Nos últimos anos, têm surgido no mercado vários testes de predisposição genética que preconizam tratamentos “por medida”, adaptados ao perfil genético.
No entanto, a grande maioria das doenças não são mono-genéticas, vários outros factores influenciam o desencadeamento de uma determinada doença, tal como a alimentação ou o modo de vida.
Assim sendo, estes testes podem preocupar erroneamente as pessoas ou pelo contrário tranquilizar-las e desdenharam um modo de vida mais saudável.
A fragilização e banalização da vida.
Falar em testes de predisposição genética, e portanto na predisposição em contrair uma desterminada doença, coloca a questão de saber como viver com essa informação relativa a uma potencial doença que talvez nunca venha a acontecer.
Psicologicamente, uma notícia destas, reduz o campo das possibilidades para o homem, onde esta visão estreita e definitiva da sua vida, implica a perda da esperança.
Teste para todos os gostos…
Genelex, empresa americana, propõe uma “análise dietética do ADN” em relação à obesidade, e aconselha uma dieta personalisada em função dos resultados. Pagamos 645 dólares, recebemos um kit com dois cotonetes, fazemos uma ligeira raspagem da cavidade bucal e enviamos o conjunto para a morada indicada. Cinco dias depois recebemos em casa um plano de acção com uma dieta “em harmonia com o nosso perfil genético”.
Sciona, empresa especialista em nutrição, através da analise de 19 genes e um questionário sobre o modo de vida, vaí mais longe: prevê a tendência a vir a ter problemas de colesterol, de hipertensão, capacidade a acumular gorduras ou a destruir radicais livres de oxigénio. Assim, após ter pago 99 dólares para o teste, pode receber em casa um pequeno manual com o resultado dos testes e conselhos, que todo sabemos de antemão: fazer exercicios físico, comer peixe, fruta e legumes.
Genelex também propõe testes de “reacções a medicamentos”. Após a analises de alguns genes, fica a saber se é receptivo ao Prozac ou se necessita de uma dose reforçada de Effexor (anti-depressor).
O site Gene Link, vende um teste que pretensamente permite calcular o envelhecimento cutâneo. Em função dos resultados, recomenda a compra de um determinado creme anti-rugas ou de micro-nutrientes de que a sua pele necessita. Claro que os produtos preconizados são vendidos pelo próprio site.
NicoTest propõe um kit onde, após depositar uma gota de sangue, e por 137 euros, fica a saber a sua reacção à nitotina, a sua taxa de dependência e a sua resistência ao stress.
Derivas preocupantes.
O estudo genético aplicado a doenças graves, como o autismo, com vista a um possível tratamento é benéfico, mas quando ouvimos falar em derivas da aplicação da predisposição genética como nos casos de caracteristas da personalidade, o assunto é preocupante.
Existe o problema ético do direito à privacidade e à não descriminação, baseado em testes de predisposição para determinadas doenças que nunca pederemos vir a padecer: descriminação pelas companhias de seguros, na contratação de trabalho e possível aparecimento de testes para avaliar potenciais criminosos ou simplesmente pessoas potencialmente perigosas com a necessidade das “neutralizar” ou “eliminar”, potenciais doentes mentais, homosexuais,…