O DESCALABRO ECONÓMICO E SOCIAL EM PORTUGAL JÁ PREVISTO – por Eugénio Rosa

DESCALABRO ECONÓMICO E SOCIAL EM PORTUGAL: a consequência de uma política recessiva que desde o início já se sabia que ia ter estes resultados – III

(conclusão)

DIVIDA PÚBLICA DISPAROU COM A “TROIKA” E COM O GOVERNO PSD/CDS

 Uma outra consequência da politica recessiva que está a destruir a economia e a sociedade portuguesa foi o aumento rápido da divida pública, como revela o quadro 4.

 Eugénio Rosa - catástrofe - IV


Entre 2010 e 2012, ou seja, em dois anos de governo PSD/CDS e “troika”, a divida pública portuguesa aumentou 43.499 milhões € (+30%), e a previsão do governo é que ela continue a crescer nos próximos anos atingindo, em 2014, pelo menos 215.213 milhões €, o que corresponde a 123,7% do PIB. Este elevadíssimo e crescente endividamento do Estado determina que os encargos com a divida pública sejam cada vez mais pesados, pondo mesmo em perigo a própria sustentabilidade financeira do Estado e, nomeadamente, das suas funções sociais (educação, saúde e segurança social). Para se poder ter uma ideia da dimensão e gravidade da situação que a política recessiva está a criar ao país e aos portugueses, basta referir o seguinte: em 2011, o Estado gastou com juros e encargos 6.039,2 milhões €; em 2012, esse gasto subiu para 6.960,3 milhões € e, para 2013, estão previstos no Orçamento do Estado 7.276,3 milhões €. Em apenas 3 anos o Estado português gastará com o pagamento de juros e encargos da divida 20.275,8 milhões €, ou seja, quase tanto como gastará com a educação e ensino dos portugueses que será  21.365,6 milhões €. Este aumento tão elevado quer da divida quer dos juros ainda se torna mais insustentável porque tem lugar num contexto da grave recessão em que o país está mergulhado, provocado pela mesma politica que fez disparar a divida e os encargos com ela, pois está a causar uma quebra importante das receitas do Estado.

O ORÇAMENTO DO ESTADO PARA 2013 NÃO SE ADEQUA À REALIDADE

 PREVISTA E É URGENTE QUE SEJA ALTERADO

 O Orçamento do Estado que foi aprovado para 2013 já não corresponde à realidade prevista para este ano, e muito menos as receitas fiscais e as contribuições para a S. Social previstas nele. No quadro 5, consta o cenário macroeconómico em que ele se baseou, e o novo cenário económico resultante da 7ª avaliação da “troika”, e como se conclui rapidamente eles são muito diferentes

Eugénio Rosa - catástrofe - VOs desvios que se verificam entre as previsões do cenário macroeconómico que serviu de base à elaboração do O.E. de 2013 e as previsões da 7ª avaliação da “troika” de Março de 2013 são enormes. Por ex., a nível do PIB a quebra aumenta 130%; no consumo privado a diminuição sobe 59,1%; no investimento a quebra é 81% maior do que a prevista no OE-2013; a redução da procura interna é 41,4% superior à inicialmente prevista no OE-2013; a diminuição da taxa de crescimento das exportações atinge 77,8%, podendo-se mesmo dizer que elas estagnam em 2013  pois o aumento previsto é apenas de 0,8%; a destruição de emprego aumenta 129,4% relativamente à taxa prevista no OE-2013. É evidente que o cenário previsto na 7ª avaliação da “troika” é muito diferente das previsões utilizadas na elaboração do Orçamento do Estado para 2013, podendo –se dizer, como já era previsto por muitos economistas na altura, que o cenário macroeconómico utilizado para elaborar o OE-2013 não tinha nada a ver com a realidade, sendo mesmo fantasioso e revelando uma grande incapacidade para compreender e prever a evolução da realidade económica e social portuguesa.

Os dados da execução do O.E. referentes a Janeiro de 2013 confirmam isso, pois revelam já um desvio grande em 2013. Segundo a Conta consolidada da Administração Central e da Segurança Social da DGO, em Janeiro de 2013, a receita fiscal foi inferior à de Janeiro de 2012 em 19,2 milhões € (a nível de impostos indiretos a quebra atingiu 144,5 milhões €); e as contribuições para a Segurança Social em Janeiro de 2013 foram inferiores às de Janeiro de 2012 em 63,6 milhões €, e o saldo global que em Jan2012 fora positivo de +308,1 milhões €, em Jan.2013 foi negativo de -31,4 milhões €. E isto quando as receitas fiscais e as contribuições para a Segurança Social em 2012 já tinham sido inferiores às de 2011 em mais de 3.000 milhões €. É o descalabro financeiro do Estado que a politica recessiva do governo e da “troika” imposto em plena recessão económica está a provocar, o que já era previsto por qualquer economista não dominado pela cegueira ideológica do pensamento único, mas que a “troika” e governo revelam incapacidade total para compreender.

Face a todo este descalabro económico e social, que é maior à medida que o tempo passa, é cada vez mais claro que, se a política da U.E. e em Portugal não mudar radicalmente, e no nosso país isso não possível com este “Memorando”, Portugal não tem qualquer futuro dentro da Zona Euro

Eugénio Rosa, eugeniorosa@zonmail.pt, 18.3.2013

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