Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Sexto ano de crise: a explicação
Texto enviado por Philippe Murer, Membre du bureau du Forum Démocratique,
Président de l’association Manifeste pour un Débat sur le libre échange
23 janvier 2013
Sexto ano de crise para os países da OCDE e nenhuma teoria satisfatória surgiu ainda. Os economistas parecem mesmo ter acordado em só falarem dos excessos da esfera financeira: a descrição não é uma explicação.
Duas observações são erradamente negligenciadas :
Entre os países da OCDE não exportadores de matérias-primas, só saíram da crise a Alemanha, a Suíça, a Coreia do Sul, três países que mantêm um excedente comercial bem notório.
A China que manteve um enormíssimo excedente comercial escapou totalmente à crise.
Isto vem-nos claramente dizer qual a explicação correcta: os países que permanecem em situação de crise prolongada são aqueles que são vítimas do grande desequilíbrio global das trocas comerciais – o que surgiu por volta de 1995, acentuou-se no início de 2002, depois da China ter entrado na OMC, munida de grandes privilégios.
Antes de nós, Kindleberger concluiu que, na década de 1930, a crise prolongada da Europa era também o resultado do colossal excedente e renovado dos Estados Unidos .
A pausa de 2002 a 2007 resulta do facto de uma vez encorajada pelos bancos centrais, a esfera financeira então aumentou fortemente uma bolha imobiliária e financiou um laxismo orçamental renovado. Estas duas características vieram neutralizar o impacto muito recessivo dos défices enormes e crescentes de comércio externo de que sofreram os países deficitários da OCDE.
A esfera financeira ‘ comprava o tempo ‘. Se a crise foi retardada, ela não foi porém cancelada. Pior ainda, o tempo atraso assim “comprado” acentuou a magnitude da crise, quando esta se impôs em duas fases : meados de 2007, estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Irlanda e em Espanha; no final de 2009, a crise de confiança sobre as dívidas públicas da OCDE.
Então uma vez apagadas estas duas “contra-tendências”, Estados Unidos, Reino Unido, Europa do sul , França e Japão afundaram-se, e muito rapidamente, numa crise que ainda continua.
A única maneira de sair da sua crise exige o retorno a um excedente comercial. Mas para que países deficitários se tornem simultaneamente países com excedentes, é necessário que os países que são cronicamente excedentes aceitem, eles, que os seus excedentes sejam substituídos agora por défices correspondentes.
Nem a Suíça, nem a Alemanha, nem a Coreia do Sul e muito menos a China, aceitarão facilmente esta hipótese . Esta é a razão essencial para o nosso pessimismo quanto a uma saída em breve da situação de crise em que os países estão mergulhados.
Antoine Brunet

