TEATRO IBISCO – A CAMINHO DA INCLUSÃO SOCIAL, CULTURA E DO OPTIMISMO por clara castilho

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Conheci o Teatro Ibisco no passado dia 2 de Junho, numa organização do Fórum dos Direitos da Criança. A fim de assinalar o Dia da Criança, proporcionou uma tarde de… às crianças e instituições que quiseram reunir-se no Museu da Eletcricidade. O programa foi preenchido pelas actuações de associações de jovens: A Orquestra Heróis da Música, o Teatro Ibisco, a Associação Mãos do Mundo, a Associação Juvenil Mundo Salpicado, o Projecto Transformers, o Movimento Expressão Fotográfica, Associação Moinhos.

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O Teatro Ibisco, com dois actores em palco, contou uma história tradicional de cabo Verde em que um deles falava crioulo e o outro em português. Sem adereços, sem cenário, mas com muito humor, conseguiram captar a atenção do público mais jovem, o que nem sempre é fácil.

Na confraternização contaram-me do festival que estão a organizar. Fiquei com curiosidade e fui saber mais.

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O Teatro Ibisco – Teatro Inter-Bairros para a Inclusão Social e Cultura do Optimismo é um grupo de teatro municipal que conta com o apoio do Programa Escolhas e da Câmara Municipal Loures. Reúne 30 jovens actores de seis bairros de Loures.

Ibisco, também chamada “Flor dos Bons Sonhos”, é originário da Ásia Tropical. É comestível e usado para fazer chá em vários países africanos. Semelhante a uma taça, a flor Ibisco tem uma forma original e harmoniosa.

O Programa Escolhas, um programa de âmbito nacional criado em 2001 foi criado para promover a inclusão social de crianças e jovens provenientes de contextos socioeconómicos vulneráveis, particularmente dos descendentes de imigrantes e minorias étnicas, visando a igualdade de oportunidades e o reforço da coesão social.

Além da formação artística e dos espectáculos de Teatro e Dança, entendem os seus elementos  que o Teatro Ibisco tem um papel a desempenhar na promoção do sentido cívico e crítico das populações que serve. E entendem que os bairros considerados sensíveis merecem acolher e protagonizar eventos culturais estimulantes e que promovam uma reflexão comunitária e serena, sobre os vários temas, dos mais mundanos, aos intemporais.

Este ano – de 20 a 23 de Junho –  apostaram num festival que dê a conhecer os bairros de Loures, aqueles de que se ouve falar nas notícias, normalmente pelas piores razões, e vão concentrar a sua programação no bairro da Quinta da Fonte, sempre de olhos, ouvidos e coração postos nos outros bairros.

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Dizem eles:

“Queremos ver este bairro ocupado e não preocupado, ou desocupado. Queremos mostrá-lo e mostrar o que os outros bairros têm para oferecer.

Vamos fazer uma OPA (ocupação pública artística) durante quatro dias (20 a 23 de Junho) com actividades para todos e todas, desde o rapper à cantoneira, da minhota ao timorense.

Vamos cruzar actividades e pessoas que estão nestes bairros (Nós no Bairro) com actividades e pessoas que venham dos mais diversos pontos do planeta (O Mundo no Bairro).

Queremos mostrar o cruzamento de culturas do nosso dia-a-dia, desde o bilhar indiano, fazer “mukur mukur” para ouvir uma estória cabo-verdiana, gritar “Ah, fadista!”, comer moamba, entre muitas outras propostas musicais, grafitti, jogos tradicionais, teatro, com tanta oferta que ninguém vai querer sair do bairro.

 Queremos que o mundo conheça o bairro e que o bairro receba o mundo com tantos ou mais braços que cada bairro tem lá dentro.

E que este momento seja tão só o início de uma belíssima amizade.”

Estou certa que vão conseguir o que pretendem. E vou ver se consigo lá ir dar uma espreitadela.

1 Comment

  1. Muito obrigada pelo artigo, fico muito contente por saber que conseguimos tocar as crianças e os adultos e representar bem o Teatro Ibisco. O Festival correu muito bem, uma experiência única, um ambiente como nunca antes tinha visto no Bairro, acho que conseguimos mostrar o que há de bom na Quinta da Fonte. Mais uma vez obrigada! 😀

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