Tenho usado com uma frequência talvez excessiva a velha metáfora do labirinto para caracterizar a nossa situação de reféns de poderes que não controlamos e que nos obrigam a viver em conflito com quase tudo o que pensamos. Poderes que não elegemos, determinam como vamos viver, como vamos alimentar-nos, como vamos vestir-nos. Nem se esquecem de nos ensinar como ser ‘rebeldes’. As coisas não se passam de forma tão ostensiva como George Orwell ficcionou, mas aí temos o Grande Irmão em todo o seu esplendor, vigiando, manipulando e controlando todos os nossos movimentos, impulsos, intenções…
Há dias atrás, Josep Anton Vidal ao enviar-me uma colaboração dizia-me – “Mando-te um texto. Mais do mesmo”. Respondi-lhe: “O que queremos é mais do mesmo até que aquilo que desejamos se transforme em realidade. Dizem que uma mentira repetida mil vezes se transforma numa verdade – esperemos que uma verdade repetida um milhão de vezes se transforme em Lei. Até que assim não seja… mais do mesmo”. Resposta de Josep: “É verdade, mas é muito cansativo. É como estar preso no tempo. Neste país, os meios de comunicação podem encher as páginas do dia copiando artigos publicados há décadas sem que os leitores notem o salto no tempo”. Por «este país», Josep quer dizer a Catalunha.Pois em Portugal passa-se o mesmo. Diria que acontece em todos os países e não apenas no país do Josep. O pensamento corre a uma velocidade diferente daquela a que a realidade se move. E, com todo o aparente dinamismo que a sociedade ostenta – carros velozes, comboios, barcos e aviões que encurtam distâncias entre continentes, comunicações cada vez mais fáceis, acesso irrestrito à informação… apesar de toda esses avanços tecnológicos que nos dão a ilusão de que há uma evolução e um progresso contínuos, a vida não muda, como queria Rimbaud, nem o mundo se transforma, como Marx desejava.
Quando digo que partidos e sindicatos são peças do jogo que o sistema capitalista controla, não estou a pôr em causa a honestidade de alguns militantes partidários e activistas sindicais. Digo apenas que estamos a combater mísseis usando fisgas. E desgastamo-nos em lutas inúteis. Por exemplo – para todos começa a ser evidente que este governo tem de cair. Há dois anos, dizíamos o mesmo do executivo de Sócrates. E tínhamos razão. Mas Sócrates caiu e foi substituído por Passos Coelho. E quando Passos Coelho cair, virá outro… Como disse Josep Vidal, é muito cansativo.
Era importante que colectivamente percebessemos que derrubar um governo de nada serve se a seguir elegemos outro igual (ou pior). Derrubar um governo não chega – é preciso derrubar o sistema. Repito a metáfora – quem está encerrado num labirinto viciado, sem saída, só tem uma coisa a fazer – destruir o labirinto, saindo a direito (pela esquerda).
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Mas quem acredita que é o senhor para impedir-me de comentar neste blogue? Acha porventura que é um deus-faço-e-desfaço? Um saci pererê? Um trasno? Saiba que colaboro com este blogue: todas as semanas envio um artigo original que é lido e comentado, e faço tal sem pedir mais nada, somente pela colaboração e pela presença de uma galega num sítio português, como deveria ser o normal. E tenho que aguentar este trato??? Já sei que você apagou comentários meus noutros artigos, mas esta de nem sequer o meu comentário sair publicado é o máximo. É o senhor um péssimo anfitrião.
Os comentários estão sujeitos ao mesmo tipo de critério selectivo que norteia a admissão dos posts. Quem comenta tem o direito de concordar ou de discordar daquilo que comenta; não tem o direito de insultar. São as regras deste jogo. Ser bons anfitriões não nos obriga a aceitar acusações tontas e mal-educadas.
E, sim, estou muito de acordo com o Pedro Mota, que criticou neste blogue um artigo sobre música que merecia essa crítica. E que o comentário do Pedro Mota é muito semelhante a outro que eu tenho feito nessa mesma seção de música, e que a ele se lhe permite e a mim não se me permite…
Se são honestos, são estúpidos; se são inteligentes, são desonestos!Daqui não é possível sair-se
Oxalá apareça um queixoso como o Algarvio.
O panorama político actual indicia com muita força que o governo seguinte será pior mas prefiro ver uma parede a ser derrubada do que esperar que cai. CLV