RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção, tradução e nota introdutória por Júlio Marques Mota

Segundo retrato não de um país mas de um continente, tirada a partir de uma lente especial, o desemprego que destrói este continente: a Europa, a Europa traída pelas suas elites.

Júlio Marques Mota

 

xxxxxxxx

europe_pol_1993

A ligação entre o euro e a taxa de desemprego

 Charles-Henri Gallois

Texto disponibilizado por Philippe Murer, Membre du bureau du Forum Démocratique,

Président de l’association Manifeste pour un Débat sur le libre échange

 

Para concluir a explicação de Asselineau na ligação entre a taxa de desemprego e o euro, assim como  os elementos expostos por  Frédéric Gay,  calculei  as taxas de desemprego dos três perímetros que Asselineau tinha apresentado  nesse seu artigo. Eu não estabeleci   o  perímetro fora da UE/hors ZE com a Islândia, a Noruega e a Suíça porque Eurostat   não publica as  estatísticas da força de trabalho para a Suíça, por isso não poderia ponderar as taxas de desemprego e o enviesamento  seria demasiado importante. Vou fazer essa análise, sobre  15 anos, ou seja para o período 1999-2012.

Comecei em 1999, data de início da utilização do euro para as transacções financeiras. O euro será introduzido na forma fiduciária em 2002. Eu confiei nas estatísticas do Eurostat, para a população, que eu utilizei  para calcular a taxa de desemprego HZE10, ou para as taxas de desemprego  UE27 e UE17

O único enviesamento que  aqui vou ter  permanece ainda  na comparação mais recente (Março de 2013) com a taxa de desemprego HZE10 na medida em que  uso os números de população dos activos de Dezembro de 2012 a fim de obter essa   taxa de desemprego. Deveremos   concordar que essa população activa não tem muito a evoluir em 3 meses, e que essa diferença é, portanto, menor. Fica o mesmo enviesamento que eu tinha  aquando do meu artigo sobre o euro e o crescimento, ou seja, a mudança de perímetro  da área do euro: isto é, os países que aderiram à  zona euro após 2003 como a Eslovénia (2007), Chipre e Malta (2008), a Eslováquia (2009) e a Estónia (2011).

Após esta busca de dados e cálculos, obtive a tabela abaixo, separada  em duas tabelas para tornar a análise mais  legível:

gallois - I

gallois - II

É interessante comparar desde 2009 a evolução da taxa de desemprego entre HZE10 e a da UE17 uma vez que Eurostat a esconde escandalosamente,  como salientou o excelente comunicado  de imprensa da UPR.

gallois - III

Como referiu  Asselineau, podemos destacar três grandes períodos :

-Vemos uma taxa de desemprego mais elevada em países fora da zona do euro a partir de 1999 a 2003. O euro estava então a ter   uma paridade relativamente baixa face ao dólar, o que melhorava a sua competitividade. Podemos ver no gráfico abaixo que, excepto em 1999, a paridade euro/dólar ainda estava ainda abaixo de  1, com um mínimo em 0.8252, em 26 de Outubro de 2000.

gallois - IV

Há um diferencial de taxa de desemprego que sobe   ligeiramente entre 2003 e 2007 para os  países fora da zona euro. Vê-se como que por acaso no mesmo momento a taxa de câmbio  euro/dólar  a  aumentar  gradualmente.

-Finalmente, de 2007 aos  nossos dias, durante o período de crise, é muito claro o inexorável aumento da taxa de desemprego entre a UE17 e a  HZE10. Em Março de 2013, a UE17  tem  uma taxa de desemprego de 12,1%, enquanto a HZE10 tem uma taxa de desemprego de 8,6%, um 3,5 pontos percentuais, o que é considerável! Vê-se  que a taxa de desemprego entre 2011 e Março de 2013 para  HZE10 diminuiu de 9% para 8,6% enquanto a da UE17 aumentou de 10,7% para 12,1%.

Em conclusão, o mito (mentira) do euro que nos protege não pode continuar a existir por muito tempo,  se nos  basearmos  numa  análise racional, científica e não num dogma, como o fazem os europeístas. Todos os indicadores macroeconómicos da zona  euro mostram que estamos perante  uma catástrofe e nós  constantemente apenas  que ouvimos sempre o  mesmo  discurso apocalíptico sobre uma possível saída do euro. Ainda, os factos são teimosos e mostram que os países que não têm o euro estão-se a sair   muito melhor e que a zona  euro é a mais baixa área de crescimento do mundo.

Numa altura em que a  França perde 800 postos de trabalho industriais e uma fábrica por dia, é chegada a hora de a França assumir as suas  responsabilidades, olhar para a realidade e saír dela, e é isto que propõe em 2007 [ e sair dela é sair da zona euro]…

Charles-Henri GALLOIS, Le lien entre l’euro et le taux de chômage,  Abril de 2013

Leave a Reply