REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

Sexto ano de crise: a explicação

Texto enviado por Philippe Murer,  Membre du bureau du Forum Démocratique,

Président de l’association Manifeste pour un Débat sur le libre échange

23 janvier 2013

 Antoine Brunet

 

Sexto ano de crise para os países da OCDE e nenhuma teoria satisfatória surgiu ainda. Os economistas parecem mesmo ter acordado  em só falarem dos excessos  da esfera financeira: a descrição não é uma  explicação.

Duas observações são erradamente  negligenciadas :

Entre os países da  OCDE não exportadores de matérias-primas, só saíram da  crise a Alemanha, a Suíça, a Coreia do Sul, três países que mantêm um excedente comercial bem  notório.

 A China que manteve um enormíssimo  excedente comercial  escapou totalmente à  crise.

Isto vem-nos  claramente dizer qual   a explicação correcta: os países que permanecem em situação de crise prolongada são aqueles que são vítimas do grande desequilíbrio global  das trocas comerciais  –  o que surgiu por volta de 1995, acentuou-se no início de 2002, depois da China ter entrado na   OMC, munida de  grandes privilégios.

 Antes de nós, Kindleberger concluiu que, na década de 1930, a crise prolongada da Europa  era também o resultado do  colossal excedente e renovado dos Estados Unidos .

A pausa de 2002 a 2007 resulta do facto de uma vez encorajada pelos  bancos centrais, a esfera financeira então aumentou fortemente uma bolha imobiliária e financiou  um laxismo orçamental renovado.  Estas duas características vieram  neutralizar o impacto muito recessivo dos défices  enormes e crescentes de comércio externo de que sofreram os países deficitários da OCDE.

A esfera financeira ‘ comprava o tempo ‘. Se a crise foi retardada, ela não foi porém cancelada. Pior ainda, o tempo atraso assim “comprado” acentuou   a magnitude da crise, quando esta se impôs em duas fases : meados de 2007, estouro da bolha imobiliária  nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Irlanda e em Espanha; no final de 2009, a crise de confiança sobre as  dívidas públicas da OCDE.

Então uma vez apagadas estas duas “contra-tendências”, Estados Unidos, Reino Unido, Europa do sul , França e Japão afundaram-se,  e muito rapidamente, numa crise que ainda continua.

A única maneira de sair da  sua crise exige o  retorno a um excedente  comercial. Mas para que países deficitários se tornem  simultaneamente países com excedentes, é necessário que   os  países que são cronicamente excedentes aceitem, eles, que os seus excedentes sejam substituídos agora por défices correspondentes.

Nem a Suíça, nem a Alemanha, nem a Coreia do Sul e muito menos a China,  aceitarão facilmente esta hipótese . Esta é a razão essencial para o nosso pessimismo quanto a uma saída em breve  da situação de crise em que os países estão  mergulhados.

 Antoine Brunet

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