O SOL E A SOMBRA – por Carlos Loures

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O SOL E A SOMBRA

Era noite há muitas noites e a alvorada
esvaía-se em névoa, sem poder vencer
a muralha de silêncio e de opressão,
morria a luz antes do sol nascer.
O silêncio, a voz amordaçada,
reinava a calma no país-prisão.
A face exposta ao hálito odioso
tecido na luz do cárcere, pálida e malsã,
em vão esperávamos o dealbar glorioso
da liberdade emergindo pela manhã.

E quando enfim chegou, radiosa e bela,
não soubemos bem o que fazer com ela.

Ilustração: Pormenor de quadro de Carlos Loures

3 Comments

  1. E porque «não soubemos bem o que fazer com ela» é que estamos a questionarmo-nos por não nos sentirmos representados pelas estruturas partidárias com assento na Assembleia da República e, ao mesmo tempo, a questionarmos a própria democracia, ou seja, será que vivemos numa «democracia» verdadeiramente democrática? Se temos, vivemos, uma crise financeira, que gerou uma crise económica e social, vemo-nos obrigados a colocar essa outra questão que já referi: temos, vivemos, em Portugal uma prática verdadeiramente democrática?
    Não pretendo a vossa resposta, quero a vossa acção!

    Um abraço para ti, Carlos, do

    António

  2. Gostei imenso Carlos. A liberdade era o nosso sonho e quando a tivémos continuámos a sonhar. Agora é tempo de despertar
    AMFerro

    1. Obrigado, António. É tempo de despertar, dizes. Tens razão. Mas, ao acordar para a realidade, quase 40 anos depois do sonho, caímos num pesadelo. Agora, temos de acordar do pesadelo – e não é fácil.

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