, um texto afinal sobre os filhos da  puta modernos que nos vão desgovernando.

1. “Discurso sobre o filho-da-puta”

Alberto Pimenta

«Estimados Compatriotas:

Acerca do filho-da-puta, como acerca de muitas outras coisas, correm neste país as mais variadas lendas. Há até quem seja de opinião de que o filho-da-puta a bem-dizer nunca existiu, dado que ele é apenas um modo de mal-dizer. Nada, porém, mais falso. É certo que o filho-da-puta às vezes não passa de um modo de dizer, mas não bastará a simples existência, particular e pública, de tão variados retratos seus, para arrumar com as dúvidas acerca da sua existência real? Pois quem teria imaginação suficiente para inventar tantas e tais variedades de filho-da-puta, caso ele não existisse? Não! O filho-da-puta existe. Em todos os lugares, excepto no dicionário. No dicionário existem variados filhos, entre eles o filho-família, o filhastro e o filhote, mas não existe o filho-da-puta. Em compensação, o filho-da-puta existe em todos os outros lugares. Claro que há lugares que ele de preferência ocupa e onde por conseguinte é mais frequente encontrá-lo; no entanto, exceptuando, como ficou dito, o dicionário, não há lugar onde, procurando bem, não se encontre pelo menos um filho-da-puta. Porque o filho-da-puta existe e está praticamente em toda a parte: na escola e nas repartições, na indústria e no comércio, na cidade e nas serras, na rua e nas casas, e até nos cemitérios. Deste (exceptuando casos antigos ainda hoje falados, ou então muito recentes que deram que falar) pouco se sabe, como é natural. Desgraçadamente, porém, o mesmo sucede com muitos dos outros filhos-da-puta, e é isso mesmo que eu considero uma triste lacuna no nosso saber. Em grande parte dos casos, não se sabe deles mais que o que se sabe dos anjos, ou seja: que são seres de eleição que estão em toda a parte, mas que só por obras revelam a sua existência, a seres igualmente de eleição. É certo e sabido que filhos-da-puta menos sabidos não desgostam de se revelar; ainda neste caso, porém, não é fácil reconhecê-los, pois o filho-da-puta nem sempre usa sinais distintivos e de resto, há filhos-da-puta que vestem bem e outros que vestem mal, filhos-da-puta garridos e filhos-da-puta soturnos, de uniforme e à paisana, de saias e de calças, de barba e sem barba, de bata branca e de bota preta. Nem sequer é fácil saber com segurança se o filho-da-puta tem predilecção por este ou por aquele traje: é certo que ele se mostra mais nuns que noutros, mas usa sempre o seu traje como a arquitectura de uma tragédia; para ele o nu é o ultraje, e por isso é que o filho-da-puta faz o o traje, embora o traje não faça o filho-da-puta.»

2. Três golpes estado a favor de banqueiros internacionais

Condensé du journal “Vers Demain” N°916 – Janvier/Février 2012 – Page 10 & 11, disponível por exemplo em :

. http://www.michaeljournal.org/jf12FR.pdf

 Estátua

Trata-se de verdadeiros golpes de Estado a favor de banqueiros internacionais. Golpes de Estado que arrastarão seguramente ou a uma das maiores guerras sangrentas ou a uma escravidão moderna sobre a qual não temos ainda nenhuma ideia .

Três peões do banco norte-americano Goldman Sachs acabam agora de alcançar  posições estratégicas: Mario Draghi, Loukas Papademos e Mario Monti.

O italiano Mario Draghi é um diplomado em economia pelo  Massachusetts Institute of Technology. Ele foi responsável pelas privatizações italianas  de 1993 a 2001. Tornou-se governador do Banco Central da Itália em 2006. De 2002 a 2006, ele foi vice-presidente para a Europa do banco de negócios  Goldman Sachs, o sulfuroso banco de investimentos e negócios.  Durante este período, o banco ganhou  300 milhões por ter  ajudar a Grécia a esconder o seu défice para assim poder  vir a ser admitida na  União Europeia. No dia 1 de Novembro de 2011, Draghi foi nomeado presidente do Banco Central Europeu. Ele também é membro da Comissão Trilateral e do grupo de Bilderberg.

O grego Loukas Papademos, também ele é licenciado por Massachussets of Technology Institute. Tornou-se conselheiro económico do Federal Reserve de Boston e. De 1994 a 2002, foi governador do Bank of Greece, posição que manteve quando a Grécia  se “qualificou” para entrar na xona euro,  através de contas falsificadas por Goldman Sachs . E, depois, tornou-se vice-presidente do Banco Central Europeu.

O novo primeiro-ministro da Grécia Loukas Papademos.

A 10 de Novembro de 2011, sobre a pressão da União Europeia e do G20  este foi nomeado primeiro-ministro da Grécia com o apoio dos dois partidos dominantes. É membro da Comissão Trilateral.

O primeiro-Ministro cessante, Georges Papandréou tinha declarado que  iria pedir à  população por referêndum se esta estaria de acordo com as medidas de austeridade impostas pela União Europeia e o FMI o que, embora democrático, era inaceitável pelos financiadores internacionais. Dois dias após o anúncio do referendo, Papandreou foi forçado a demitir-se (a Grécia é o berço da democracia)!

A 16 de Novembro de 2011, sem eleições,  o italiano Mario Monti tornou-se  primeiro-ministro da Itália, para substituir Sivio Berlusconi.

Monti é um diplomado pela Universidade de Yale, nos EUA. Ele estudou o comportamento dos bancos em regime de  monopólio. Depois, foi durante dez anos, o Comissário Europeu de 1994 a 2004. É membro da Comissão Trilateral e do grupo de Bilderberg. Em 2005, foi nomeado conselheiro internacional do Goldman Sachs.

Além do posto de primeiro-ministro, Senhor Monti também assume a função de ministro da economia.

O governo de Monti é composto  exclusivamente  por tecnocratas. Corrado Passera, patrão do  banco Intesa Paolo, tornou-se o Ministro de desenvolvimento económico e  ads infraestruturas. Nenhum político entrou opara o governo Monti . Desta forma não são responsáveis perante o povo nem têm que responder perante ele.

Quem pode fazer melhor no desprezo pela democracia”…

Pela nossa modesta parte, nós apercebo-nos que há cada vez mais dirigentes, tanto nacionais como estrangeiros,   que já não são eleitos mas sim nomeados  pelos  banqueiros.

Que  a dívida grega, italiana, espanhola, francesa… os outros países estão no mesmo caldeirão infernal , ninguém poderá alguma vez  a dívida que assume , ano após ano proporções fenomenais. Veja-se  http://depute-daudon-2012.com, rubrica economia .

Nós iremos acabar  mais cedo ou mais tarde completamente arruinados e à mercê dos banqueiros americanos. É impossível, mesmo com resultados comerciais extraordinários de sair deste impasse  já que para produzir mais (é possível) será necessário pedir mais, logo, pagar ainda mais de juros e de capital.

Os cidadãos europeus só têm que esperar pela  hora em que estes terríveis gananciosos nos irão  tornar completamente escravos.

Lembre-se que este caos é devido ao facto de que os  nossos governos abandonaram o seu soberano direito de emitir moeda, passando a contrair empréstimos junto dos bancos e a  pagarem  juros. Isso nunca tinha sido possível nos tempos da realeza.

Tudo isto não augura nada bem. A nossa esperança é a de nos conseguiremos juntar todos e  recusarmos ser  governados por traidores.

J. Daudon – Vice-Président de l’ADEH.

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