COMO UMA MÚSICA RIDÍCULA CHEGA à RESISTÊNCIA NA CHINA por clara castilho

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Se começarem a ouvir esta canção, no original “Gangnam Style”, eventualmente reconhecerão a sua música, pois anda invadindo tudo, desde o original até às diversas adaptações.

Eu só a conheci pela mão de um menino que ma quis mostrar no computador  (youtube). Na véspera eu lera por alto um artigo na revista “Visão” sobre o estranho êxito do seu autor, o sul-coreano PSY, com o título “Gangnam Style”, uma sátira aos novos-ricos da capital sul-coreana, Seul, que se concentram no bairro de Gangnam – onde consomem produtos de luxo, se exibem e praticam hipismo.

 Mostrava-me o garoto a versão brasileira, com conteúdo bem mais sexualizado –“ Eu vou-te encoxar!” Para além de querer partilhar comigo coisas de que gostava, ele queria falar de outras coisas que o preocupavam… Contei a meus colegas e minha filha, que se riram e me puseram a par de como a canção ganhara amplitude no espaço da net. E senti-me mesmo um pouco desfazada… E Portugal, podemos ver a versão de  Pedro Fernandes – “Gamar com style”.

Pois, qual não foi o meu espanto quando a vi ser usada pelo chinês Ai Weimei, artista plástico, que se encontra em prisão domiciliária e se filmou em posições semelhantes ao original, mas de mãos algemadas e acorrentado a uma pessoa. O cavalo imaginário do “Gangnam Style” era substituído por outro cavalo imaginário, carregado de simbologia contra o governo chinês.

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Seus ataques ao regime, tanto em sua obra quanto em manifestações pelas redes sociais, desencadearam medidas repressivas, entre elas a destruição e seu estúdio, proibição de se pronunciar na internet, e nas redes sociais,  e culminaram na prisão domiciliar que o artista cumpre em Pequim. Mas mesmo confinado à sua casa desde o ano passado, depois de ficar encarcerado por três meses, Ai não deixou os holofotes da cena artística.

Continua a criticar o governo frequentemente através do Twitter, uma rede social bloqueada na China, mas acessível a quem consiga contornar o sistema informaticamente. Não pode sair do país e está sob vigilância constante.
O documentário“Ai Weiwei: Never Sorry”de Alison Klayman fala-nos deste resistente chinês.

Quem quiser ver as cavalgadas do vídeos referidos acede a elas facilmente . Prefiro deixar-vos o trailer do documentário.

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